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Daniela Alvarenga Por Daniela Alvarenga, médica e dermatologista

As novidades do preenchimento facial

Nova técnica revoluciona ao utilizar, além do ácido hialurônico, bioestimulador de colágeno no mesmo produto 

Por Daniela Alvarenga - Atualizado em 11 set 2020, 10h06 - Publicado em 11 set 2020, 09h49

Lábios exageradamente preenchidos e maçãs do rosto saltadas de um dia para o outro podem fazer parte de um passado – do qual, ainda bem, eu nunca fiz parte – quando se fala de tratamento de beleza de ponta. Um dos procedimentos dermatológicos mais criticados pelo uso excessivo em atrizes e cantoras nos últimos 15 anos, o preenchimento é também o que mais vem evoluindo. Médicos do mundo inteiro vêm se dedicando a pesquisar a melhor maneira de preencher sulcos e perda de volume facial sem que isso descaracterize o paciente. E foi um dermatologista carioca, André Braz, quem desenvolveu em parceria com a U.Sk Aesthetics e lançou este ano uma das técnicas mais modernas de preenchimento, a AB Face (Anatomy Beauty Face). Estrutura óssea, músculos, ligamentos, compartimentos de gordura, tudo isso é levado em consideração. 

Como médica, eu mesma sempre fui muito cautelosa em relação ao preenchimento porque houve, de fato, um exagero em todo o mundo e, como consequência, resultados questionáveis. Uma das primeiras técnicas que se tornaram mais populares – e onde houve mais exagero, mais complicações e uma invasão por profissionais não médicos – foram as chamadas harmonizações faciais. Posteriormente chegamos aos MD Codes, que são os códigos médicos de preenchimento, onde se utilizam muitos pontos de aplicação e muito produto, o que acaba encarecendo o procedimento. O que há de mais revolucionário nesta nova técnica, a AB Face, é o produto utilizado, que preenche, estrutura e também estimula a produção de colágeno ao mesmo tempo. 

Enquanto os procedimento comuns utilizam um gel com ácido hialurônico, que dá volume e sustentação, o produto aplicado na AB Face, o U.Sk UnderSkin HArmonyCa, reúne esse mesmo gel e um bioestimulador de colágeno à base de hidroxiapatita de cálcio, o que interfere diretamente na qualidade da pele, melhorando a firmeza com uma ação natural e estendendo a duração do efeito. Se um preenchimento normal precisa ser refeito a cada seis meses – mesmo prazo da toxina botulínica -, este recomenda manutenção anual. 

Outra característica bastante inovadora desta técnica é que ela muda de acordo com o formato do rosto do paciente, tanto em relação à quantidade quanto aos pontos de aplicação. Foram pesquisadas diferentes estruturas faciais da população brasileira, levando em conta a miscigenação, para oferecer um resultado natural e individual. A partir daí, foi definida uma base composta por quatro formatos de rosto para mulher (coração, angulado, oval e redondo) e dois para homens (angulado e oval). Com diferentes aspectos que determinam o envelhecimento e os cuidados preventivos, eles compõem um guia dos pontos que devem ser trabalhados para que se obtenha resultados individualizados.

O objetivo é melhorar a estrutura sem seguir um padrão de beleza – padrão este, que, na minha opinião, não existe –, evitando assim que todos fiquem com a mesma cara. Para aplicar a técnica,  é preciso um estudo aprofundado da anatomia e um treinamento rigoroso, o que minimiza bastante os riscos de complicações e resultados inesperados. Minimizar não quer dizer que não possam haver. Em todo procedimento existe um risco de complicação, e o paciente sempre precisa saber disso. Mas a melhor notícia é que como essa técnica e esse produto são exclusivos para classe médica, em caso de complicações, esse é o profissional capacitado para revertê-las.  

Chegamos então ao ponto crucial, e que sempre fez do preenchimento um procedimento polêmico. Preencher exige não apenas um enorme domínio da técnica, mas também uma profunda capacidade do médico de trabalhar cada paciente de maneira individual. Cada pessoa tem suas próprias características, o que faz dela, única. E cada médico aplica a técnica a seu conceito de beleza. Na abordagem que acredito, ou seja, manter a beleza com naturalidade, isto significa que o objetivo não é uma pele inteiramente sem marcas, rugas e perda de volume – mas, sim, um rosto com aspecto descansado, com vitalidade e em harmonia com suas características únicas.

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Em alguns casos pode-se recomendar o preenchimento mais tardiamente e em outros, como em formatos de rosto que envelhecem mais precocemente em determinados pontos, pode-se recomendar fazer mais cedo, como prevenção de perda de volume e sulcos muito profundos. Hoje, ao avaliar uma paciente jovem, pelo formato do rosto, já temos uma boa base de como será seu processo de envelhecimento. E, também com os preenchimentos, podemos atuar na linha de que mais gosto, a prevenção.  

Neste sentido, a técnica AB Face tem duas fases que podem ser aplicadas em conjunto ou não. Uma é a AB Face Structure, que atua na estrutura, contorno e formato, com aplicação e reposição de volume onde é necessário. A outra é a AB Face Refinement, que pode ser usada como finalização ou aplicada pontualmente e é voltada apenas para os detalhes, como reposição de volume das olheiras, dos lábios e do bigode chinês. As duas podem ser feitas numa mesma sessão.

Por ser uma novidade no segmento de beleza, a técnica só pode ser aplicada por médicos qualificados pelo treinamento e, portanto, ainda não é encontrada tão facilmente. Enfim, uma técnica avançada com a qual me identifiquei, onde no resultado final, o efeito lifting se sobrepõe ao efeito volumizador. 

 

 

 

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