Como e por que me tornei uma “eco-chata”

A grande virada de chave aconteceu há 6 meses, com o nascimento da minha filha Marieta

Quando o Projeto Gaveta foi criado em 2013, eu já defendia o uso da roupa usada sem preconceito, mas ainda assim era uma consumista inconsciente. Pra aqueles que não o conhecem, o Gaveta, projeto que eu e Raquel demos vida, propõe que os inscritos “libertem” roupas que não usam mais e troquem por outras peças que conversem mais com seu armário. Isso tudo acontece em um evento fechado, com palestras e exposições, e nos seus cinco anos de existência já intermediou a troca de mais de 35.000 peças de roupas.

À medida em que os anos se passavam e o Gaveta ganhava novos adeptos, começava toda essa discussão sobre uma moda mais ética e sustentável. E que bom! Aos poucos, fui mergulhando nesse universo, o que refletiu profundamente na minha maneira de consumir roupas. Com isso, consegui entender o meu estilo e passei a comprar menos e melhor, mas essa atitude sustentável, no entanto, ainda se resumia apenas ao meu guarda-roupa.

A grande virada de chave aconteceu a outro dia, mais especificamente há 6 meses, com o nascimento da minha filha Marieta. Me dei conta de que, se continuarmos consumindo plástico na velocidade atual, quando ela estiver com 32 anos, por exemplo, teremos mais plástico do que peixes nos oceanos. Ou seja, acabou aquele papo de “futuras gerações”. A geração afetada já nasceu. Então comecei a minha saga para tentar melhorar a vida dos oceanos e da minha Marieta. A começar, porque não, pela luta diária na erradicação dos plásticos.

E foi assim que me tornei, com imenso prazer, uma “eco-chata”. O studio onde pratico yoga oferece apenas a opção do copinho plástico. Certo dia questionei esse uso e sugeri substituí-los por canecas, copos reutilizáveis, bebedouro. Não combinaria mais com um local que habita uma prática de melhorar corpos e almas? Nada mudou, ainda. Mas de tanto falar consegui mudar a atitude das poucas pessoas que estavam lá. Desde então já fico satisfeita quando elas me mostram, com orgulho, seus copinhos reutilizáveis. Confesso que outra atitude que me deixa feliz é quando minhas amigas me contam com receio (quando não escondem) que compraram em lojas de departamento de índoles questionáveis.  O ideal seria que elas deixassem de comprar, mas essa vergonha já pode ser um indício de que a mudança está por vir.

Também, ainda não consegui que os supermercados do meu bairro abandonassem as bolsas plásticas, mas sei que é um bom começo quando o funcionário do caixa concorda comigo que distribuir aquela quantidade de plástico é um absurdo. “Tem gente que me pede pra reforçar com TRÊS sacolas!”, reclamou um empacotador.

Claro que a mudança no sistema é muito mais eficaz quando acontece de cima pra baixo, isto é, quando os supermercados cobram por sacolinhas, empresas tiram a opção dos copos plásticos e cidades criam leis que proíbem o canudo. Mas, enquanto isso não acontece, cabe à gente explicar e ensinar com carinho. Ganhei esse espaço de fala, que aqui vos escrevo, pra disseminar mais sobre esse assunto e conto com vocês pra dividir essa missão e passá-la adiante, influenciando toda a rede. A sustentabilidade é um trabalho de formiguinha. Se mudarmos a ação de algumas pessoas, já conseguimos fazer uma diferença significativa no mundo. E você, o que fez para tornar o mundo mais sustentável hoje?

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