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Maya Gabeira: ‘O mundo só tem a melhorar com o sucesso das mulheres’

Brasileira fala sobre feminismo e representatividade depois de bater mais um recorde e superar a performance de homens em ondas da altura de prédios

Por Cleo Guimarães - Atualizado em 16 set 2020, 17h09 - Publicado em 15 set 2020, 15h28

É um momento que merece ser visto e revisto. Antes de ler a entrevista que Maya Gabeira concedeu a VEJA RIO direto de sua casa, em Nazaré (Portugal), respire fundo e preste atenção na onda de 22.4 metros (73.5 pés) que a surfista brasileira pegou, no dia 11 de fevereiro, lá mesmo, na cidade portuguesa. Maya se tornou a primeira mulher da história a surfar a maior onda do ano – superando todos os homens, em evento realizado pela WSL, a liga mundial do esporte.

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O feito ainda lhe valeu um lugar de destaque no Guinness World Records pela segunda vez. Ela bateu a própria marca conquistada em 2018, também em Nazaré, com uma onda de 20,72 metros (68 pés), e volta ao Livro dos Recordes com a maior onda surfada por uma mulher. Leia a entrevista logo depois do vídeo:

Você virou ídolo no esporte brasileiro mas não há nenhum incentivo por parte do governo, nem mesmo um parabéns ou uma palavra de apoio do presidente. Como lida com esse descaso? O esporte nunca teve um incentivo muito grande por parte do governo, pelo menos se comparado à Europa ou aos Estados Unidos. Acho que o Brasil deixa a desejar nesse aspecto tanto no incentivo para os atletas de alto nível quanto aos amadores. Mas eu não estou nem um pouco decepcionada por não receber um parabéns do presidente. Não faço questão.

O surfe é um esporte que somente de uns anos para cá tem dado visibilidade às mulheres, e você acaba de superar todos os participantes da categoria masculina numa competição, um feito inédito. Se considera uma feminista? Sim, me considero. Sou uma mulher preocupada com o espaço e a representatividade de todas as outras, já que muitas dificuldades são impostas a nós. Sou uma feminista porque acredito nas mulheres e acho que o mundo só tem a melhorar com o espaço que a gente vier a conquistar. Temos que ser respeitadas e ouvidas. A mulher tem que ter liberdade sempre.

A falta de incentivo no Brasil faz com que você pense em competir por outro país? Por causa da minha família, tenho dupla nacionalidade: sou portuguesa e brasileira. Nasci no Brasil, meus parentes estão aí, minha cultura é brasileira. Mas não estou em Portugal por falta de incentivo no meu país, e sim porque Nazaré é o foco da minha carreira hoje em dia, é onde tem as maiores ondas do mundo. É aqui onde quero estar, assim como já foi o Havaí e também a Califórnia, por isso morei por dez anos nos Estados Unidos. Me sinto uma privilegiada morando em Nazaré, me adaptei bem, foi tudo perfeito.

Ainda tem algum objetivo a conquistar? O meu desafio é sempre evoluir, não tenho mais nenhum objetivo. Na verdade, esse recorde não foi planejado, eu estava muito focada no campeonato, foi a primeira vez que competi em Nazaré – e no profissional, junto com um homem, já que formo dupla com o Sebastian Steudtner (é ele quem reboca a surfista no jet ski). Eu estava disputando o evento masculino, isso era o meu foco. Não tenho como objetivo quebrar o recorde ou pegar uma onda maior que essa. Quero continuar surfando e treinando.

 

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