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O escritor Ruy Castro sobre Roberto Carlos: “É um compositor medíocre”

O autor, que está lançando um livro de crônicas, fala sobre música, alcoolismo, tecnologia, legalização da maconha, tráfico e Copa do Mundo

Por Daniela Pessoa - 22 jun 2018, 15h44

Biógrafo de Nelson Rodrigues, Garrincha e Carmen Miranda, o escritor e jornalista Ruy Castro está lançando a coletânea de crônicas A Arte de Querer Bem. Em um dos textos, relata como o smartphone substituiu a agenda, o álbum de fotos, o correio, o relógio, o rádio, a TV e até a bússola. “É por isso que nem chego perto — temo que me substitua também”, escreveu. Ele falou a VEJA RIO.

Ainda consegue viver sem celular? Continuo um homem livre, mas não imponho nada a ninguém. Não sou contra as pessoas beberem, por exemplo. Sou contra eu mesmo beber.

O senhor viveu um drama por causa do álcool e já disse que o Garrincha foi vítima da ignorância das pessoas sobre o alcoolismo. Hoje estamos menos ignorantes? Infelizmente, não. O alcoólatra ainda é visto como malandro, como sem vergonha. As famílias escondem o doente. Você pode ser cardíaco e diabético, mas alcoólatra não.

Ainda tem vontade de escrever uma biografia sobre alguém? Se eu tivesse aceitado escrever para a quantidade de empresários, banqueiros e políticos que me procuram, eu estaria vivendo em algum lugar que fala francês. O Antônio Carlos Magalhães já quiser encomendar a dele quando vivo, mas eu não escrevo sobre pessoas vivas.

Por quê? Olha o problemão que o Paulo César Araújo teve com o Roberto Carlos. E eu avisei. Sobre esse cantor, eu não escreveria nem morto. É um compositor medíocre, canta pelo nariz e a música dele não tem nada de brasileira.

E já tem algum outro livro no forno? Sim, sobre o Rio dos anos 20. Será o meu melhor livro. Naquela época já se falava que a cidade era uma porcaria, sempre tem um espírito de porco. Estamos constantemente reclamando. O Rio é a 23ª capital
mais violenta do país, mas parece a primeira.

É a favor ou contra a legalização da maconha? Gostaria que essa campanha envolvesse mais os médicos e menos os advogados, jornalistas e jogadores de futebol, gente que não entende do assunto. Se acabaria com o tráfico? Duvido. O traficante vai continuar vendendo cocaína. O comércio legal existe, você compra roupa, eletrodoméstico e livros, mas a rua continua cheia de camelôs. E aí?

Copa do Mundo: o que acha de quem diz que vestir camiseta amarela é coisa de coxinha paneleiro? Isso é coisa de idiota, isso sim. Desde quando uma cor vai representar tudo o que eu penso?

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