Tempos modernos: quais tramas mudam ou deixam de existir na nova Vale Tudo

Passados quase 40 anos da novela original, Manuela Dias vive o desafio de adaptar as histórias após transformações sociais, culturais e tecnológicas no Brasil

Por Redação VEJA RIO Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO
3 abr 2025, 15h01
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Vale Tudo: as mudanças na sociedade brasileira fizeram com que Maria de Fátima (Bella Campos) passasse a sonhar em ser influenciadora (Fábio Rocha/TV Globo)
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Logo no primeiro capítulo de Vale Tudo, algumas mudanças em relação à trama original, de 1988, puderam ser percebidas. A vilã Maria de Fátima Acioli (agora vivida por Bella Campos) não sonha mais ser modelo, e sim influenciadora digital. Para explicar como a mãe, Raquel Acioli (Taís Araujo), não consegue falar com ela, a jovem deixa o celular em casa.

A autora do remake, Manuela Dias, tem pela frente o desafio de adaptar situações escritas na época por Gilberto Braga, Aguinaldo Silva e Leonor Bassères para que façam sentido hoje, quase quarenta anos depois. De lá para cá, a sociedade brasileira, assim como o restante do mundo, passou por inúmeras transformações sociais, culturais e tecnológicas.

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Outra mudança já vista na estreia da novela foi na cena em que Rubinho (Júlio Andrade) e Raquel brigam. Ele diz: “Me respeita, que eu sou o homem dessa casa!”, e ela responde: “Qual o problema? Eu sou a mulher”, texto diferente do de 1988. Além disso, ele dá um tapa no rosto de Raquel, que revida e fala: “Eu nunca apanhei nessa vida, e não vai ser agora que isso vai acontecer!”. Isso não acontecia originalmente.

Também já foi mostrado que a Tomorrow, que antes era uma revista, agora é uma agência de conteúdo, que tem como proprietário Renato Filipelli (João Vicente de Castro) e diretora de criação Solange Duprat (Alice Wegmann), que irá se envolver com o milionário Afonso Roitman (Humberto Carrão).

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Uma atualização a ser feita é a respeito de quanto Odete Roitman (Débora Bloch) mandava envenenar a maionese fornecida pela empresa de Raquel. A mocinha, que descobria o boicote, mobiliza amigos e funcionários, que vão de restaurante em restaurante impedir que alguém consuma o ingrediente. Hoje, ligações por celular resolveriam o problema.

Outra tem a ver com o casal formado por Cecília Catanhede (Maeve Jinkings) e Laís (Lorena Lima). Na primeira versão, com a morte trágica de Cecília, seu irmão, o vilão Marco Aurélio Catanhede (Alexandre Nero), que não aceitava a relação, fez de tudo para que a companheira dela não ficasse com a pousada que as duas mantinham em Búzios.

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Hoje, com o casamento homoafetivo reconhecido no Brasil, a trama deve abordar questões mais atuais, como os desafios de casais lésbicos no processos de adoção.

A trama de Fernanda (Ramille), filha de Eunice (Edvana Carvalho) e enteada de Bartolomeu (Luís Melo), também precisará ser modificada. Se, em 1988, seu maior dilema envolvia perder a virgindade com o namorado, Tiago Roitman (Pedro Ranaldi) – que é neto da megera Odete Roitman (Débora Bloch) -, em 2025, ela terá questões que façam mais sentido para as jovens de hoje.

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Outra atualização é que Tiago, ao descobrir que sua mãe, Heleninha Roitman (Paolla Oliveira) havia saído da clínica de reabilitação e que seu pai, Marco Aurélio (Alexandre Nero), escondeu a informação dele, os dois irão discutir e o jovem terá uma crise de ansiedade, sendo levado ao hospital. Em 1988, ele só ficava emburrado.

Gildo (vivido por Fernando Almeida), um dos únicos personagens negros da trama original, virou uma mulher na nova versão, Gilda (Letícia Vieira). Na narrativa anterior, o jovem em situação de rua começava a ajudar Raquel a vender sanduíches na praia e, mais tarde, virava funcionário do restaurante dela.

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Ele também era acolhido por Zezé (Zeni Pereira), que era empregada da família de Bartolomeu, mas esse papel não existe na trama atual. No Brasil pós-PEC das Domésticas, os próprios personagens do núcleo fazem as tarefas de casa.

Aliás, se na trama dos anos 1980 só havia dois personagens negros, hoje a representatividade está muito maior. Inclusive, duas das principais personagens são negras, Raquel e Maria de Fátima. Com as mudanças sobre a percepção do racismo na sociedade brasileira, espera-se que o tema também seja abordado na novela.

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