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Daniela Alvarenga Por Daniela Alvarenga, médica e dermatologista

BBB de família: confinamento e coronavírus

A hora é de olhar pra dentro: cuidar da mente, da alma, do corpo e dos que estão ao nosso redor. Será fácil?

Por Daniela Alvarenga - Atualizado em 24 mar 2020, 14h02 - Publicado em 20 mar 2020, 11h20

Os cariocas – espero que em sua maioria – estão mais conscientes em relação à importância do distanciamento social e da necessidade de se isolar para reduzir a velocidade da propagação exponencial do coronavírus. Estamos vivendo tempos difíceis, e é importante fazermos este esforço. O controle da pandemia passa por uma mudança na rotina das pessoas, e especialmente para as famílias. O que sempre pareceu ser um sonho nas postagens de Instagram, agora acontece por obrigação: ficar em casa em pleno dia de semana – só que todos juntos.

O ser humano é um ser social.  Nascemos em uma família, precisamos nos relacionar. O confinamento tem um enorme impacto na psiquê.  Sofremos com ele e algumas pessoas adoecem física e mentalmente.

Os reflexos do confinamento na vida familiar são grandes, como podemos perceber nas nossas casas e também nas conversas entre amigos nas redes sociais. Casais que trabalhavam em excesso, muitas vezes viajando vários dias da semana, agora estão juntos o tempo inteiro. Irmãos que pouco se viam, porque passavam o dia na escola e em atividades extras, agora são obrigados a conviver.

Se por um lado este tempo maior juntos pode ser prazeroso, por outro a convivência joga um foco de luz em algumas questões que já existiam, mas que a  rotina nos dificulta ver. O confinamento familiar, na prática, pode acabar gerando intolerâncias, discussões e brigas.  E ainda existe a pressão financeira, especialmente entre as  famílias que sobrevivem sem salário fixo, o que pode agravar ainda mais o desequilíbrio emocional que o medo de contrair a Covid-19 está gerando em tantas pessoas.

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O confinamento não é fácil, como acompanhamos há quase duas décadas no BBB. Os conflitos muitas vezes se acirram. Um dia é de união, o outro de briga. Segundo a psicanalista Luísa de Castro, “o confinamento opera como uma lente de aumento, e põe à mostra traumas, obsessões, agressões, compulsões, incoerências e dilemas”.  Todas as questões ganham uma enorme dimensão quando somos obrigados a paralisar a vida, sem os escapes, saídas e fugas que cada um encontra no seu dia-a-dia.

Problemas como aumento do consumo de álcool, de cigarro, compulsão alimentar e por compras on-line, agressividade e o abuso das drogas se intensificam. Psicanalistas e psicólogos ficam sobrecarregados com atendimentos por Skype, no esforço de iluminar e orientar para que todos enfrentem emocionalmente este big brother involuntário. Ansiosos com o confinamento e o bombardeio de notícias sobre o vírus, há pacientes pedindo sessões quase diárias para lidar com este momento tão delicado no mundo inteiro.

O maior órgão do corpo humano, a pele, também sofre com isso tudo. Complicações dermatológicas podem ocorrer ou apresentar uma piora, como dermatite seborreica, acne, psoríase, rosácea, disidrose, urticária e queda de cabelo, entre outras. É fundamental manter com disciplina uma rotina de cuidados.

Pense diferente e cuide-se de outra maneira para que mente e corpo não adoeçam. Tente estabelecer uma rotina. Você pode fazer terapia online. Você pode se exercitar pedindo ao seu professor que passe uma série para fazer em casa ou mesmo seguindo preparadores físicos no Instagram, já que muitos estão transmitindo treinos ao vivo. Alimente-se equilibradamente e durma bem. Medite e pense positivamente. Enfrente um dia de cada vez. Ligue para seus amigos e familiares, a tecnologia está a nosso favor. Ainda estamos juntos, mas separados. Ou quem sabe agora separados, mas juntos. Quantas coisas não estamos aprendendo com esta pandemia? Ela vai passar. E podemos sair dela melhores e mais fortes –  “não há mal que nunca termine”.

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*Colaboração da psicanalista Luísa de Castro

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