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Pastor que orou pela morte de Paulo Gustavo será processado criminalmente

Principais entidades de defesa dos direitos de LGBTs do país anunciam que medidas judiciais já estão sendo tomadas contra o discurso de ódio do religioso

Por Da Redação 20 abr 2021, 15h33

Não adianta apagar o post nem mudar o perfil nas redes sociais. As prints (fotos da tela) das redes do pastor José Olímpio, da Assembleia de Deus de Alagoas, estão aí para provar o que o religioso publicou na quinta (15) – e ele pode ser responsabilizado criminalmente por isso.

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Olímpio postou no Instagram uma foto em que Paulo Gustavo aparece caracterizado atrás de um crucifixo. Na legenda, escreveu: “Esse é o ator Paulo Gustavo que alguns estão pedindo oração e reza. E você vai orar ou rezar? Eu oro para que o dono dele o leve para junto de si”.  O ator está intubado e em estado grave há mais de um mês no hospital, por causa de complicações decorrentes da Covid-19.

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Organizações que militam pelos direitos LGBTQIA+ manifestaram repúdio ao ataque de ódio do religioso, a quem  acusam de cometer homofobia – um dos crimes de racismo reconhecidos pelo Supremo Tribunal Federal. Em uma carta pública, algumas das principais entidades de defesa dos direitos de LGBTs do país, como o Grupo Gay da Bahia e a Aliança Nacional LGBT, além de defensores dos direitos humanos, afirmam que a mensagem do pastor é criminosa e atinge não só o ator – muito pelo contrário.

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“O ato criminoso de violência, praticado por este líder religioso, contra o ator Paulo Gustavo, que se encontra internado em virtude de problemas de saúde causadas pela Covid-19, problema sério de saúde pública e sanitária mundial, fere severamente não só Paulo, mas todas as vítimas da doença, a comunidade LGBTQIA+, classe artística e a todos os cidadãos de bem que tenham bom senso e sintam empatia por seu próximo”, diz um trecho.

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Os grupos anunciam que medidas judiciais estão sendo tomadas contra o pastor. “É urgente que crimes como estes, motivados por homofobia, sejam enquadrados na tipificação da LGBTfobia, na lei de combate ao racismo, e que punições mais rigorosas e severas sejam tomadas contra atos discriminatórios como este”.

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Paulo é casado com o dermatologista Thales Bretas, com quem tem dois filhos, Romeu e Gael. Amigos e parentes vêm organizando, pela internet, correntes de oração pela sua recuperação.

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