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Faro na web As NOVAS vozes da cena musical brasileira contemporânea

Música conecta

Luca Argel é daqueles que ajudam a imortalizar os versos de Vinícius de Moraes: um bom samba é uma forma de oração.

Por Fabiane Pereira Atualizado em 13 dez 2017, 09h42 - Publicado em 13 dez 2017, 09h00

A arte existe porque a vida não basta. Este verso do poeta brasileiro Ferreira Gullart, morto ano passado, norteia minhas escolhas profissionais e pessoais. Não sou artista mas trabalho com música e, no último ano, me dividindo entre Rio e Lisboa – graças a um mestrado -, tenho descoberto novos nomes que talvez eu demorasse para conhecê-los se cá não estivesse com tanta frequência.

Estamos em dezembro e as listas dos melhores discos do ano aparecem inúmeras vezes na nossa timeline. Embora eu não goste de “julgar” arte nem seja favorável a premiações, sei que este é o mês das listas e elas existirão independente da minha vontade (aliás, como a maior parte das coisas que não gosto!), e àqueles que tiverem seus nomes apontados nelas ganharão visibilidade midiática e, consequentemente, aumentarão suas visualizações, seu público e, possivelmente, o número de shows.

É sabido por todos que a música brasileira é referência de excelência em todo o mundo. Mas o que muitos não sabem é que existe uma ‘Nova Cena Musical Contemporânea’ composta por uma safra variada de bons músicos que mistura ritmos e influências diversas como poucas gerações já fizeram.  Se eu gostasse de listas, faria uma com os trinta (para ter um número redondo) representantes desta geração que conheci somente este ano.

Mas para não cair em contradição, minha lista é de um nome só justamente pra nem ser lista. Em 2017, o artista que mais despertou minha atenção (pra usar um eufemismo porque “na real” eu fiquei “chapada” quando o vi num palco lisboeta pela primeira vez – agradecimento especial ao também músico Mariano Marovatto que nos conectou) é carioca mas reside no Porto (Portugal) e atende pelo nome de Luca Argel.

Luca é daqueles que ajudam a imortalizar os versos de Vinícius de Moraes: um bom samba é uma forma de oração. Formado em música pela UNIRIO, mestre em Literatura pela Universidade do Porto, vocalista do grupo “Samba Sem Fronteiras” e integrante da ótima orquestra Bamba Social, o cantor e compositor tem ainda quatro livros de poesia publicados no Brasil e dois publicados em Portugal. Pensa que acabou? Não. No ano passado, Luca lançou seu primeiro disco solo, “tipos que tendem para o silêncio“, e no início de 2017, o segundo batizado de “Bandeira“.

 

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Para sorte dos que residem no Rio, Luca está entre nós. E durante sua estadia fará dois shows em terras cariocas: o primeiro acontece no sábado (16), no FRONT e o segundo vai rolar dia 23, no Quintal Aberto. Os moradores de Sampa também poderão assistir ao show do Luca amanhã, 14 de dezembro, no Teatro da Rotina.

Luca e sua música têm a capacidade de nos transcender. Quando saírem do show, reparem no tempo que levarão para voltarem à realidade. Espero que, assim como eu, tenham uma experiência sensorial estendida.

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Música na Laura com FARO: na terça, 19, o projeto de verão do FARO vai promover o show do músico pernambucano Ayrton Montarroyos, dono de uma das mais belas vozes da nova geração, que ganhou projeção nacional há dois anos ao participar do programa The Voice Brasil (TV Globo), (con)sagrando-se vice-campeão na temporada de 2015. O show acontece às 20h, na Casa de Cultura Laura Alvim e os ingressos custam R$ 20 (estudantes pagam meia).

 

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