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Julia Golldenzon Por Julia Golldenzon, estilista carioca

Para maratonar: Netflix estreia hoje série fashionista sobre Halston

Em cinco episódios, produção tem figurino impecável e conta a história de um dos maiores estilistas americanos 

Por Julia Golldenzon Atualizado em 14 Maio 2021, 19h24 - Publicado em 14 Maio 2021, 18h15

Prepare a pipoca e aproveite o frio para maratonar. Estreou hoje a série mais esperada do ano pelos aficcionados por moda. Estrelado por Ewan McGregor, “Halston” conta a história do estilista americano que dá nome a série e que é considerado o homem que inventou a alta-costura americana. Bastidores da criação da marca icônica são o pano de fundo para revelar os deslizes e os conflitos humanos de Roy Halston.

Já no primeiro episódio, conhecemos sua primeira ascensão e queda, de muitas que se sucederam na carreira dele. Halston, um então designer de chapéus, tornou-se conhecido internacionalmente depois de criar o acessório usado por Jacqueline Kennedy na posse de seu marido para a Presidência dos Estados Unidos, em 1961. De um dia para o outro, ele virou o designer mais requisitado de Nova York. Porém, ele não previu as mudanças de comportamento que fizeram com que mulheres abandonassem o hábito de usar chapéus, levando-o novamente ao ostracismo em 1968. No ano seguinte, ele largou tudo para se lançar como “o primeiro estilista americano de alta-costura”, rendendo uma das melhores frases do primeiro episódio, dito pela personagem de Liza Minelli, uma de suas grandes amigas e musas: “Você não largou nada, apenas se deu um enorme presente. Deixou para trás a realidade que conhecia abrindo espaço para a inspiração”.

Halston, cujo nome também é uma invenção dele, foi o estilista que marcou os anos 70 e se tornou influência definitiva dos estilo da era Studio 54. Entre as amigas e musas do estilista estavam, além de Liza, Elsa Perreti, Angelica Houston, Cher e Bianca Jagger. Seu design minimalista, com uma feminilidade fluida e atemporal – com destaque para os vestidos frente-única -, conquistou as clientes da alta-sociedade americana e influenciou a moda dos anos 70. O vício em drogas, o egocentrismo e a personalidade festeira são mostrados como alguns dos motivos que o levaram a dar passos errados na indústria, como perder o direito de usar o próprio nome.

Para os amantes de moda, como eu, a série se destaca pela perfomance incrível de Ewan McGregor  – o ator teve aulas com um alfaiate para aprender a técnica da moulage. Cada um dos cinco episódios é marcado por uma coleção, o que rende cenas maravilhosas sobre o processo criativo, desde a criação de um vestido até os desfiles realizados na maison Halston, na Madison Avenue. Uma das cenas mostra, inclusive, Halston andando pelas ruas de Nova York observando o comportamento das mulheres no fim dos anos 60 no que hoje chamamos de pesquisa de tendências para criar sua marca. É incrível também o trabalho da figurinista  Jeriana San Juan, figura fundamental da série, tanto no diálogo da moda com a dramaturgia quanto na condução da preparação do ator.

Baseada no livro “Simply Halston”, de Steven Gaines, a série revela também a importância da relação com a mãe, para quem ele fazia chapéus na infância “para alegrá-la” – em meio a conflitos de um casamento abusivo por parte do pai. A série mostra também a ambição desenfreada e o lado sonhador do estilista, muitas vezes, quase irresponsável, revelados por uma frase deliciosa numa conversa da equipe sobre a crise financeira da marca logo em sua primeira coleção. Seu assistente sugere que cortem a compra de orquídeas, e Halston, revoltado, responde: ” As orquídeas fazem parte do meu processo. Inspiração não tem preço”. 

 

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