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O homem toca-disco

  No trio Bossacucanova, com dezesseis anos de estrada e respeitável carreira internacional, Alex Moreira toca teclado e guitarra, Marcio Menescal toca baixo e Marcelinho da Lua toca…. discos. O som que o DJ tira dos pickups integra-se de um jeito tremendamente interessante aos instrumentos convencionais do grupo – que conta ainda com a participação […]

Por Pedro Tinoco Atualizado em 25 fev 2017, 18h52 - Publicado em 14 nov 2013, 16h24
Da Lua olhando para a mesma: uma usina sonora nos pickups

Da Lua olhando para a mesma: uma usina sonora nos pickups

 

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No trio Bossacucanova, com dezesseis anos de estrada e respeitável carreira internacional, Alex Moreira toca teclado e guitarra, Marcio Menescal toca baixo e Marcelinho da Lua toca…. discos. O som que o DJ tira dos pickups integra-se de um jeito tremendamente interessante aos instrumentos convencionais do grupo – que conta ainda com a participação frequente do saxofonista Rodrigo Sha e da cantora Cris Delanno. “Oooh”, você vai dizer entediado, “a música eletrônica é uma realidade, espalhada pelos repertórios mais variados, não há nenhuma novidade nisso”. Pois a boa nova, meu caro, é o proveito que da Lua, técnico de som com passagens pelos estúdios de Tom Capone (1966-2004) e Roberto Menescal, dono de grande curiosidade, ouvido apurado e uma formidável coleção de discos (em torno de 6000 títulos), tira da tecnologia. Melhor do que deitar falação é ouvir seus discos-solo (Tranquilo, de 2004, Social, de 2007), o trabalho do Bossacucanova (Nossa Onda É Essa é o álbum mais recente) ou cair numa festa discotecada por ele. Nessa semana temos a oportunidade de fazer as últimas duas coisas. O grupo se apresenta no Studio RJ na sexta (22) e antes, na terça (19), rola no Bar Leviano mais uma edição da festa Ya’Ya High-Fi, cria querida de da Lua, 100 % nos vinis.

YA’YA HIGH-FI: Bar Leviano. Avenida Mem de Sá, 47, Lapa. Terça (19). A casa abre às 19h e o pau começa a comer às 21h. R$ 10,00

BOSSACUCANOVA: Studio RJ (300 pessoas). Avenida Vieira Souto, 110, 1º andar, Ipanema. Sexta (22), 22h. R$ 50,00.

 

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FALA DA LUA

 Como funciona essa história de tocar ao vivo?

É isso mesmo, eu toco o toca-discos. Tenho coisas pontuais gravadas, falas, coros, sons variados, manipulo o  som digital através do disco. Posso fazer uma gravação da minha voz e, depois, interferir nela com um scratch, por exemplo. Também uso pedais de efeitos, quase como uma guitarra, aquele típico “wha wha” que o Jimi Hendrix tornou famoso. Posso fazer o que quiser, manipular qualquer tipo de som (nota da redação: o Traktor, um programa adotado por DJs, permite que o artista efetivamente toque os sons à mão apenas movendo os discos do pickup). Muito do que faço é ensaiado, mas esses recursos também me permitem surpreender a banda de vez em quando, inventando algo ao vivo. Por causa do centenário do Vinicius de Moraes, por exemplo, solto direto, nas apresentações, trechos de músicas, falas de filmes, costuro referências ligadas a ele. As possibilidades de diálogo são grandes, já fiz música com gente como Elza soares, Joyce, Roberto Menescal.

 

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Seu grupo tem bossa no nome e um dos integrantes, o Márcio, é filho do Roberto Menescal, um dos fundadores da bossa nova. Mesmo com tantas outras referências, algumas mais contemporâneas, vocês se consideram bossanovistas?

A bossa nova foi muito associada, por quem não gosta, a som de elevador, a uma coisa meio igual, mas é muito maior do que isso. Tem os afro-sambas do Vinicius e do Baden, o Carlinhos Lyra fazendo marcha-rancho, a Dolores Duran entre os precursores, o Sergio Ricardo, o João Donato, com a latinidade dele, o Menescal e O Barquinho, tudo isso é parte do movimento. Bossa nova virou um genérico para um monte de estilos, o nosso inclusive. O Bossacucanova está em sua melhor fase, estamos trabalhando muito, com total independência, já viajamos por Japão, Austrália, Cingapura, Colômbia, Estados Unidos, Canadá, a Europa inteira.

 

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Qual é a linha da Ya’Ya High-Fi, a festa que você está comandando às terças no Bar Leviano?

Eu idealizei a festa. Para mim, o DJ não é apenas um colecionador, mas um cara que espalha som, tem que polinizar, espalhar pela internet, no palco, nas festas, onde der. Ontem (na última edição da Ya’Ya High-Fi, no dia 12) eu toquei de forró, umas pérolas regionais, a drum’n’bass. A ideia é oxigenar a galera, faço a festa na terça-feira justamente para não ser obrigado a tocar aqueles hits de fim de semana. Na semana que vem (terça, dia 19), vou contar com a participação preciosa da banda Astro Venga, de rock instrumental, uns caras fantásticos, que tocam nas ruas, e do Bebê Kramer (acordeonista), que toca muito, é um virtuose. Nessa linha de difundir o que encontro, eu também mantenho na internet um MIXCLOUD, onde boto raridades que encontro, batidas que descubro.

 

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De onde veio o apelido da Lua?

Eu sempre fui um cara tranquilão, sempre tive apelidos nessa linha, como Sossego. Veio desse negócio meio tranquilo, meio relax, que eu sempre tive, e, na época em que surgiu, também fazia sucesso um personagem chamado Tonho da Lua (o lelé interpretado por Marcos Frota na novela Mulheres de Areia, de 1993). Cheguei a ficar meio grilado, meio que reclamei uma vez com o Roberto Menescal, mas aí ele sugeriu que eu assumisse o nome de vez. Virou nome artístico.

ASSISTA A ESSE ENCONTRO: CARLOS LYRA E BOSSACUCANOVA

[youtube https://www.youtube.com/watch?v=9PsjPLA5zWo?feature=oembed&w=500&h=375%5D

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