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Daniela Alvarenga Por Daniela Alvarenga, médica, membro da Sociedade Brasileira de Dermatologia

Os 5 passos para evitar Maskne

Muitas pessoas notaram o surgimento ou a piora da acne com o uso prolongado de máscaras na pandemia

Por Daniela Alvarenga 27 ago 2020, 10h43

Quem já sofria com acne antes da pandemia, agora está sofrendo ainda mais. O uso frequente de máscara, obrigatório no Rio de Janeiro e recomendado pela Organização Mundial de Saúde, pode causar uma piora tal na pele que as espinhas causadas em decorrência do acessório já ganharam até nome: Maskne. Você pode até não ter ouvido falar no termo ainda, mas, se tem a pele mais oleosa, com tendência a acne ou acne rosácea, muito provavelmente já sentiu seus efeitos.

O que a máscara tem a  ver com  a acne e com cravos? Tudo. Ao servir como uma barreira mecânica da região, tornando-a mais quente e úmida, propicia um ambiente favorável à proliferação de bactérias e contribui para o aumento da oleosidade, uma vez que respiramos o próprio ar, abafando e umedecendo o rosto. Além disso, a transpiração também aumenta com o acessório e, muitas vezes,  ainda há o acúmulo de saliva ao redor da boca. Fora isso, a máscara deve ser posicionada exatamente em duas das três regiões mais oleosas do rosto, o nariz e o queixo. Por tudo isso, dermatologistas do mundo todo já associam alguns quadros de acne ao uso do acessório.

Não apenas as pessoas suscetíveis à acne podem sofrer de Maskne. Quem normalmente não tem espinhas, pode notar o surgimento delas também. Quem já sofre com isso, pode notar uma intensificação do quadro. Alguns pacientes relatam a piora, acreditando que este efeito possa estar associado ao estresse, aumento do consumo de vinho tinto no caso da Rosácea e um chocolatinho a mais nesse período de quarentena. Também. Mas certamente o principal fator – caso os cuidados e disciplina no controle das espinhas tenham sido mantidos – é o uso prolongado e frequente das máscaras. Foi na volta ao trabalho presencial que um número maior de pessoas passou a sentir os efeitos de usar o acessório por um longo período de tempo. 

Se a máscara é obrigatória, como controlar o surgimento de acne?

1. ROTINA DIÁRIA: Em primeiro lugar, é preciso manter a pele limpa. Mantenha a rotina diária, com ainda mais disciplina, de lavar o rosto com sabonete adequado duas vezes ao dia. Se a pele for muito oleosa, é importante aplicar também uma loção tônica mais adstringente. Após a limpeza, aplique um sérum ou produto oil free que contribua para a hidratação e para o controle de acne pelo menos duas vezes ao dia.

2. MÁSCARA EXTRA: Se você já está trabalhando presencialmente e precisa ficar de máscara durante toda a carga horária, o ideal é levar uma ou duas máscaras extras para trocar na metade do dia ou assim que perceber que ela ficou mais úmida. Este cuidado protege você não só em relação à acne mas também em relação à contaminação pelo coronavírus. Sempre que possível, deixe a pele respirar, deixando o rosto livre. Se for usar máscaras de tecido, opte pelas que são 100% algodão, que permitem que a pele respire melhor.

3. CASOS SEVEROS: O termo Maskne, que ganhou o mundo depois de ser citado no jornal The New York Times, está cada vez mais recorrente nos consultórios de dermatologia e piorou os quadros de pacientes que já sofriam de acne. Nos casos de acne mais severa, pode-se prescrever, conforme orientação médica até o uso de antobioticoterapia.

4. LIMPEZA DA MÁSCARA: A higiene adequada da máscara também deve ser observada para evitar proliferação de bactérias. Nunca reutilize o acessório se ele for descartável. E lave corretamente as que forem de tecido, procurando, inclusive, passar a ferro quente depois de secas.

5. MAQUIAGEM: O ideal é evitar o uso de maquiagem na região, pois ela contribui para a obstrução dos poros. A tendência tem sido realmente valorizar os olhos na maquiagem, então, aproveite para chamar a atenção para o olhar. E a testa? Ainda mais nesse período, em que só aparece a parte de cima do rosto, sem toxina botulínica não dá para ficar! 

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