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Manoel Carlos Por Blog Blog do novelista Manoel Carlos

A mal-amada

Leia na crônica de Manoel Carlos da semana

Por Manoel Carlos - 19 nov 2017, 23h00

Você não vai acreditar, mas hoje, lembrando de nós, de quando vivíamos juntos, a cena que me vinha à cabeça, que não me largava, era quando você chegava cansado do trabalho, e deixava que eu tirasse sua roupa e seus sapatos… Ah, eu sabia que você ia dar risada, assim não vale. Tudo bem, vai, pode rir, mas me deixe terminar, mudando e não mudando de assunto. Você diz que eu nunca vou até o fim.

Mas você vai ver como eu mudei, como agora eu sou outra pessoa. Menos boba. Juro, prometi a mim mesma. Você vai ver a diferença. Agora resolvi cuidar da minha vida. Da nossa vida, meu amor, e não me chatear mais com os outros! Os outros são os outros, como se costuma dizer! O Roberto sabe como me irritar e por isso fala na sua ex, que foi quando vocês se conheceram. Antes que tivessem alguma coisa, que se interessassem um pelo outro.

Você acha também que eu cheguei tarde à sua vida? Não. Não, não responda, não diga nada. Estou prometendo que não vou fazer mais esse tipo de pergunta, que vou deixar de ser boba, e já estou sendo a maior bobona. Por que as mulheres são assim? Tontas, perdidas, sem saber se entram à direita ou…

Estou ficando chata, chorando pelos cantos! Sei que isso afasta as pessoas de mim. Os amigos dizem: “Você vive choramingando, não sabe falar de outro assunto…”.

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Chega. Eu agora vou dar a volta por cima! Vou só pensar na nossa felicidade! Você está bem comigo, me ama? Eu te amo? Então dane-se o resto! Você vai ver! Aposto que vai gostar da nova Clara, da sua Clarinha…

Pena que você não possa ver como é que eu estou agora. Chorando e rindo ao mesmo tempo. Mas me deu a louca hoje cedo e eu taquei uma porrada no vidro do carro do Roberto, acabei com ele! Ah, não acredita? Pensa que é mentira? Pois então vá até a garagem lá embaixo e dê uma olhada no carrão novo dele, branco como a neve. O poderoso Audi! Um estrago.

Imagino a sua cara neste momento. Deve estar pensando que eu prometo, prometo, mas que não adianta, sou a louca de sempre, a que envergonha você porque não sabe comer no restaurante japonês com aqueles pauzinhos…

Sabe o que eu estou querendo? Dar uma saída com você. Por isso botei essa roupa, esse sapato… e carreguei um pouco no batom. Quero que você me leve pra dançar. Me leva? Hein?

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Ei, olhe pra mim!

Aposto que você dormiu e nem leu esta carta até o fim. Falei pro vento e ele levou embora. Tudo bem, amanhã volto a escrever.

Bye.

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