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Daniela Alvarenga Por Daniela Alvarenga, médica, membro da Sociedade Brasileira de Dermatologia

Rio-São Paulo e meus novos desafios

Como lidar com as mudanças da vida numa fase em que tudo já parece bem estabelecido

Por Daniela Alvarenga Atualizado em 16 jul 2021, 18h38 - Publicado em 16 jul 2021, 17h41

Nada é permanente, exceto a mudança. A frase do filósofo Heráclito é uma espécie de farol para traduzir os movimentos da vida. Tenho pensando muito sobre a questão da impermanência nos últimos tempos, algo que sempre abracei na minha vida. Depois de 22 anos atendendo minhas pacientes no Rio, vou começar a me dividir com atendimentos em São Paulo. Sou completamente apaixonada pelo Rio, acredito, incentivo e aplaudo iniciativas que promovam a cidade, mas há uma paixão na frente que me fez repensar a vida e mudar a rota.

Desta vez, o novo “começo” será dia 19 na clínica Sablier Clinique, no Itaim Bibi, onde vou atender uma semana por mês. Super bem equipada, o espaço tem os melhores aparelhos e tratamentos faciais, corporais e capilares, e vai me permitir atender o paciente como um todo, com a atenção que uma boa consulta deve ter e com o tempo que precisamos para incentivar e ensinar sobre a importância e a disciplina no skincare. O convite surgiu de uma nova parceria profissional muito gratificante com a dermatologista Ligia Novaes, através da nossa mentora comum Marina Fiqueiredo. 

Confesso que aos 48 anos, eu não sabia que estava preparada para um novo começo – mas quem é que sabe? O lado bom é que a gente acaba se permitindo se surpreender, encontrar e se conectar com pessoas que têm a ver com nossos princípios, o que vai deixando o percurso mais tranquilo. Tenho, sim, um pouco mais de receio de grandes mudanças nesta fase. Na juventude, a gente muda por instinto, sem pensar nas consequências. A maturidade e a responsabilidade fazem a gente ver as coisas de maneira diferente. E quando as prioridades ficam claras, é preciso abraçar as oportunidades.

A mudança tem motivo: família. Este ano, meu marido, Dico Oliveira, um dos diretores gerais do programa “Mais Você”, foi transferido para São Paulo, de onde Ana Maria Braga passou a apresentar. No início, enfrentamos as pontes-aéreas, eu aproveitei a pandemia para estudar ainda mais – algo que amo fazer – e conseguimos conciliar. Mas chega uma hora em que é preciso decidir. E minha família está sempre em primeiro lugar, mesmo eu sendo muito realizada com meu trabalho.

Gosto muito da expressão em inglês I love my job. Sou apaixonada pela medicina e pela possibilidade de fazer o ser humano, meu paciente, se sentir melhor. Mas tudo isso só faz sentido para mim porque tenho minha família, que é minha base, meu porto seguro, meus valores. Meu pai dizia sempre: “Daniela, você não vai parar de inventar moda, não?”. Era o modo dele de se espantar e se admirar diante das minhas iniciativas profissionais: quando tudo parecia estável, eu investia em aparelhos, abria uma clínica nova, fazia uma mais uma pós-graduação, porque realmente me interessa ser uma profissional cada vez melhor e mais completa. Minha mente vive a mil, e sou do time dos que gostam de botar as melhores ideias em prática, mesmo correndo riscos.

A Clínica Daniela Alvarenga no Rio continua funcionando normalmente, onde vou atender três semanas por mês, e receber agora outros profissionais. Outro motivo de estar em São Paulo é que venho estudando muito Nutridermatologia há algum tempo. Sempre gostei de cuidar do paciente globalmente, de dentro para fora e de fora para dentro. Na minha visão, está tudo conectado: beleza e longevidade sem saúde é um conceito no qual não acredito.

No início do ano, tive a oportunidade de começar meus atendimentos dermatológicos em uma clínica de Nutrologia, do dr. Eduardo Rauen e me encantei ainda mais por tudo isso. Resultado: Fui aprovada para pós-graduação (mais uma novidade, meu pai diria!) no Albert Einstein, em São Paulo, e começo a estudar no segundo semestre. Voltando à frase de Heráclito, se nada é permanente, exceto a mudança, o que nos resta é estar em movimento e enfrentar da melhor maneira possível para que boas novas acompanhem o percurso. Mudar é se desafiar todos os dias, é combustível. E já que é assim, além de trabalhar e estudar, já me matriculei no beach tennis na arena BTG+, porque o esporte faz parte da minha vida e em períodos de mudança, é ainda mais importante.

 

 

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