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Histórias do futebol carioca Por Blog

Polêmicas de arbitragem ao longo da história do Carioca

Lance decisivo com polêmica da arbitragem não é novidade em Campeonato Carioca, mas o gol de Márcio Araújo que decidiu o título de 2014 provavelmente vai entrar para a história como o mais polêmico de todos os tempos, “honraria” que até hoje pertencia ao gol de Lula que deu o título Carioca de 1971 ao […]

Por Bruno Salles - Atualizado em 25 fev 2017, 18h42 - Publicado em 15 abr 2014, 12h12

Lance decisivo com polêmica da arbitragem não é novidade em Campeonato Carioca, mas o gol de Márcio Araújo que decidiu o título de 2014 provavelmente vai entrar para a história como o mais polêmico de todos os tempos, “honraria” que até hoje pertencia ao gol de Lula que deu o título Carioca de 1971 ao Fluminense, após uma falta de Marco Antônio no goleiro Wendell do Botafogo.

Tanto o assunto não é novidade que já foi tema de post aqui no Blog, “A regra é clara e o choro é livre”, publicado em 14/02/2012 (clique aqui e relembre), texto que reproduzimos, de forma ampliada, para relembrar lances polêmicos na história do Campeonato Carioca.

(texto originalmente publicado no post “A regra é clara e o choro é livre”, de 14/02/2012)
Flamengo 2×2 Fluminense, 1941: Esse chororô talvez nem tenha existido e seja fruto do folclore alimentado década após década por cronistas e torcedores. Nenhum historiador do futebol carioca jamais conseguiu encontrar registro na imprensa da época sobre a suposta estratégia para ganhar tempo usada pelos tricolores, que chutavam a bola do jogo em direção à Lagoa Rodrigo de Freitas, fazendo com que o jogo só recomeçasse depois que os remadores do clube da Gávea devolviam a bola. O Flu foi campeão, certamente mais graças ao bom time que tinha do que à cera, e os rubro-negros nem reclamaram da derrota. Mas quando o folclore é bom, fica com cara de verdade.

(texto originalmente publicado no post “A regra é clara e o choro é livre”, de 14/02/2012)
Flamengo x Vasco, 1944: O Carioca de 1944 valia o primeiro tricampeonato ao Flamengo. E a decisão na Gávea foi dramática, catimbada e até hoje a vitória rubro-negra é contestada. Dizem os cruzmaltinos que o atacante Valido se apoiou nas costas do zagueiro Argemiro para poder subir e fazer, de cabeça, o gol do título. Vale lembrar que Valido tinha abandonado o futebol no ano anterior, voltou ao time na reta final do campeonato e jogou a decisão ardendo em febre. Tudo isso junto o colocaram no panteão dos heróis rubro-negros. E, junto com o juiz, no cadafalso dos vilões vascaínos.

(texto originalmente publicado no post “A regra é clara e o choro é livre”, de 14/02/2012)
Fluminense 1×0 Botafogo, 1971: Talvez seja o gol mais discutido em decisão de campeonato Carioca. Faltava pouco para acabar, o Botafogo jogava pelo empate. O Fluminense joga a bola na área, o lateral Marco Antônio pula e divide com o goleiro Wendell. A bola sobra limpa para Lula empurrar para o gol. Fluminense campeão, Botafogo vice, mas a impressão é de que o goleiro sofreu falta.
Clique e veja Flu 1×0 Bota

Fluminense 2×1 Bangu, 1985: O Bangu jogava pelo empate para conquistar o título carioca e só a vitória interessava para assegurar o tricampeonato ao tricolor, campeão nos dois anos anteriores. A vantagem alvirrubra aumentou logo aos 4 minutos de jogo com gol de Marinho. O tricolor sofreu, mas chegou à virada, com gols de Romerito e Paulinho, aos 18 e 31 minutos do segundo tempo. Mas o lance que ficou para a história foi o último do jogo, quando Claudio Adão, que havia entrado no segundo tempo, recebeu um lançamento, foi agarrado pelo zagueiro Vica, ouviu o apito do juiz, pensou que era pênalti, mas era o apito de final do jogo. Os banguenses não se conformaram, tentaram agredir o juiz José Roberto Wright, enquanto os tricolores comemoravam seu tricampeonato.
Clique e veja Flu 2×1 Bangu

(texto originalmente publicado no post “A regra é clara e o choro é livre”, de 14/02/2012)
Flamengo 1×1 Botafogo, 1989: Pode-se dizer que é o típico caso de “coisas que só acontecem com o Botafogo”. Vale lembrar que naquele tempo nem se sonhava com placa informando a quantidade de minutos de acréscimo e dificilmente um jogo passava muito do tempo regulamentar. Fla e Bota fizeram o primeiro clássico do estadual de 1989 e empatavam em 1×1. Já além dos 45 minutos do segundo tempo Josimar jogou para área, o goleiro Zé Carlos tirou de soco e o juiz Luis Carlos Félix terminou o jogo, sem perceber que a bola caíra no pé de Paulinho Criciúma, que mandou a bola para rede. O alvinegro estava desde 1986 sem vencer um clássico e assim permaneceu até o jogo que valeu a quebra do jejum, quando venceu o mesmo Flamengo por 1×0.
Clique e veja o gol anulado de Paulinho Criciúma

(texto originalmente publicado no post “A regra é clara e o choro é livre”, de 14/02/2012)
Botafogo 1×0 Flamengo, 1989: Depois de 21 anos sem título, 3 anos sem vencer um clássico e um campeonato inteiro sem perder, Maurício, aos 12 minutos do segundo tempo, honrou a mística da camisa 7 e fez o gol que valeu ao Glorioso a quebra do jejum. Mas até hoje tem muito rubro-negro que jura, de pé junto, que o gol só saiu porque o atacante alvinegro empurrou o lateral Leonardo e teve liberdade para colocar a bola na rede. Mas cá entre nós, encostar no adversário e fazer falta são coisas distintas.
Clique e veja o gol de Maurício

(texto originalmente publicado no post “A regra é clara e o choro é livre”, de 14/02/2012)
Vasco 2×1 Volta Redonda, 1997: Por ser um jogo de meio de campeonato envolvendo um time pequeno, acabou saindo da memória de quase todo mundo. Mas quando nem a torcida do time vencedor fica satisfeita (e a do Vasco gritou “marmelada” após o jogo), é porque a coisa foi séria. Cartões vermelhos com muito rigor e um jogo que não acabava nunca, até os onze do Vasco conseguirem empatar e virar o jogo contra os nove do Volta Redonda foi um episódio triste da arbitragem. Quinze anos depois, se você não torce para o Volta Redonda, dá para rir do bigode do juiz, prova inconteste da origem portuguesa e do coração cruzmaltino.
Clique e veja Vasco 2×1 Volta Redonda

Fluminense 0×0 Bangu, 2002: O Carioca de 2002 foi o mais esvaziado da história (acredite, já houve um mais esvaziado que o de 2014), por ter sido disputado paralelamente à versão ampliada do Rio-SP (novidade daquela temporada que não chegou a ter uma segunda edição, diga-se). O regulamento era tão confuso que o tima campeão da Taça Guanabara e da Taça Rio, o Americano, não foi campeão, haveria uma fase final de todo modo. E Fluminense e Bangu se encontraram nas semifinais, com vantagem de empate, no tempo normal e na prorrogação, para o tricolor, que segurava o 0×0 até o finalzinho do jogo, quando numa cobrança de escanteio o goleiro do Bangu Eduardo foi até a área e fez o gol que seria da classificação para a final, não fosse anulado pelo juiz sem que ninguém consiga entender o motivo. O Carioca de 2002 foi tão obscuro que o Blog não conseguiu achar imagens do gol anulado do goleiro Eduardo.

Fluminense 3×1 Volta Redonda, 2005: No primeiro jogo da decisão, vitória do interior por 4×3. No segundo e decisivo jogo um gol de Fábio logo aos 9 minutos de jogo ampliou a vantagem do Voltaço. O empatou nos acréscimos do primeiro tempo, gol de Tuta, que fez falta no goleiro Lugão. Logo no começo do segundo tempo Tuta foi expulso por dar uma cotovelada no adversário. Logo depois Mario Cesar foi expulso sem que ninguém entendesse o motivo. Com dez contra dez e em igualdade no placar o Flu partiu para cima, virou o jogo, resultado que levaria a disputa do título para os pênaltis, e fez o gol do título nos acréscimos.
Clique e veja Flu 3×1 Volta Redonda

Botafogo 3×1 América, 2006: Aquela decisão da Taça Guanabara representava para o time rubro a volta a um jogo importante depois de 20 anos de ostracismo. O que estava bom ficou melhor com o gol de Robert aos 15 minutos e só não ficou perfeito porque logo depois o juiz Willian de Souza Néri não marcou um pênalti claríssimo do goleiro Max no atacante Chris. O América seguiu dominando o jogo até o fim do primeiro tempo, mas não conseguiu ampliar o placar. No segundo tempo, mais calmo e organizado, o Botafogo fez pesar a camisa, virou o jogo e garantiu a Taça Guanabara. O América até disputou as semifinais da Taça Rio daquele ano, quando perdeu para o Americano, mas nunca mais voltou a disputar jogos decisivos.
Clique e veja Botafogo 3×1 América

(texto originalmente publicado no post “A regra é clara e o choro é livre”, de 14/02/2012)
Flamengo 2×1 Botafogo, 2008: O jogo que consagrou o termo chororô. Os jogadores do Botafogo não se conformaram com o pênalti marcado no começo do segundo tempo que deu origem à virada do Flamengo, naquela decisão da Taça Guanabara. Apesar de o zagueiro alvinegro ter praticamente desnudado o capitão rubro-negro Fábio Luciano, todos os jogadores do Botafogo tiveram certeza de que se tratava de um complô, Túlio chegou a pedir substituição alegando falta de condições psicológicas e depois de perder o título jogadores, o técnico Cuca e o presidente Bebeto de Freitas deram a célebre entrevista do chororô.
Clique e veja Fla 2×1 Bota

impedimento

Flamengo 1×1 Vasco, 2014: Vejam a nota da Comissão de Arbitragem do Rio de Janeiro, com o perdão do estilo: “Em relação ao gol do CR Flamengo, a Comissão de Arbitragem, vendo e revendo o lance através do replay, uma vez mais se depara com os limites da capacidade de percepção do ser humano em determinados, difíceis e duvidosos lances, cuja demonstração, à luz da tecnologia, são insuficientes para decisões induvidosas e geradores de equívocos irreparáveis que poderiam ser evitados se para a modalidade futebol fossem desenvolvidos, permitidos e implantados métodos de diagnóstico mais precisos e capazes de auxiliar os árbitros em suas decisões. No caso em questão somente após a revisão do lance por vários ângulos com o auxilio de diversas câmeras permitiu distinguir a autoria do gol, equivocadamente atribuída ao atleta Nixon (em posição regular). Face ao exposto a Comissão não tem como discordar que, apesar do grau de dificuldade do lance, o real autor do gol estava em posição irregular, elucidada com os recursos da tecnologia.
Rio de Janeiro, 14 de abril de 2014″

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