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Comentário de Crivella sobre áreas de risco gera revolta: “Insólito”

Urbanista e arquiteto, Sérgio Magalhães rebate o prefeito; ele disse que cariocas moram em áreas de risco para gastar menos com "cocô e xixi"

Por Cleo Guimarães Atualizado em 2 mar 2020, 13h19 - Publicado em 2 mar 2020, 13h05

“Insólito e difícil de acreditar”. Essa foi a reação do arquiteto, urbanista e ex-secretário de Habitação Sérgio Magalhães ao tomar conhecimento das declarações do prefeito Marcelo Crivella, neste domingo (1), sobre as consequências das fortes chuvas na cidade.

Quatro pessoas morreram até a manhã desta segunda-feira no estado, sirenes foram acionadas em 14 favelas do Rio e, para o prefeito Marcelo Crivella (PRB), boa parte da culpa pela tragédia é dos moradores que “escolhem” morar em áreas de risco para, assim, “gastar menos tubos para colocar cocô e xixi”. As declarações de Crivella foram dadas  durante uma reunião no Centro de Operações Rio, transmitida ao vivo por uma rede social.  “Todas as encostas são perigosas, mas aonde descem as águas, predominantemente chamado talvegues, e as pessoas gostam de morar ali perto porque gastam menos tubo para colocar cocô e xixi e ficar livre daquilo, essas áreas são muito perigosas”, disse Crivella. Ele também afirmou que há coisas que “cada cidadão tem que fazer por si mesmo”, como “não morar perto dos canais ou encostas”. O prefeito afirmou também que “as pessoas moram ali perto porque é uma maneira de se verem livres dos esgotos e do seu lixo, morando perto do rio, joga tudo ali”.

“É um conceito muito estranho esse dele, e nem faz sentido”, diz Sérgio Magalhães, “até porque a grande maioria da cidade foi construída por esforço pessoal das famílias, num quadro de extrema precariedade. Ninguém escolhe morar em área de risco para economizar no encanamento, é lamentável essa declaração”.

 

 

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