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Manual de Sobrevivência no século XXI Por Analice Gigliotti, Elizabeth Carneiro e Sabrina Presman Psiquiatria

O segredo da felicidade

Pesquisa mostra que felicidade não tem nada a ver com taxa de colesterol, dinheiro no banco ou reconhecimento no trabalho

Por Analice Gigliotti - 21 fev 2020, 11h47

Os “bons relacionamentos” são os responsáveis por nos mantermos mais felizes e saudáveis. Essa é a principal conclusão do Estudo de Desenvolvimento Adulto, desenvolvido na Universidade de Harvard com 724 homens, por 75 anos, uma das mais longas pesquisas que se tem notícia.

E que lição podemos tirar dessa descoberta para nossas vidas?

Para quem vive preocupado com taxa de colesterol, dinheiro no banco ou no reconhecimento no trabalho como motor de felicidade, é uma baita mudança de paradigma.

De acordo com o estudo, que monitorou a vida do grupo no trabalho, em casa e analisou exames médicos ano a ano, os bons relacionamentos ajudam o cérebro a se manter saudável por mais tempo e facilita o relaxamento do sistema nervoso. Eles também auxiliam a reduzir as dores, emocionais ou físicas.

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Pessoas solitárias, portanto, tem mais chance de ter uma saúde pior e viver menos, porque seus cérebros se deterioram mais rapidamente. Mas sabemos que há solitários dispersos em multidões ou em casamentos ruins. E aí vem a segunda conclusão da pesquisa: bons relacionamentos não devem ser entendidos por um casamento duradouro ou um grande grupo de amigos. Segundo um dos pesquisadores, a palavra chave é qualidade. É ela, a qualidade dos relacionamentos, que determina o envelhecimento com saúde.

Vivemos em uma sociedade orientada para a produção em escala, alta performance e acumulação de capital. Nessa dura trajetória, o que muitos estão encontrando é frustração e infelicidade, relegando o (bom) convívio em família e com amigos para segundo plano. “Uma vida boa se constrói com bons relacionamentos”, concluiu o chefe da pesquisa. Trabalhos como o de Harvard nos fazem lembrar do que importa, de fato, na vida.

E você, do que quer se orgulhar (ou se arrepender) quando olhar para trás, no auge da maturidade? As decisões certas devem ser tomadas agora.

A boa notícia é que, para a maioria das pessoas, ainda dá tempo de procurar e fortalecer bons relacionamentos.

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Analice Gigliotti é Mestre em Psiquiatria pela Unifesp; professora da Escola Médica de Pós-Graduação da PUC-Rio; chefe do setor de Dependências Químicas e Comportamentais da Santa Casa do Rio de Janeiro e diretora do Espaço Clif de Psiquiatria e Dependência Química.

 

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