Padre Anderson Antonio Pedroso, da PUC, é o Carioca do Ano na educação
O reitor da universidade capitaneia reformas administrativas e se aproxima do mercado para garantir o lugar da universidade no rol das melhores do país

Pouco antes de se dedicar ao sacerdócio, o paulistano Anderson Antonio Pedroso embarcou em uma viagem com os pais — e o destino escolhido antes da decisiva virada de página foi o Rio de Janeiro, de onde ficaram lembranças de felizes momentos em família, embaladas por praia e muito sol. Em 2022, duas décadas mais tarde e sob a mesma moldura da Cidade Maravilhosa, o jesuíta esbarrou com um desafio daqueles: assumir a cadeira de reitor da PUC-Rio, a única das pontifícias universidades católicas do país confiada à Companhia de Jesus.
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Uma vez no posto, Pedroso colocou em marcha acelerada um projeto de renovação administrativa da instituição, fundada em 1940. E os resultados começaram a aparecer. Em outubro, a PUC surgiu no ranking da revista britânica Times Higher Education, régua global para a qualidade no ensino superior, como a melhor faculdade privada brasileira e a terceira do Brasil, empatada com a UFRJ. “A grande questão é buscar o equilíbrio entre receitas e despesas”, afirma o padre, que gosta de desfiar números. O de bolsas concedidas a alunos da graduação bateu recorde: 40% dos 9 100 matriculados contam com algum auxílio.
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Para manter o caixa da universidade em dia, foi recrutado para o campus da Gávea até o ex-ministro da Economia do Vaticano, o espanhol Juan Antonio Guerrero, do círculo de confiança do papa Francisco. Outro ponto-chave da gestão é o estímulo a pesquisas que ajudem a suprir demandas da iniciativa privada, essencial para selar mais de 200 contratos com empresas como Petrobras, Shell e um rol de chinesas.
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Doutor em história da arte contemporânea e estética filosófica pela Sorbonne, em Paris, padre Anderson agora vai lançar, já em 2025, uma graduação em inteligência artificial, abastecendo conhecimento nesse ascendente campo do saber nas carreiras diversas. “Os novos cursos hoje nascem interdisciplinares, uma necessidade do mercado. Sem isso, ficaríamos no passado”, defende o reitor, que trouxe de volta ao conselho de desenvolvimento ex-alunos ilustres, entre os quais Armínio Fraga, ex-presidente do Banco Central.
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Também em 2024, foi relançado o Fundo Patrimonial, cuja meta é acumular 35 milhões de reais no primeiro ano e 500 milhões em uma década, podendo-se assim dar gás à política de benefícios aos estudantes. “Meu sonho é não cobrar mensalidade e que cada aluno seja patrocinado pelos nossos programas”, aspira o reitor, que vive envolto em cálculos para, quem sabe um dia, chegar lá.