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Julia Golldenzon Por Julia Golldenzon, estilista carioca

Dolce & Gabbana e a volta dos grandes desfiles

Apresentação de coleções em Veneza, com presença de convidados do mundo inteiro, marca uma retomada das passarelas?

Por Julia Golldenzon Atualizado em 8 set 2021, 13h15 - Publicado em 8 set 2021, 13h11

Os desfiles de moda voltaram a chamar atenção com a apresentação da Dolce & Gabbana esta semana em Veneza. A grife italiana reuniu 450 jornalistas, clientes e influenciadores do mundo inteiro para assistir presencialmente ao lançamento das coleções de Alta Moda e masculina. Voltamos a ver uma passarela grandiosa com público numeroso, depois de um longo período de desfiles virtuais ou com poucos espectadores no estilo petit comité.

Em cena, vestidos dramáticos curtos e longos, com muito volume, e maxiblazer sobrepostos a minissaias. A coleção celebrou  Veneza, sua arquitetura e suas tradições, e enalteceu o artesanato italiano, com peças feitas à mão. Em cena, tecidos nobres, como veludo e seda, e bordados com vidros, cristais de Murano e penas. A passarela foi montada em plena Piazza San Marco, um dos cartões postais da cidade. Foi como se por uns instantes a moda deixasse de lado os looks confortáveis adotados na pandemia (assista ao desfile). Não há como negar, foi um desfile ostentação com tudo o que se tem direito em pleno pôr do sol.

Entre as celebridades presentes estavam Helen Mirren, Jennifer Lopez, Heidi Klum e Monica Belucci. A cantora Jennifer Hudson, uma das estrelas do evento, abriu o desfile cantando “Nessum Forma”, de Puccini, a convite de Domenico Dolce e Stefano Gabbana. Marinheiros vestidos com roupas tradicionais navy remavam em dezenas de gôndolas para levar, primeiro os convidados, e depois as modelos. A plateia ficou posicionada em mesas, cada uma com apenas duas cadeiras, que ocupavam toda a praça. Após o desfile, um jantar para celebrar a apresentação.

Houve crítica. Muitos internautas acharam a apresentação descolada da realidade, com excesso de ostentação e escapismo num momento ainda crítico para o mundo. Do ponto de vista da moda, as roupas estavam impecáveis e a apresentação foi impactante, como se espera de um desfile. Mas ao assistir ao vídeo do desfile o que mais me impressionou foi a quantidade de profissionais envolvidos, gerando emprego e movimentando a economia na cidade.

Vamos às contas impacto deste desfile na indústria da moda. Foram 100 looks no total, sem troca de roupa – ou seja, foram contratadas 100 modelos, o que é bastante. Nas gôndolas, eram centenas de marinheiros remando e conduzindo todos até a Piazza San Marco. Nos bastidores, ainda temos centenas de profissionais que montaram o evento e que participaram da preparação do desfile, como cabeleireiros e maquiadoras (profissionais que sofreram muito economicamente na pandemia). Fora todos os profissionais, entre cozinheiros, chefs, garçons e maîtres, envolvidos no jantar servido após a apresentação. Além do mais, basta ver as roupas para imaginar as centenas de bordadeiras, costureiras e modelistas que trabalharam para produzir todos aqueles vestidos. Foi corajoso realizar o desfile, os estilistas certamente tinham consciência de que muitos aplaudiriam e outros tantos criticariam. É aquele velho ditado: falem mal, mas falem de mim. E nisso Domenico e Stefano acertaram em cheio.

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