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Carla Knoplech Por Carla Knoplech, jornalista e especialista em conteúdo digital

Enfim, a retrospectiva 2020

Estafa mental, readequação do modelo de trabalho, criação de conteúdo como meio para influenciadores e vídeo-curto como macrotendência

Por Carla Knoplech Atualizado em 16 dez 2020, 10h27 - Publicado em 15 dez 2020, 18h48

A você, querido(a) leitor(a), que me acompanhou nas outras vinte colunas anteriores, achei que não havia melhor maneira de fechar 2020 do que com um despretensioso balanço do ano. Digo isso porque durante estes meses criamos e consumimos tanto, mas tanto conteúdo, recebemos tantos estímulos virtuais que, a meu ver, o segredo de aproveitarmos essa enxurrada de assuntos que vieram à tona caminha cada vez mais para o lugar do essencialismo, onde focamos apenas no que é essencial para o nosso desenvolvimento. Com isso, tiramos todos os excessos e ficamos com, de fato, o que fez diferença. Mas, calma, não vou enumerar aqui as tendências de conteúdo para redes sociais ou dissertar sobre as notícias do momento, para isso temos os textos passados bem esmiuçados. Meu objetivo é pegar você pela mão (com muito álcool-gel, é claro) e caminhar ao seu lado em um papo intimista e sincero onde avaliaremos 2020 dentro da perspectiva digital a que esse espaço se propõe. Vamos lá?

Primeiro eu gostaria de começar com um desabafo: não sei vocês, mas eu estou exausta. Vocês também estão? Esse, sem sombra de dúvida, foi o ano da minha vida adulta em que mais fiquei dentro de casa, mais tive tempo livre, menos perdi horas em deslocamentos desnecessários, menos emendei compromissos um no outro e, mesmo assim, 2020 está batendo todos os recordes de carga mental possíveis. E isso com certeza está atrelado ao período em que ficamos conectados. Segundo a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), o uso da internet no Brasil cresceu cerca de 50% durante a quarentena e a alta foi ainda maior para servidores internacionais. Estamos online o tempo inteiro e essa disponibilidade infinita se reflete na forma como o nosso cérebro confunde o que é descanso com o que é trabalho: ele simplesmente não desliga em nenhum momento.

A verdade é que mal conseguimos relaxar este ano. Como se já não bastasse todo o cenário apocalíptico porta afora do combo vírus-política-caos-violência, tentamos ao máximo nos confortar tela adentro com Lives, shows, cursos, Stories, Reels, posts, textos, podcasts, notícias e – apesar da grande oferta – a demanda foi caindo aos poucos, porque simplesmente ninguém aguenta mais. Parafraseando Caetano Veloso em versão adaptada: “Quem vê tantas Lives?”. A oferta de conteúdo disponível ficou saturada.

Mas se teve um quesito em que 2020 foi assertivo, foi o de nos convencer de uma vez por todas que o nosso trabalho, os eventos em geral, as reuniões e os cursos definitivamente não precisam existir apenas na versão presencial. As adaptações para o digital deram muito certo, o que levou empresas enormes como o Google e a XP entregarem andares inteiros de salas alugadas e a disponibilizarem o homeoffice vitalício para quem quisesse. É claro que um formato é incomparável ao outro, são experiências diferentes. Entretanto, golaço para a tecnologia que nos fez acelerar muitos anos em meses.

Outra observação interessante que marcou o ano dentro do universo digital foi no campo de produção de conteúdo e influência onde observamos criadores virarem criativos, ou seja, onde os comunicadores-fins tornaram-se meios. Celebridades do mundo digital como a cantora Manu Gavassi e mais recentemente a apresentadora Maisa resolveram virar agência e criar campanhas para terceiros, sentando do outro lado da mesa de negociação. Insatisfeitas com a forma como o segmento estava sendo gerido e a favor de um processo criativo mais fluído, elas exemplificam um movimento de criadores de conteúdo que quer gerir a própria carreira, quer criar de maneira mais orgânica e deixar o processo publicitário menos engessado a partir do ponto de vista de quem tem muita experiência atuando como mídia. Interessante.

E, é claro, que não poderíamos deixar de falar do grande “reizinho” do conteúdo atual: o vídeo curto. Seja em segundos no Tik Tok, nos Stories ou no Reels, o formato em si é a grande aposta no longo prazo para as redes sociais em geral. Complexos de executar, com edições cheias de truques e necessidade de estarem totalmente sincronizados com a trilha sonora escolhida, esses vídeos enganam à primeira vista. Eles são uma ferramenta moderna e ágil para a comunicação, mas requerem técnica para de fato ficarem criativos. É basicamente o motivo pelo qual o seu priminho de 12 anos te dá um banho no assunto, o fator “usabilidade”.

De maneira bem ampla e resumida toquei aqui em quatro pontos que considero os assuntos principais de 2020 no segmento digital: estafa mental causada pelo excesso de conteúdo, readequação do modelo de trabalho presencial X digital, criação de conteúdo como meio para influenciadores (e não só fim) e o vídeo-curto como macrotendência. Para 2021 acredito que pautas como as experiências de shows dentro de jogos, o avanço da DeepWeb, a humanização (sempre ela!) em projetos de branded content e a macro-pauta de Saúde são os assuntos que mais terão seu lugar ao sol. Vamos acompanhar.

E pra você que chegou até aqui, Feliz Natal e Feliz Ano Novo! Obrigada pela companhia. Nos vemos já em um ano que vem. Te desejo saúde, amor e vacina! Até.

Carla Knoplech é jornalista, fundadora da agência Forrest, de conteúdo e influência digital, consultora e professora

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