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Fábio Barbirato Psiquiatra infantil

Futebol é coisa de menina

O esporte pode servir para desconstruir alguns esterótipos sexistas

Por Fabio Barbirato - 5 jul 2018, 16h46

Em tempos de Copa, vemos muitas meninas empolgadas com a competição, usando camisetas dos seus ídolos e comentando os lances como gente grande. No país que conta com os melhores jogadores do mundo, de Neymar a Marta, não poderia ser diferente.

É isso mesmo que você leu lá em cima no título: futebol pode sim ser “coisa de menina”, como alguns ainda insistem em dizer. Se uma garota craque de bola ou entendida de tiro de meta e escanteio ainda é algo estranho para você, é bom ir se acostumando: futebol pode ser um assunto feminino, tanto quanto bonecas.

Aliás, futebol, boneca, carrinho, casinha e todos os outros clichês sexistas presentes na educação de gerações e gerações estão, finalmente, sendo revistos. Já não era sem tempo. E a razão é simples: identidade de gênero nada tem a ver com brinquedos. Não é boneca ou bola que determinam a sexualidade de ninguém. Nenhuma criança tem a identidade de gênero alterada ou influenciada porque ganhou carrinho ou panelinhas de brinquedo. Se não for do seu interesse, a criança simplesmente irá ignorar o presente, seja ele qual for.

Aos olhos de um menino, uma boneca pode ser apenas uma boneca. Seja Barbie, seja Comandos em Ação. A indústria já está atenta a esta mudança de comportamento e tem investido fortemente no que chamou de “brinquedos sem gênero”. Desde que os realities shows de gastronomia tomaram conta da TV brasileira, uma fabricante viu o interesse de meninos crescer enormemente por itens de cozinha – até então pensado apenas para as meninas.

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Posso assegurar: as crianças só querem brincar. Os adultos é que já tem uma construção de referências – e preconceitos – acerca de cada objeto. Então deixem as crianças brincarem. Permita que seu filho se expresse por meio do que lhe dá prazer.

Assim, você estará ajudando a construir uma criança assertiva, segura e feliz.

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