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Julia Golldenzon Por Julia Golldenzon, estilista carioca

Cruella: um filme para quem ama moda

Figurino é destaque no filme da Disney que retrata o universo da moda londrina, com a influência punk dos anos 70

Por Julia Golldenzon Atualizado em 25 jun 2021, 21h34 - Publicado em 25 jun 2021, 10h02

Cinema e moda é uma combinação que sempre cai bem. Com os filmes, nos apaixonamos por grandes ícones como o vestido Givenchy de Audrey Hepburn em “Bonequinha de Luxo” e pelos looks fashionistas de Carrie Bradshaw na sequência de “Sex na The City”. Quem diria que a Disney, que por tantos anos reinou nas animações, iria roubar a cena com o live-action “Cruella”. Assinado pela figurinista Jenny Beaven, o filme contou com quase 300 figurinos para contar a história de como a protagonista orfã se tornou a vilã de “101 Dámatas”.

A moda é ponto-chave do filme não apenas por seu figurino, mas porque é o universo da protagonista. Estella (Emma Stone) é uma órfã com talento para ser estilista e assume Cruella como seu alter ego. A antagonista é a Baronesa Von Hellman (Emma Thompson), uma estilista renomada. A história é contada em meio a desfiles, ateliês, brechó, croquis, máquinas de costura, peças-piloto, bailes de gala e tem a tradicional loja de departamentos Liberty como um de seus cenários.

A britânica Jenny Beavan, de 71 anos, foi a responsável pela criação dos looks do filme, que ajudam a construir a identidade visual do longa a partir de 277 figurinos, dos quais Emma Stone vestiu 47 e Emma Thompson, 33. Formada pela tradicional central Saint Martins e ganhadora de dois Oscars por “Uma Janela para o amor” (1987) e  “Mad Max: Estrada da fúria” (2016), Beavan disse à revista “InStyle” que Cruella foi seu trabalho mais importante.

Com referências à história da moda, é possível identificar inspirações em Vivienne Westwood, com seu estilo punk couture, em John Galliano, Cristóbal Balenciaga e na Vogue dos anos 70. O street style inglês inspira looks da fase jovem de Estella. “É como se ela tivesse entrado numa loja vintage na Brick Lane quando ainda era um mercado de pulgas”, contou a figurinista à “InStyle”.

Basta assistir ao filme para perceber que a Disney não economizou no item figurino. Em uma das cenas, um caminhão de lixo para em frente à uma entrevista coletiva da Baronesa e despeja centenas de tecidos descartados, chamando a atenção. Quando o caminhão dá a largada, vemos que é apenas a cauda do vestido de Cruella, composto por um corset com jornais velhos e e saia com 393 metros de organza. Num dos figurinos foram bordadas 5 mil pétalas.

Apesar de a personagem do livro e da animação da Disney ser conhecida pela sua relação com peles, esta versão live-action optou por adotar um discurso atual, mais sustentável e correto. Em um dos desfiles, Cruella aparece com um sobretudo branco de pintinhas, fazendo com que a Baronesa e a imprensa acreditem que a vilã fez seu casaco com os dálmatas da rival. Na cena seguinte, a protagonista afirma a seus comparsas que não faria isso, e os cachorros voltam a aparecer.

Este mês, porém, a parceria entre a figurinista e a Disney ganhou um capítulo polêmico. Beavan questionou em entrevista à “Variety” o fato de a companhia ter licenciado peças para a Rag & Bone inspiradas no filme sem que ela soubesse ou tivesse participação nos lucros.

Faz algum tempo que o universo da moda não protagonizava um filme. O longa, dirigido por Craig Gillespie, lembra “O Diabo veste Prada” pela antagonista e por ter o mundo fashion como pano de fundo. Além de figurinos, makes e cabelos incríveis (foram usados 200 tubos de spray branco), “Cruella” tem transgressão, uma boa dose de obsessão e merece ser visto e revisto.

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