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Histórias do futebol carioca Por Blog

40 anos da morte de Almir Pernambuquinho

Há 40 anos atrás, morreu, assassinado, no bar Rio-Jerez, em Copacabana, no dia 6 de fevereiro de 1973, Almir Morais de Albuquerque, o Almir Pernambuquinho, um dos mais controversos jogadores do futebol brasileiro em todos os tempos, com algumas passagens marcantes pelo futebol carioca. Almir nasceu em Recife em 28/10/1937, começou a carreira no Sport […]

Por Bruno Salles - Atualizado em 25 fev 2017, 19h15 - Publicado em 6 fev 2013, 01h31

Há 40 anos atrás, morreu, assassinado, no bar Rio-Jerez, em Copacabana, no dia 6 de fevereiro de 1973, Almir Morais de Albuquerque, o Almir Pernambuquinho, um dos mais controversos jogadores do futebol brasileiro em todos os tempos, com algumas passagens marcantes pelo futebol carioca.

Almir nasceu em Recife em 28/10/1937, começou a carreira no Sport Recife, jogou no Vasco de 1957 a 1960, passou por Corinthians, Boca Juniors, Fiorentina, Genoa, Santos (onde foi campeão do mundo em decisão no Maracanã), jogou no Flamengo de 1965 a 1967 e no América, onde encerrou sua carreira, de 1967 a 1968.

Vasco:

Almir chegou no Rio repetindo o caminho feito por Ademir Menezes e Vavá (mais tarde repetido por Juninho Pernambucano), do Sport para o Vasco, onde se firmou como craque. Foi um dos destaques do time de 1958, campeão do Rio-SP goleando a Portuguesa por 5 a 1 no Pacaembu, e do Carioca, na célebre decisão conhecida como super-super-campeonato.

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O Vasco de Almir desbancou o Botafogo de Garrincha na temporada de 1958.

Mundial no Maracanã:

Almir não jogou a 1ª partida da decisão, quando o Santos perdeu para o Milan por 4×2 na Itália. Além de perder o jogo o Santos perdeu Pelé. Almir substituiu o Rei no jogo da volta no Maracanã, vencido pelo alvinegro praiano pelo mesmo placar de 4×2. O jogo desempate também foi no mesmo estádio, Pelé ainda fora e seu substituto Almir sofreu o pênalti cobrado por Dalmo, que marcou o gol do título. Anos depois, em depoimento ao livro “Eu e o Futebol”, Almir admitiu ter jogado dopado e declarou que o juiz argentino Juan Brozzi se vendeu ao Santos. Aliás, Almir admitiu ter jogado dopado por inúmeras vezes ao longo de toda a sua carreia.

Graças a raça e a bola de Almir o Santos foi campeão do mundo mesmo desfalcado do Rei.

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Flamengo:

Dois jogos contra o Bangu em 1966 marcaram a passagem de Almir pelo Flamengo. Na decisão do turno o rubro-negro venceu por 2×1, mas o que entrou para a história foi o gol de Almir com a cara na lama, cuja foto, em tempos pré-internet, rodou o mundo, sendo por exemplo, página dupla da France Football. Na decisão do campeonato, o, na metade do segundo tempo, Bangu vencia por 3×0 e Almir, já desconfiado que o juiz Aírton Vieira de Moraes e o goleiro rubro-negro Valdomiro estavam vendidos, criou confusão, foi expulso e, a caminho do vestiário, teve a ideia de voltar e melar a final e impedir a volta olímpica do rival, o que conseguiu.

Clique e veja o clipe do Canal 100 sobre a decisão de 1966, que terminou na maior briga entre jogadores da história do Maracanã.

Arrastar a cara na lama não era obstáculo para Almir fazer gol.

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América:

A passagem de Almir pelo América foi discreta. Jogou junto com Antunes e Edu, irmãos de Zico, mas o que mais chama a atenção foi sua aparência, gordo, careca e muito envelhecido, principalmente se levarmos em conta que tinha apenas 30 anos quando chegou e 31 ao se aposentar.

Almir, um velho aos 30 anos, desgastado pela bebida e pelas diversas substâncias dopantes que consumiu durante anos.

Assassinato:

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Na noite de 6 de fevereiro de 1973 Almir, uma namorada e um casal de amigos bebiam no Bar Jerez, na Galeria Alaska, em Copacabana. Em outra mesa do bar bebiam alguns dançarinos que faziam parte do grupo Dzi Croquetes, ainda maquiados, pois tinham acabado de se apresentar. Três portugueses, que também estavam no Jerez, passaram a ofender os dançarinos, chamando-os de veados e paneleiros. Almir não gostou, se meteu, o bate-boca virou briga, a briga virou tiroteio, Almir e seu amigo perderam a vida e os portugueses acabaram fugindo. O escritor Mario Prata, que testemunhou o ocorrido, diz que “esta história tem um lado bonito: um machão como ele morrer defendendo um grupo gay”.

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