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Lelo Forti Por Lelo Forti, mixologista

Lamentar, sentar e chorar ou sacudir, reinventar e vender?

Enquanto a maioria reclama, outros poucos desenvolveram mecanismos para sobreviver, projetar o futuro pós-pandemia e crescer como pessoa e profissional

Por Lelo Forti - 12 Maio 2020, 11h31

Sempre gostei muito de história. Quem me conhece sabe disso. Gosto de ler sobre acontecimentos passados, seja na minha área de bar/bebidas ou da evolução humana. É um assunto que me fascina desde garoto. Como todo mundo, tive todas as dúvidas, incertas e medos desde a chegada da pandemia. Num primeiro momento foi assustador. Aquelas perguntas básicas: como vou viver, sobreviver, pagar contas? Como vai ser com meus colaboradores? Credores? Água, Luz, gás, aluguel, condomínio, mercado?

Diante deste cenário assustador e totalmente imprevisível, tive dois caminhos, aqui explicados com um provérbio popular que uso como um mantra: existem dois tipos de pessoas: “As que choram e as que vendem lenço”. Quem eu serei nessa crise?

Até ai, tudo bem, mas…o que fazer? Como fazer? Vai dar certo? Vou conseguir sobreviver? E a família? Filhos? Pais? Tenho certeza de que você, que lê esta coluna agora, deve ter feito ou está fazendo estes questionamentos inconscientemente. É normal. Cada indivíduo tem seu tempo, seu modo de pensar. Pode dar certo pra uns e para outros não.

Passados os primeiros dias de meu querido bar fechado, tivemos aquela reunião de sócios pra tentar achar alternativas diante do cenário inimaginável do fechamento da casa, sem nenhuma perspectiva de retorno às atividades. (nosso último dia de funcionamento foi 15 de março).

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Como tantos outros empresários, comerciantes, profissionais liberais e autônomos, não tivemos muitas alternativas senão fechar as portas, (mediante sugestão dos órgãos competentes de saúde) e de imediato, no nosso caso, dar férias coletivas para todos os funcionários e, diante dos anúncios do governo, seguir todas as cartilhas para evitar demissões.

As duas primeiras semanas foram cruéis e assustadoras. Creio que para todos. Eu, pessoa totalmente ativa, inquieta, acelerada, me vi dentro de casa, impedido de estar na rua tocando a vida, porque o mundo parou.

Foi nessa hora que voltou aquela frase que uso como mantra: ficar em casa sentado, esperando por um milagre? Acreditar nas falácias políticas municipais, estaduais e federais? Me iludir que o governo vai segurar as pontas e vai nos “bancar”até isso tudo passar? Ou seja: ficar em casa CHORANDO, ou, refletir sobre o que está acontecendo, repensar a vida, olhar para trás e trazer aqueles projetos engavetados há anos para a realidade? Ou seja: AGIR.

No meu caso, em casa, voltei aos estudos históricos pra buscar inspiração nos acontecimentos do passado, parecidos como os atuais, cada um dentro da sua proporção, fatos e época.

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Estudei a gripe espanhola, que dizimou quase 100 milhões de pessoas no início do século XX, incluindo milhares no Brasil. Primeira e Segunda Guerra Mundial também foram fontes de boas leituras. Revolução Francesa e Guerra Civil Americana apareceram no meu feed de estudos.

Mas você deve estar se perguntando: o que isso tem a ver com a minha vida hoje?

Simples: fui pesquisar o que estes acontecimentos históricos promoveram de oportunidades para os milhões de envolvidos. Sim, as guerras passaram, a gripe espanhola erradicou, mas muitas foram as oportunidades criadas no caos.

Quando falamos de guerra, falamos de reconstrução, saúde, educação, infraestrututura, alimentação e por aí vai.

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Pra você ter uma ideia, durante a gripe espanhola, milhares de pessoas sobreviveram simplesmente porque usavam carroças para transportar milhares de corpos entre os locais de saúde e os cemitérios. Esse serviço não existia antes de a gripe acontecer. Com certeza não foi um trabalho fácil, mas foi inovador e, principalmente necessário para o mínimo de sustento de muitas famílias.

Use esse exemplo como inspiração. Veja as inúmeras oportunidades que se abriram na sua área de atuação. Use a criatividade, o diferente. Tem que pensar, conversar, experimentar.

Comece pelo simples exercício do questionamento. O que eu faço profissionalmente é necessário para as pessoas no dia a dia? O que eu vendo é essencial? Como as pessoas saberão que eu existo? Como despertar o desejo pelo meu produto? Eu compraria?

O delivery virou o sustento e a principal opção de milhões de brasileiros. Olha que bacana. Hoje as pessoas estão fazendo mais refeições juntas em família, logo vão querer que isso seja especial e a experiência gastronômica se tornou ainda mais pessoal. Então essa mudança de hábito no dia a dia das pessoas trouxe ao serviço de entregas algumas alterações que se fizeram necessárias para o sucesso desses novos tempos.

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O cliente não quer só receber sua sacola de comida. Ele quer algo mais. Ele precisa do algo mais. Os aplicativos de entrega são a principal rota de escoamento do pedido. É simples, mas eu julgo muito oneroso para o restaurante e para o cliente. Colegas de trabalho também concordam que as porcentagens aplicadas são abusivas, e ao mesmo tempo não tem outra maneira de fazer o pedido chegar rápido e com segurança na casa do cliente. SERÁ?

Bem: eu concordo em partes. É chegado o momento de se reinventar. Quem conseguir isso sairá mais forte como empreendedor, mais motivado para o pós-pandemia, terá consolidado sua marca, fidelizado clientes e será lembrado como inovador, criativo e inspirador.

Lembrem de uma coisa de extrema importância: lamentar, culpar os chineses, os governantes ou esperar que algo venha do céu não vai mudar sua vida, vai só piorar.

Quer um conselho? Enquanto você se vitimiza, seu concorrente está buscando uma saída pra estar, de alguma maneira, no famoso “Top Five” de locais onde os clientes pedem suas necessidades. Sim, existe na cabeça de cada consumidor seus cinco locais favoritos de consumo: isso conta bar e restaurante, farmácias, supermercados, etc

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Algumas dicas: embalagens criativas, com frases diretas, engraçadas, de incentivo viralizaram. Embalagens que possam ser recicladas, reutilizadas também são muito bem aceitas pelos clientes. Descontos, promoções, dose dupla, entrega grátis, entrega compartilhada, motorista amigo, delivery de drinques, de chá, de vinhos, etc, etc, etc… As pessoas, enclausuradas, potencializaram muito mais suas necessidades. A ansiedade traz consumo. Consumo de alívio, emergencial, de conforto. Livros, filmes, álcool, comida, doces, frutas, fast food, pizzas, remédios. Estamos consumindo muito e de tudo. Amazon, Mercado Livre, Alibaba nunca cresceram tanto em vendas como nos últimos meses.

São centenas de exemplos diários no mundo todo. Basta estar antenado ao que está acontecendo no planeta e buscar uma forma de se reinventar, afinal, nada se cria, tudo inspira, transforma e inova.

E então, como você quer ser lembrado amanhã?

Cheers!

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