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Fitness: Carol Vaz, a ‘fada das bundas’ que faz milagres no Grajaú

Com quase 2 milhões de seguidores no Instagram, treinadora tem rainhas de bateria e fisiculturistas entre suas clientes numa academia simples da Zona Norte

Por Cleo Guimarães - Atualizado em 9 mar 2020, 10h34 - Publicado em 6 mar 2020, 12h16

O lugar em nada lembra as academias-butique da Zona Sul, a começar pela decoração da entrada, onde um mural de cortiça coberto de fotos exibe a formidável anatomia traseira das alunas. Em funcionamento desde 2003 numa casa amarela de dois andares no Grajaú, na Zona Norte, a DNA tem instalações precárias, cheiro de suor e equipamentos ultrapassados — nada que intimide a clientela, formada por rainhas de bateria, fisiculturistas e todo tipo de mulherão, em busca dos ensinamentos da personal trainer Carol Vaz, a modeladora de bumbuns mais famosa do Rio de Janeiro. Com quase 2 milhões de seguidores no Instagram, rede em que mostra métodos de treinamento intensos, heterodoxos, beirando o sadismo, Carol coleciona elogios de suas pupilas. “Os exercícios são puxados, mas é um sofrimento maravilhoso”, diz a modelo fitness Patrícia Parada, 22 anos, ainda arfando depois de levantar 100 quilos em quatro séries de um misterioso aparelho para “extensão de quadril na polia”. A personal trainer traduz: “É o coice. Muito importante no treino”.

Carol, de amarelo, na aula de jump: alunas treinam “com sofrimento e felicidade” Leo Lemos/Veja Rio

A trilha sonora da sala de musculação comandada por Carol são os estridentes berros femininos de quem chegou ao limite do esforço físico. “Uuuuuahhhhh”, grita-se com gosto em todos os cantos. “Está para nascer alguém que aguente mais do que meia hora com ela”, diz a estudante de educação física e malhadora serial Talia Psiali, 23 anos. Um treino mais pesado é acompanhado com atenção e aplaudido pelas outras malhadoras. “Boa, amigaaaaaa”, ouviu, em coro, a engenheira mecânica Vanessa Garcia, de 26 anos, ao exercitar seus 69 centímetros de coxa numa extenuante sequência na cadeira extensora. Adepta do alongamento de cílios e das unhas enormes e quadradas, uma febre na DNA, Vanessa terminou a sequência entre lágrimas, exatamente o ponto que Carol, a “fada das bundas”, exige das alunas. “Vou até o limite de cada uma. Comigo não tem historinha”, decreta.

Antes de ser a rainha da DNA, Carol, de 36 anos, conciliou um emprego de recepcionista na própria academia com os estudos na faculdade de direito. Prestes a se formar, largou o curso e prestou vestibular para educação física, para desgosto dos pais. Deu tão certo que hoje, afirma, está com a vida financeira feita. “Só trabalho por hobby, meu amor. Sou apaixonada por isto aqui”, diz, do alto do 1,55 metro de corpo “socadinho”, como ela mesma o define, no qual o destaque é — adivinhou — a bunda. São 101 centímetros de quadris, apenas 9 a menos que Gracyanne Barbosa, 20 centímetros mais alta que Carol e musa-mor da mulherada fitness. Embora apregoe sem rodeios que, se quiser, poderá viver de renda para sempre “numa boa”, Carol não revela de jeito nenhum quanto recebe como personal trainer de suas setenta alunas nem o valor cobrado por workshops que ministra dentro e fora do Brasil — o mais recente no Chile —, muito menos o rendimento de seus treinos on-­line ou nas aulas coletivas da academia. Em matéria de dinheiro, o máximo que se arranca dela é que é pão-duro confessa, investe na poupança (“Sou antiga”) e adora bolsas de grife (“Meu vício. Tenho muitas”).

Com a aluna, extenuada: “Comigo não tem historinha, tiro o máximo de cada uma” Leo Lemos/Veja Rio

O segredo do progresso muscular das alunas, devidamente registrado no Instagram? “Trabalho específico para cada quadrante”, responde, referindo-se ao método que divide o traseiro em quatro partes: a “polpinha” (a parte de baixo, a mais afetada pela gravidade), o meio (a curva que arredonda), os culotes (as laterais) e o topo (na junção com a lombar). Cada uma dessas regiões é massacrada por Carol com exercícios apropriados a sua função. Segundo André Leta, mestre em biociências da atividade física pela UFRJ, não há muito o que inventar em treinamentos para glúteos. “São três principais movimentos: extensão, abdução e rotação externa dos quadris”, diz. No repertório da malhação de Carol, braços e ombros são meros coadjuvantes. “Mulher tem de ter pernas e bunda maiores do que a parte de cima, para manter a proporção feminina”, sentencia. Quem há de contrariar a fada?

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