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Fabio Szwarcwald Por Fabio Szwarcwald, colecionador de arte e diretor-geral do MAM Rio

Um Museu para Todes

Apesar das adversidades que atingem o setor cultural, o Museu de Arte Moderna do Rio avança a passos largos para tornar-se mais inclusivo, plural e dinâmico

Por Fabio Szwarcwald - Atualizado em 24 ago 2020, 13h46 - Publicado em 24 ago 2020, 12h32

Na semana passada (no dia 18 de agosto), o MAM Rio anunciou publicamente o resultado da chamada internacional sul-americana, lançada em maio desse ano. Por meio de um processo aberto e transparente – único na trajetória dos museus brasileiros – a dupla de curadores Keyna Eleison e Pablo Lafuente foi selecionada para assumir o novo cargo de Direção Artística. A criação desse modelo inovador marca historicamente a escrita afirmativa da instituição e fortalece a integração de todas as áreas que compõem o museu.

A pandemia do novo coronavírus chegou ao Brasil em meio a um cenário de cortes, sobretudo no setor cultural, mas, apesar de todas as adversidades, o MAM Rio segue avançando a passos largos para tornar-se mais dinâmico e inclusivo.

Em março, firmamos parceria com o Capacete, a residência artística internacional mais antiga do Brasil, que hoje tem suas atividades, agenda e processos de pesquisa integrados ao museu, sob a coordenação de Helmut Batista e Camilla Rocha Campos.

No mesmo mês, bem no princípio da quarentena, a equipe de educação criou uma série de oficinas caseiras para crianças e famílias, com a intenção de estimular a sensibilidade artística do público infantil em meio ao difícil contexto do isolamento social, com materiais disponíveis em casa.

Em abril, lançamos a ação solidária do Clube de Colecionadores, com 50% da renda revertida para o Galpão Bela Maré e para a Lanchonete-Lanchonete, duas importantes iniciativas de arte e cultura do Rio, que atuam em ações sociais junto a artistas e comunidades.

Entre 8 e 17 de maio, logo após o lançamento da chamada aberta para a Direção Artística, realizamos uma pesquisa digital que ouviu 793 pessoas para avaliar os serviços prestados pelo MAM Rio e mapear os pontos que devem ser priorizados pela instituição.

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Encerrando o primeiro semestre, em junho, lançamos a convocatória MAM | Capacete para 12 residências (já em curso) e seis bolsas de pesquisa, gerando renda para artistas e pesquisadores do estado, e apoiando os processos que sustentam a teoria-prática da arte.

Em comemoração aos 65 anos da Cinemateca do MAM, no dia 7 de julho inauguramos um canal on-line (www.vimeo.com/mamrio), passo importante para ampliar as ações de difusão do audiovisual brasileiro. Nesta plataforma, o público tem acesso a mostras e festivais gratuitos como o DOBRA, Festival Internacional de Cinema Experimental, que será aberto no dia 8 de setembro.

Em paralelo, segue em obras o novo Centro de Conservação da Cinemateca, na Rua do Senado, que abrigará todo o acervo documental com mais de 2,5 milhões de itens.

Ainda no mês passado, com o intuito de gerar proximidade entre público e museu, produzimos visitas virtuais comentadas pelos curadores Fernando Cocchiarale e Fernanda Lopes a duas exposições que permanecem montadas e serão reabertas no dia 12 de setembro: Poça/Possa, de Ana Paula Oliveira, e Wanda Pimentel.

Já são muitas as recentes conquistas do MAM Rio, que segue gerando pauta positiva e reafirmando a sua construção como um museu mais solidário, mais conectado à sociedade e atento a seu tempo.

Reafirmo que a pandemia de Covid-19 reforçou o papel fundamental da cultura. Com pensamento estratégico e muito afeto, será possível criarmos alternativas viáveis para a retomada dos equipamentos culturais no pós-pandemia. E para falar dessas possíveis articulações, que ativam a inteligência coletiva em favor do setor artístico, convido Keyna Eleison e Pablo Lafuente a assinarem o próximo texto desta coluna, abrindo aqui a interlocução com outras vozes a fim de tornar este espaço mais democrático e diverso, como deve ser. Bem-vindos!

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