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Andrea Dutra: cantora eclética, no bom sentido

Carioca de Ipanema, Andrea Dutra canta muito, há muito tempo. Em 25 anos de carreira, iniciados em 1988 nos bares da cidade, ela construiu um rico repertório passeando por black music, jazz, samba e MPB. Desde 2001, integra o grupo Arranco de Varsóvia, conhecido por suas interpretações bem particulares para pérolas do samba – aliás, […]

Por Pedro Tinoco - Atualizado em 25 fev 2017, 18h50 - Publicado em 13 dez 2013, 22h05
Andrea Dutra: um belo vozeirão a serviço de repertório refinado e diverso

Andrea Dutra: um belo vozeirão a serviço de repertório refinado e diverso

Carioca de Ipanema, Andrea Dutra canta muito, há muito tempo. Em 25 anos de carreira, iniciados em 1988 nos bares da cidade, ela construiu um rico repertório passeando por black music, jazz, samba e MPB. Desde 2001, integra o grupo Arranco de Varsóvia, conhecido por suas interpretações bem particulares para pérolas do samba – aliás, Na Panela pra Dançar, o próximo álbum do conjunto, previsto para março de 2014, promete surpreender ao eletrificar o gênero. Andrea estreou em disco solo em 1993, no álbum que leva seu nome, e repetiu a dose em 2000, com Black Museu Brasileiro. Nesse mesmo ano, defendeu um bem-sucedido show com canções de Cassiano, Tim Maia e Gerson King Combo, entre outros nomes do soul nacional. Em maio de 2013, apresentou um novo trabalho de estúdio: Jamba (saiba mais AQUI), tradução em doze faixas saborosas do trocadilho do título, junção de “jazz” com “samba”. Certo dia, com a melhor das intenções, um conhecido atribuiu à cantora um “problema”: lamentou que ela não tivesse escolhido um único estilo musical ao longo da carreira. Para Andrea, essa é a  solução. A propósito: na quinta (19), às 17h, ela presta a última homenagem musical a Vinicius de Moraes (1913-1980) no ano de seu centenário. Na Casa de Rui Barbosa, com entrada franca, Andrea, Itamar Assiere (piano), Alex Rocha (baixo) e Ricardo Costa (bateria) interpretam parcerias do poeta com Tom Jobim, Baden Powell e Toquinho. Abaixo, uma conversa com a cantora e depois um registro em vídeo de Muito Romântico, de Caetano, uma das faixas de Jamba. Ela está em todas.

 

DIZ AÍ ANDREA

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Samba, soul, jazz… Qual é a sua praia?
A essa altura da vida, fiz 25 anos de carreira esse ano, olho para traz e vejo um sentido. Tem coisas que não canto, jamais cantei. Rock, blues. Não conheço bem, não é minha praia. Sempre cantei MPB, soul music, samba, jazz, gêneros que são primos, têm a mesma origem. Deu em jazz nos Estados Unidos, deu em samba por aqui. Eu sou assim, sou curiosa, gosto de ouvir tudo, ler muito, esse repertório é reflexo da minha personalidade.

O soul à brasileira tem presença marcante na sua carreira e você já cantou com a estrela maior do gênero. Como foi seu contato com Tim Maia?
Cantei com o Tim no show que ele quis fazer quando tinha brigado com a Globo e queria provar que não precisava da TV. Ele montou o Tim Maia In Concert, uma tremenda produção, no antigo Hotel Nacional, um showzão com coro e orquestra, umas trinta pessoas no palco, seção de cordas, naipe de metais. Eu integrei o coro e depois gravei um clipe. Foi uma tremenda experiência. O gozado foi que o show acabou virando especial da Globo.

O novo disco, Jamba,  funde estilos até no título. É uma declaração de princípios?
É uma síntese da minha carreira. No começo, era um projeto de samba-jazz, mas depois amadurecemos a ideia de fazer um apanhado desse tempo todo. Gravei músicas minhas (A Criação, com Fred Martins, Branquinha, com o pianista Paulo Malagutti, parceiro no Arranco de Varsóvia, e Mea Culpa , só dela), mas também canções variadas, que adoro, como Medo de Amar, do Vinicius, Muito Romântico, do Caetano, e Vou Procurar Esquecer, de Monarco e Ratinho.

O disco foi lançado através de crowdfunding. Como foi essa experiência?
Esse sistema ajuda muito. Outro caminho, o financiamento através de edital, inclui uma certa burocracia que acaba levando muita gente a fazer não o que quer, mas o que se enquadra melhor. As exceções, claro, são uma Marisa Monte, uma Fernanda Montenegro, mas eu não tenho esse privilégio. Através do catarse (site de crowdunding) eu cheguei diretamente a quem gosta do meu trabalho e quer ajudar. Recebi o apoio de 256 contribuintes. No show de lançamento, em maio, na Sala Baden Powell, tinha uma fila que ia até a Rua Inhangá. Foi um barato, um sucesso coletivo, todo mundo ali contente por dividir um projeto.

O que espera quem for assistir ao tributo a Vinicius na quinta (19), na Casa de Rui Barbosa?
Este ano, eu e Itamar Assiere (piano) fomos convidados para participar, em duo, de uma série no CCBB em tributo ao Vinicius. O pessoal da Casa Rui nos viu, gostou e nos convidou. Agora vamos para o palco eu, o Itamar, o Alex Rocha (baixo) e o Ricardo Costa (bateria), dois músicos que me acompanham sempre, fizemos muita coisa juntos. Eu sou de Ipanema, minha mãe nasceu em Ipanema. Meu avô morava em uma casa na beira da Lagoa que ficava na Rua Montenegro, atual Rua Vinicius de Moraes. Fazer um show com o repertório dele é como fazer um show sobre o meu tio, uma sensação familiar, muito gostosa para mim. No CCBB focamos na parceria dele com o Tom, mas agora vamos abrir também para os afrosambas, as composições com Toquinho. Vai ser um passeio gostoso pela obra dele, a partir de canções como Lamento no Morro, do espetáculo Orfeu, que marcou o início  da parceria entre Tom e Vinicius.

Você tem uma longa trajetória de apresentações em bares e casas noturnas. Um pouco dessa versatilidade vem daí?
Certamente. Estou há quatro anos no TribOz (Rua Conde Lages, 19, Lapa, tel. 2210-0366), sempre no primeiro sábado do mês. Esse lugar é uma coisa rara, é uma casa voltada para a música, o dono sobe ao palco antes para pedir às pessoas que não conversem durante as apresentações. Faço três sets com a plateia em silêncio, isso não existe na cidade. Lá o que eu canto é bem misturado, tem standards de jazz, Cole Porter, Gershwin, Cartola, Monarco. No começo, passei por toda parte. Mistura Fina, Rio Jazz Club, People, Jazzmania, muitos outros lugares. No mesmo ano em que entrei no Arranco de Varsóvia (2001), também comecei a me apresentar na Modern Sound (sensacional loja de discos e equipamentos em Copacabana, funcionou de 1966 a 2010 e abrigava um bistrô com boa programação musical). Por lá fiquei cinco anos, com essa galera que ainda toca comigo, e juntos desenvolvemos muita coisa do nosso repertório.

 

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