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Lelo Forti Por Lelo Forti, mixologista

Sustentabilidade: o futuro não é descartável

Engajamento social, políticas públicas, educação e conscientização são ferramentas necessárias para uma vida sustentável. Não existe outra saída

Por Lelo Forti Atualizado em 15 set 2021, 21h57 - Publicado em 15 set 2021, 18h12

“Quer mudar o mundo? Comece arrumando sua cama”. Quantas vezes já ouvimos essa frase da boca de nossos pais, ou mesmo na escola, de professores, educadores, familiares. Pode parecer clichê, mas o significado destas palavras, soam perfeitamente para este novo século. A revolução industrial no século XX trouxe prosperidade, renda, geração de empregos e LIXO.

A gana de prosperar e levar o planeta a um novo ciclo produtivo varreu para debaixo do tapete durante muitas e muitas décadas a preocupação com a grande escalada global na produção de lixo. Governos e governantes estavam mais preocupados com expansão econômica do que com o meio ambiente. Até então, assunto para desocupados e revolucionários.

Mas, voltando a nossa célebre frase que abre esta crônica, eu acrescento mais algumas palavras. “Quer mudar o mundo? Arrume sua cama, diminua seu tempo no chuveiro e, separe o lixo que você mesmo produz”. A sustentabilidade não é mais uma opção ou utopia. É REALIDADE.

Nosso planeta nunca foi infinito e seus recursos estão diminuindo drasticamente. A diferença hoje é que a informação está em nossas mãos o tempo todo. Não podemos mais esconder o lixo debaixo do tapete. O tapete cresceu demais e o lixo invadiu a sala. Temos que resolver.

Essas metáforas são para conscientizar que, se todos nós, dentro do nosso universo social, fizermos pequenas mudanças de comportamento, podemos contribuir muito para uma vida mais saudável, um planeta mais limpo e, principalmente, o sentimento de dever cumprido como cidadão.

Então vamos começar analisando nosso comportamento dentro de nossa casa. O arroz e o feijão, essenciais na mesa do brasileiro já causam espanto. Sabe a embalagem plástica que você abre pra fazer aquele arroz soltinho? Pois é: onde você descarta? O que você realmente faz com essa embalagem? Lixo comum? Reciclável? Não se importa? Seja qual for sua resposta, analise que, todos os dias, milhões e milhões de pessoas descartam essas embalagens na natureza.

Para se ter uma ideia, segundo informações do Recicloteca (Centro de Informações sobre reciclagem e meio ambiente), só a cidade do Rio de Janeiro produz oito toneladas de lixo por dia. Você sabia que a produção per capita de lixo produzida no Brasil varia de 0,3 a 1,1 KG/dia por habitante? Outro dado: quanto maior o poder aquisitivo da população, maior a quantidade de lixo produzida.

A pandemia multiplicou a quantidade de lixo doméstico que poderia ser reciclado. Milhões de embalagens de tudo que é tipo são entregues diariamente. As empresas que mais cresceram economicamente na pandemia foram de entregas, alimentos e embalagens. Segundo o Instituto AKATU, a taxa de geração de lixo é cinco vezes maior que o crescimento populacional. Vai vendo. 35% do plástico de consumo é descartado em até 20 minutos após o uso.

Glass is Good

Mas nem tudo está perdido. Graças a mudança de comportamentos, conscientização ambiental ou até mesmo auto promoção, muitas são as ações que estão impedindo que o problema se torne uma catástrofe logo ali na frente. O lixo que um bar e restaurante produzem diariamente é imenso.

Milhares de garrafas de cerveja long neck, por exemplo, são descartadas diariamente no lixo. O vidro é um produto reciclável e que pode ser solucionado. Pensando nisso, a Diageo (multinacional de bebidas), iniciou um projeto piloto no Brasil para ajudar a diminuir esse volume de garrafas descartadas no meio ambiente.

O projeto Glass Is Good, já consegue reciclar 60 toneladas de vidro por mês no país. A iniciativa é bem simples: o vidro utilizado em bares e restaurantes, são recolhidos por empresas credenciadas na porta de cada estabelecimento. O barman só precisa separar o vidro do lixo orgânico. Um trabalho simples para uma causa tão significativa. Este projeto já começou em alguns estabelecimentos aqui no Rio.

Outras iniciativas da empresa estão em andamento. A ideia, segundo Andrea Prato, gerente On Trade Rio, é deixar a empresa 100% sustentável até 2030. A Rua Dias Ferreira, no Leblon, é um exemplo de que comércio, consumo e sustentabilidade podem estar em constante harmonia.

Recentemente a famosa rua, tornou se oficialmente Pólo Gastronômico e, da conscientização dos comerciantes, nasceu o Projeto Viva Dias. Uma série de ações conjuntas público/privadas para revitalização, modernização e ações ambientais efetivas estão em andamento. Duas já começaram: Já Fui Mandioca é uma ação promovida pela Diageo nos estabelecimentos, substituindo os copos descartáveis de plástico para embalagens biodegradáveis feitas a partir da mandioca.

Glass Is Good, é a outra ação e já recolhe vidros nos estabelecimentos que aderiram ao projeto e nos próximos dias começa a campanha Fruta Imperfeita, jogando luz ao aproveitamento de alimentos em sua maior potência e usando frutas imperfeitas para drinks perfeitamente saborosos.

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Muitas outras iniciativas são perfeitamente possíveis em bares e restaurantes. Separar o lixo orgânico de materiais descartáveis é só o começo. Já existem cooperativas de compostagem que recolhem o descarte orgânico e transforma em adubo natural para hortas e outros cultivos.

A Comlurb recolhe mensalmente, aproximadamente 18 mil toneladas de materiais que podem ser reciclados, gerando emprego e renda para muita gente, e obviamente, dando destino certo para embalagens que estariam se proliferando em rios, lagoas e no mar.

O Rio de Janeiro é uma das poucas cidades brasileiras que tem um programa municipal de Coleta Seletiva que abrange quase todo seu território. Desde que a Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS) foi aprovada em 2010 e que a logística reversa passou a ser encarada como uma política pública, a coleta seletiva carioca tem crescido exponencialmente. Infelizmente esse crescimento demorou demais, se arrastando por muitos anos.

A capital carioca perdeu tempo, dinheiro e oportunidades de geração de emprego e renda devido à morosidade de sucessivos governos. Mas, por conta da Copa do Mundo de 2014 e das Olimpíadas de 2016, os estrangeiros não poderiam vir ao Rio e descobrir que nossa coleta seletiva era medíocre. A Prefeitura do Rio e o BNDES investiram R$ 25 milhões na ampliação do serviço, mas o principal avanço foi a mudança de mentalidade dos gestores públicos (ou apenas a aceitação) em relação à coleta diferenciada de recicláveis.

E assim a cidade segue ampliando os bairros atendidos pela coleta de recicláveis. Cabe ao carioca participar quando sua rua estiver na rota dos caminhões azuis da coleta seletiva. Todo o material coletado é destinado a cooperativas cadastradas na Comlurb, o que significa que a iniciativa é uma parceria público privada, alinhada à PNRS, no que se refere à inclusão de catadores no processo de coleta seletiva.

Há muito para se melhorar, o desafio é imenso e diário, mas quem vive hoje no Rio de Janeiro tem escolha. Pode ficar parado procurado desculpas para não separar os resíduos, reclamando pelas redes sociais ou participar, avaliar e cobrar melhorias da prefeitura. O melhor do Rio de Janeiro é o carioca participativo que acredita na construção de uma cidade melhor.

Não tem mais desculpa para não fazer. Vivemos em tempo de escassez de quase tudo. Água principalmente. Então, comece economizando água no banho ou quando for lavar a louça mantenha a torneira fechada. A natureza agradece e o bolso também. Deixo aqui o exemplo do pequeno município paranaense Entre Rios do Oeste. Com apenas quatro mil habitantes, sua economia é baseada na suinocultura e bovinocultura. Até aí, nada de muito diferente em relação a outros pequenos municípios espalhados pelo Brasil.

A novidade é que, em breve, a cidade irá “zerar” sua conta de energia elétrica por meio de um projeto para geração de energia limpa e totalmente sustentável, a partir de resíduos animais. A iniciativa é uma parceria entre a prefeitura, o CIBiogás (Centro Internacional de Energias Renováveis) e a Copel (Companhia Paranaense de Energia). Daqui pra frente, todos os dejetos produzidos na zona rural serão transformados em energia elétrica, através do Biogás que será utilizada para a iluminação municipal e o abastecimento de prédios públicos – como escolas e hospitais -, além das propriedades rurais que fazem parte do projeto.

Tudo é muito simples: todas as fezes e urinas dos animais do campo são armazenadas e em contato com o oxigênio produzem metano e hidrogênio. Estes gases são capturados e transformados em energia limpa. Até a frota de veículos oficiais e escolares já são alimentados com a produção do Biogás. Com tecnologia e vontade política pode se transformar a vida das pessoas. Está na hora de arregaçar as mangas e começar. Conto contigo?

Cheers.

Atenção aos procedimentos a serem seguidos para realização da coleta seletiva:

  • Todo material reciclável deve ser embalado em sacos plásticos transparentes ou translúcidos (azul e verde) para que o Gari possa visualizar o seu conteúdo bem como detectar a possível presença de materiais orgânicos, contundentes ou perfurantes no seu interior. Não será permitido o uso de sacos pretos.
  • Para garantir a qualidade dos recicláveis basta uma rápida lavagem. Com esse pequeno gesto você garante que o reciclável limpo aumente a produção das atividades dos catadores
  • O resíduo orgânico, além de representar risco à saúde dos catadores, contamina todo o material potencialmente reciclável inviabilizando o seu aproveitamento e, consequentemente, a sua reutilização.

Saiba se sua rua está incluída na rota dos caminhões de coleta seletiva da COMLURB.

Zona Sul: 96620-3432 (Operacional da Coleta Seletiva) / 2244-4788 / 2244-4804 /

Zona Norte: 2593-7582 / 3275-1708

Zona Oeste: 3417-2084 / 3417-2094 / 3483-0841

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