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Anna Elisa de Castro Por Anna Elisa de Castro, chef e apresentadora

Um prato reflete tudo que a gente acredita

O paralelo entre mindfulness e veganismo

Por Anna Elisa de Castro - Atualizado em 24 jun 2020, 17h52 - Publicado em 24 jun 2020, 17h33

Minha mesa de cabeceira, que deveria ser chamada de estante de cabeceira, está sempre repleta de livros empilhados. Desde pequena tenho a mania de usar vários livros ao mesmo tempo. Uns eu leio e outros consulto para pesquisas ou como referências. E para me  inspirar, tenho sempre alguns de culinária ilustrados*.

Desta pilha, um que li recentemente é o ‘The Mindful Vegan’: um plano de 30 dias para encontrar saúde, equilíbrio, paz e felicidade

Além de ler, adoro compartilhar livros interessantes e assim que este chegou, mandei a foto para três professoras veganas da NOS Escola que eu sabia que adorariam: Moira Malzoni, nossa instrutora de mindfulness, Alessandra Luglio, nossa musa inspiradora, nutricionista e defensora dos animais e Dra. Rosane Oliveira, médica que sempre traz pra gente as últimas descobertas sobre genoma e alimentação. Para minha surpresa, a autora do livro, Lani Muelrath, é vizinha da Rosane na Califórnia, o que nos rendeu um lindo email de apresentação. Fiquei ainda mais entusiasmada em ler o livro.

Faz tempo que não como carne, desde meus 20 anos. De lá pra cá, fui maioritariamente vegetariana, alternando com alguns períodos comendo peixe. Meu maior orgulho é dizer que o Vicente, meu filho, foi o maior bebê da maternidade, com 4,100 kg, contradizendo a expectativa da maioria das pessoas. 

Apesar de ter cuidado sempre da minha alimentação, só ano passado consegui realizar um dos meus maiores desejos: estar vegana. 

Não sabia o que esperar de um livro que misturava mindfulness e veganismo, mas o paralelo que a Lani faz entre esses dois assuntos, faz todo sentido pra mim. Entendia o aspecto da saúde e equilíbrio, mas fiquei curiosa de como encontrar paz e felicidade.

O primeiro capítulo, começa com a citação de Viktor Frankl: 

“Entre o estímulo e a resposta existe um espaço.
Nesse espaço está o nosso poder de escolher a nossa resposta.
E nessa resposta está o nosso crescimento e a nossa liberdade.”

Uma ficha me caiu e eu tive um daqueles momentos AHA.
Realmente, a única maneira de fazermos boas escolhas, é estarmos presentes no momento. É só nesse respiro, antes da nossa reação, que mora o nosso verdadeiro poder de decisão. 

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Não estou dizendo que é fácil. Nossa mente ocupada e nebulosa, nossa vida agitada, nosso modus operandi no automático, não nos deixam tomar decisões coerentes. A mente é como nosso corpo, precisa de treinamento.

No caso de uma opção alimentar, a gente precisa desse tempo para se reconectar com nossa fome verdadeira, nossas reais necessidades e no que realmente a gente quer comer. Sabe aquela sensação de comer de tudo que passa pela frente? É isso, não estamos atentos ao momento. Mal sabemos o que está no nosso garfo. A gente precisa respirar, exercitar nosso estado de presença, para não comer sem pensar, por puro prazer ou como recompensa.

Ao longo da leitura, muitas peças foram se encaixando e agora entendo o que significa encontrar a sensação de ter paz e felicidade ao comer. É o que eu sinto hoje quando eu olho para o meu prato: ele reflete tudo o que eu acredito.

A satisfação e o prazer são imensos, uma refeição totalmente alinhada com meus ideais e valores: saúde e bons nutrientes, respeito ao meio ambiente, aos animais, à uma agricultura responsável e às pessoas que trabalham na terra. 

 

Fica aqui o meu convite:
Olhe para o seu prato e veja se ele te representa.
A paz está nas nossas escolhas.


Eu sou Anna.
Estou vegana.
E agora bem mais feliz por isso.

*Mania 2, não gosto e não compro livro de gastronomia se não tiver fotos.
**Sugestão: comece meditando um minuto por dia, e aumente a cada dia mais um minuto até chegar a 30.

Anna Elisa, Fofa para muitos, 44 anos, leonina com ascendente em aquário, gosta de pessoas, fundadora da NOS Escola @nos.escola. Chef de cozinha e autora do livro Sem Tempero não dá. Busca saúde e compartilha pequenos atos individuais, coletivos e maternos.

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