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Daniela Alvarenga Por Daniela Alvarenga, médica e dermatologista

A rotina de beleza de Ana Furtado

Aos 46 anos, apresentadora mantém cuidados com disciplina desde os 12 anos. O resultado é essa pele!

Por Daniela Alvarenga - Atualizado em 29 jul 2020, 13h40 - Publicado em 8 jul 2020, 15h08

A primeira vez que a apresentadora Ana Furtado foi a um dermatologista foi aos 12 anos. Ela era uma menina, ainda não tinha entrado na puberdade, mas viu sua pele, colo e costas ficarem repletas de acne muito rapidamente. Sua mãe, atenta, logo procurou ajuda médica. Percebendo os bons resultados do tratamento, foi com esta idade que ela, ainda muito garota, percebeu a importância de se comprometer com os cuidados diários da pele. Hoje, aos 46 anos, ela é o retrato de que com muita disciplina e dedicação ao longo de toda uma vida é possível manter a saúde, a qualidade e a “juventude” da pele.

Escrevo juventude entre aspas porque considero estes termos, como rejuvenescimento, envelhecimento e antiaging, inadequados para a abordagem em relação às mulheres hoje, que ressignificaram faz tempo a questão da idade, especialmente as de 40, 50 e 60 adiante. E a Ana é uma delas. Seu compromisso consigo mesma não apenas no assunto beleza é inspirador. “Entendi desde cedo que era preciso ter um esforço inteligente, e trouxe isso para vida”, conta. 

Eu e Ana nos conhecemos há quase 20 anos, como médica e paciente, no início da minha carreira solo, em uma salinha de 30 metros quadrados e acabamos nos tornando amigas.  Lembro que quando ela entrou me veio um frio na barriga e a pergunta na cabeça: “Ai, meu Deus, será que estou pronta?”. Só tive essa mesma sensação mais três vezes ao longo destas duas décadas: com Boni, Ana Maria Braga e Roberto Medina, pessoas que admiro muito e digo que são “entidades”. 

Ana Furtado, essa força da natureza, é uma das mulheres mais disciplinadas que já conheci e retrato fiel do meu conceito natural de beleza. Eu a convidei para falar um pouquinho da sua rotina de cuidados. 

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A acne foi um alerta para você cuidar da pele? Essa batalha com a minha pele, que começou aos 12 anos, me deu muitas lições. Fui bem racional e logo percebi a importância da disciplina. Eu tomei Roacutan  e cheguei a ser cobaia do laboratório, tomando medicamentos que nem existiam no Brasil aos 15 anos. 

Como você mantém a pele tão bonita? Eu cuido mesmo, cumpro toda a rotina. Mas também credito a qualidade da minha pele à genética, a minha avó tinha uma pele linda, e minha mãe também tem. Mas, além disso, eu comecei a cuidar com 12 anos, com 15 eu parei de tomar sol e comecei a usar protetor solar e aos 29 você sugeriu que começássemos a fazer uma dermatologia preventiva. Minha pele estar assim aos 46 é resultado de um longo prazo de cuidados. 

Foi uma decisão muito madura para a idade e certamente passou pela aceitação e entendimento do que poderia ser feito na medida do possível, certo? Cedo eu aceitei a pele que eu tinha, com tendência a acne e muito clara, que não bronzeava, e cuidei. Digamos que se cuidar é uma grande colcha de retalhos e não existe o ideal e a perfeição. Mas estar feliz com você mesma é possível desde que você busque sua melhor versão, e isso é libertador. Isso tira um peso enorme das costas. Esta sou eu, e eu sou bonita do meu jeito.

Você manteve os cuidados na quarentena? No início eu estava cuidando super bem, mas aí tinha que limpar a casa, passar aspirador na casa inteira, chegava à noite e eu estava esgotada. Só queria deitar na cama e dormir. Confesso que esse pequeno desvio de não cuidar da pele durou três semanas até que percebi que era uma estupidez fazer isso, já que eu vinha me cuidando a vida toda. Meu melasma – tenho uma mancha embaixo dos olhos – que estava controlado, escureceu e logo apareceram umas linhas finas, por falta de hidratação.  Por outro lado, descobri vários talentos, cortei e pintei meu próprio cabelo. E virei craque nas unhas!

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Qual sua rotina para a pele hoje? Tirando esse pequeno desvio da quarentena (risos), eu cuido da pele assim que saio da cama. Já saio do meu quarto com a rotina da manhã feita e com protetor solar. Lavo o rosto, passo um spray tônico iluminador com vitamina C,  aplico um creme na região dos olhos, intercalo o sérum firmador e o sérum de lifting, corretor de cor com vitamina C e finalizo com protetor solar clareador antibrilho e uma base com proteção solar. À noite, eu lavo o rosto novamente, passo um spray de beauté e alterno três rotinas de cuidados, uma priorizando o tratamento do melasma e as outras para textura e qualidade da pele. Parece muito, mas sou organizada, tenho tudo em bandejinhas, o que facilita lembrar do passo a passo. Como você, que é minha dermato, acredita nos estímulos frequentes, a gente muda essa receita de quatro em quatro meses para a pele não acostumar. E, além disso, vou mais ou menos uma vez por mês à clínica para fazer diferentes procedimentos com alta tecnologia para clareamento, estímulos de colágeno, prevenção à flacidez, depilação a laser e terapia capilar dermatológica. Sou muito fiel ao ultrassom microfocado, mas eu não me ligo muito nos nomes dos aparelhos e no que tenho que fazer, eu confio minha pele a você. E além disso tomo suplementação oral com filtro solar e probióticos.

Alimentação, exercícios e até a saúde mental também interferem na pele. Como é sua rotina para manter o corpo e a mente em dia? Na quarentena eu comecei a fazer ioga e meditação duas vezes por semana. E está me fazendo muito bem. É muito importante ter esse equilíbrio emocional e espiritual. O esporte também é fundamental e faz parte da minha vida há muitos anos. Suar, botar as toxinas para fora, produzir endorfinas. Eu pratico três vezes por semana treinos de uma hora de força e funcional com a minha personal. Em relação à alimentação, eu procuro ser saudável fazendo boas escolhas sempre.

O que a Ana de 15 anos falaria para a Ana de 46? Take it easy. Tire o pé do acelerador. Vai dar tudo certo, só pega mais leve com você mesma. Eu sempre fui muito crítica do meu trabalho e de tudo o que me propus a fazer. Sempre busquei a perfeição apesar de eu achar que encarava a vida com leveza. Mas não, eu me enganava. Tinha um discurso e tinha a consciência de ter a leveza e de me cobrar menos, mas, embora eu soubesse disso, não conseguia. Eu me tornei uma pessoa extremamente ansiosa e isso me fez mal durante muitos anos. Então é isso que a menina de 15 diria para a de 46:  “Você vai chegar no mesmo lugar, mas pode ir mais devagar e apreciar a vista. E isso que venho tentando fazer”. Independente de tudo o que eu passei, eu já estava num processo de restart, de reconexão nos últimos anos. A idade traz isso, um momento de reavaliação. E a meditação tem sido maravilhosa, porque está me deixando no eixo, no foco, no agora. 

Em relação à beleza, você já fez algo de que se arrepende? Eu sempre amei meu peito. E depois da gravidez, ele diminuiu um pouco o volume. Então, procurei um cirurgião para botar silicone. Ele me expulsou, falou que eu não precisava. Daí eu fui em outro, que também se recusou a mexer. Graças a Deus eles fizeram isso porque eu certamente teria me arrependido. Tem gente que acha que eu tenho silicone, mas não tenho. Nunca me aceitei tanto quando eu me aceito hoje. Antes eu buscava uma perfeição que não existe, e isso sempre foi uma luta inglória. Hoje me olho no espelho e acho meu peito lindo. Sou uma mulher de 46 anos em menopausa, e acho um privilégio, porque se estou em menopausa é porque vivi para vivê-la. Estou no bônus. 

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Como você está lidando com a menopausa? Eu acho que eu estou maravilhosa. Tem os calores e todo o resto, mas é o que eu tenho. Com disse, estou no bônus. E vou tentando administrar todos esses percalços que a menopausa está me trazendo cuidando de mim em vários aspectos. Ser feliz na vida e comigo mesma é algo que eu busco diariamente. Sou única, uma edição limitada e sem limites para ser feliz!

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