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Bruno Chateaubriand Por Bruno Chateaubriand, jornalista

O Oscar da Internet no Brasil

Diretor Jorge Farjalla é indicado a seis categorias do RioWebFest

Por Bruno Chateaubriand Atualizado em 8 out 2021, 11h29 - Publicado em 7 out 2021, 20h13

Com seis indicações para o RioWebFest, um prêmio que é considerado o Oscar da Internet no Brasil, o diretor Jorge Farjalla comemora o sucesso da sua websérie “O Fantástico Ateliê do Gu, que criou em parceria com o artista plástico e jornalista Gustavo Krelling. Entre centenas de produções para a web, eles foram indicados para melhor roteiro, direção, direção de arte, série educacional, websérie brasileira e voto popular. Soube por uma amiga que me mandou mensagem. Quando o Gustavo me ligou, estava emocionado e muito feliz. É o reconhecimento do trabalho, comemora Farjalla.

 

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Para Gustavo Krelling é a realização de um sonho e de um conselho da terapeuta. “Costumava fazer stories em meu Instagram nos museus ao redor do mundo, falando sobre a história da arte. Mas quando chegou a pandemia, ficamos trancados dentro de casa. Um dia minha terapeuta me disse: “então leve os museus para dentro da casa das pessoas

 

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A união dos dois deu tão certo que eles já pensam numa segunda temporada. “É incrível. Farjalla tem muita inventividade, tem a sabedoria de filtrar suas melhores ideias e melhorá-las. Tem um poder de realização. É um diretor de grande precisão, define Gustavo. Essa nova temporada será mais um dos projetos do diretor que fala sobre a websérie, o prêmio e seus planos para 2022 na entrevista. 

 

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Como surgiu a ideia de você e o Gustavo Krelling fazerem a websérie “O Fantástico Ateliê do Gu” sobre a história da arte em meio à pandemia? 

 

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Tudo começa durante meu processo de Covid, mergulhado numa cama assistindo vídeos no Facebook. Um desses vídeos me chamou a atenção, era um cara falando sobre Van Gogh, com uma humanidade tamanha que fiquei impressionado. O seu segundo vídeo, lá estava o menino, sim porque ele é um menino, falando dos figurinos que havia criado para uma exposição e todos os figurinos eramfeitos com sucatas e materiaIs reaproveitáveis. Fiqueilouco, entrei em contato com ele, era o Gustavo, um artista sem precedentes. Eu estava no Recife-PE dirigindo uma websérie sobre ciência e saúde quando nosso contato se estreitou. Sempre durante a madrugada, falando sobre arte, trabalho, pandemia, até que numa dessas madrugadas tive uma visão sobre o que o Gu tinha vontade de fazer, porque ele já tinha a vontade de fazer um programa falando sobre arte. Nmesma madrugada, enviei as ideias de um mundo fictício todo de papel onde vivia o Super Gu. Imediatamente já começamos a criar e Gustavo, como eu, incansável, jácolocou uma data para rodarmos os episódios. Quando dei por mim já estava na sala da casa dele, no meio dos cenários idealizados por nós dois, com uma equipe muito reduzida em função do vírus, e muita vontade de fazer tudo dar certo. Casamos na arte.

 

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Que mensagem querem passar? Como receberam a notícia das seis indicações ao prêmio RioWebFest? 

 

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O objetivo do projeto é levar arte para quem não pode visitar um museu, por causa da pandemia e por outros motivos. Falar sobre curiosidades de grandes artistas, perpetuar a arte em uma plataforma como o YouTube, deixar algo para os netos (risos), falar sobre arte de uma maneira delicada, até porque uma das propostas da minha direção era o pensamento desse artista. Gustavo, falando sobre arte, no seu tempo, sem correria, como uma contação de história.

   O programa sempre estreava nas quintas-feiras, aquela quinta não haveria mais programa porque todos os episódios já tinham ido ao ar. Eu estava em casa trabalhando e meu telefone não parava de receber mensagens, antes do próprio Gustavo me ligar, uma amiga, que fez direção de fotografia de alguns filmes meus, escreveu que eu estava sendo indicado a todos os prêmios no RioWebFest. Quando o Gu me ligou, estava emocionado e extremamente feliz. Era o reconhecimento deste trabalho e sobretudo daquele figurinista, jornalista e um artista ímpar. 

 

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Difícil viver de arte nesses tempos. Embora esteja em vários projetos, foi duro para você atravessar o período? Você se deprimiu? Teve Covid? 

 

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Foi muito difícil, ainda é. Estou sempre em estado de alerta, de prontidão. Fiz e mergulhei em vários projetos para não enlouquecer. Imagina, meus trabalhos estavam no auge, estávamos em cartaz com “O Mistério de Irma Vap, em São Paulo, e iríamos estrear “Brilho Eterno, adaptação do longa “Brilho Eterno de Uma Mente Sem Lembranças”  quando tudo aconteceu. Foi um choque. 

Há um ano tive Covid, estava com Bernardo Barreto, no interior de Minas, rodando seu longa Epithaf. Ele meconvidou para dividir com ele a direção e fomos. Todos estavam testados, de repente boa parte da equipe estava com o vírus. Paramos tudo e depois de um mês regressamos para finalmente rodar o longa que tem co-produção com os Estados Unidos. O filme é todo falado em inglês. Foi muito triste ver a equipe levantando os braços para dizer quem estava com Covid. Não sei em que momento essa doençé pior, se é no momento ou no pósCovid. Fiquei bastante para baixo.

 

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Acredita que o formato híbrido, que mistura teatro e cinema por meio das lives, veio para ficar, mesmo com a retomada do teatro presencial?

 

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Não. Teatro é teatro. Presença do outro. Contato do ator com a plateia. Se esse híbrido continuar, que seja incrível assim como a arte teatral. Só precisamos encontrar um nome para esse “fazer”.

 

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Entre os trabalhos que fez, há um curta, “Enquanto Seu Lobo Não Vem”, com Letícia Spiller, que marca a estreia da filha dela, Stella, como atriz. Acredita no potencial da menina?

 

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Sim, rodamos no sítio da família e o curta foi todo feito no celular. Strella, como eu a chamo, já é uma artista, tem que ver como ela desenha, seu traçé incrível. E como atriz ela é extremamente exigente, compreendida das coisas, perspicaz, me perguntava sobre o roteiro, foi comigo ensaiar, essa faixa etária da Stella é fascinada com ‘Stranger Thinks’ e nosso filme tem um pouco disso, dos anos oitenta. Enfim, fico muito contente disso ter acontecido num projeto da mãe dela, Leticia e seu marido Pablo sonharam com algumas cenas do filme e colocamos no roteiro. 

 

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Falando em Letícia, você também vai dirigi-la ano que vem na adaptação de “Brilho Eterno de Uma Mente sem Lembranças”. O que podemos esperar dessa montagem? 

 

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Muito amor. Eu e Victor Bigelli adaptamos a obra.

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