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Paula Pizzi Por Paula Pizzi, florista e jornalista Flores, plantas e natureza para uma vida com dias mais leves e alto astral

Protea – a flor que é o contrário de tudo que se espera de uma flor!

Imensa, bruta e quase eterna, ele é pré-histórica mas chegou no Brasil só há 20 anos. Hoje é a queridinha de noivas e apaixonados por decoração

Por Paula Pizzi - Atualizado em 8 jul 2020, 14h31 - Publicado em 8 jul 2020, 13h45

Quais as primeiras palavras que vêm à sua mente para descrever uma flor? Delicadeza, fragilidade, perfume…Estou certa?

Hoje venho apresentar a protea. A mais imponente das flores, que foge totalmente da associação natural que temos de delicadeza, pétalas frágeis, caule fino. Ele é bruta, imponente e belíssima. Por seu tamanho, uma única flor já faz as vezes de um arranjo inteiro. E ela tem um impacto danado em qualquer decoração.

Protea King (Petalis/Carolina Geissler)/Arquivo pessoal

Outra diferença dela é que é bem mais resistente e duradoura do que as flores costumam ser. Na água, fica praticamente intacta por duas semanas. Assim que suas folhas começarem a escurecer, ela pode passar pelo processo natural de secagem. É só retirar da água e se encantar com as mudanças de coloração e estrutura que vão surgir aos poucos.

Protea Eximia (Petalis/Carolina Geissler)/Arquivo pessoal

Sua origem é a região onde hoje é a África do Sul, e seu aspecto super rústico não deixa dúvida: é uma das primeiras flores de que se tem registro na história, em fósseis de cerca de 100 milhões de anos! Foi só em 1735, quando já tinha chegado à Europa, que foi batizada pelo botânico Carl Linnaes. Impressionado com a variedade de espécies e formatos da planta, além do seu aspecto imponente, se inspirou no deus grego Proteus, o que consegue se transformar naquilo que deseja ser.

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Aqui no Brasil, sua produção começou há 20 anos apenas. Foram trazidas sementes da África do Sul dos mais variados tipos de proteas, mas nem todas se adaptaram às mudanças climáticas e de solo. Uma das maiores produtoras aqui é a Fazenda Alpes, do Grupo Reijers, que fica em Munhoz (MG).  Suas proteas Cinaroydes (também conhecidas como King) e Exímia são comercializadas para o Brasil todo pela Cooperflora.

Protea Eximia (Petalis/Carolina Geissler)/Arquivo pessoal

Como tudo relacionado a elas, até a produção das proteas é mais “selvagem” – elas não ficam em estufa, mas sim em campo aberto. Como precisam de sol pleno, essa é a melhor forma de se desenvolverem, mesmo com a desvantagem das chuvas de verão ocasionarem perdas por excesso de umidade. O processo é longo: a planta leva oito meses para enraizar, e só depois de 3 anos aparecem as primeiras florzinhas, ainda pequenas e curtas. Por outro lado, a produção é duradoura. A Fazenda Alpes ainda tem pés da primeira produção, de 20 anos atrás, que dão flores!

Além de ser muito querida por noivas que querem um buquê diferentão, marcante e único, a protea vem sendo cada vez mais buscada por quem quer dar um toque de flor mais permanente e ousado à decoração.  É fácil se encantar com essa maravilha da natureza que vai mudando a cada dia enquanto permanece a mesma.  Não à toa, é a flor símbolo nacional da África do Sul, representando transformação e esperança.

Buquê de Noiva com protea king (Petalis/MultiEstudio)/Arquivo pessoal

Paula Pizzi é jornalista e florista à frente da Petalis Flores. Acredita que a beleza, o amor e a leveza das flores e plantas são capazes de transformar ambientes, relações, humores e vidas

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