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‘Grito de resistência’: Blocos do Rio são destaque no New York Times

'Criatividade foi turbinada no Brasil de Bolsonaro', diz jornal americano, que chamou atenção para a irreverência do carioca em seus protestos

Por Cleo Guimarães - Atualizado em 26 fev 2020, 17h48 - Publicado em 26 fev 2020, 17h13

Correspondente do “The New York Times” no Brasil, o colombiano Ernesto Londoño foi às ruas para mostrar aos leitores do jornal americano um pouco mais sobre o rico universo dos blocos cariocas. Em reportagem publicada nesta quarta-feira (26), ele chama atenção para a força criativa que brotou dos foliões em tempos “do presidente de extrema-direita Jair Bolsonaro” e do prefeito Marcelo Crivella, “um pastor evangélico”. “O Carnaval de rua do Rio sempre foi rico em irreverência e em sátiras políticas, mas a chegada de Bolsonaro ao poder fez com que a celebração virasse um ato de resistência”, escreveu.

O Baile Todo: bloco dedicado ao funk Maria Magdalena Arrellaga/NYT/Reprodução

Londoño não se prendeu aos blocos mais tradicionais e manjados da cidade, pelo contrário: sua reportagem visita, por exemplo, O Baile Todo, criado no ano passado para celebrar o funk. “A polícia costuma encerrar os bailes alegando que eles promovem atividades criminosas, como a venda de drogas”, destaca uma parte do texto. Polliana Souza, uma das criadoras das coreografias do bloco, explica ao repórter que, “como uma mulher negra” tem relação de amor e ódio com as ruas. “As rua me amam, mas muitas pessoas nela, não.” Por isso, acrescenta, dançar e cantar no Carnaval é como “um grito de resistência”. Segundo ela, o bloco foi criado para mostrar que o funk “é alegria, é família, é o povo todo dançando junto”.

Toco-Xona: bloco de resistência LGBT Maria Magdalena Arrellaga/NYT/Reprodução

A história do Toco-Xona, bloco de fundadoras lésbicas que passou a levantar bandeiras (literalmente) somente de uns tempos para cá, também é assunto da reportagem. O pavilhão com as cores do arco-íris, símbolo da causa LGBT, passou a ser onipresente nos desfiles desde que a diretoria percebeu que a visibilidade do grupo poderia ajudar na luta contra o preconceito. “Já que a gente tem um presidente que quer nos exterminar, é importante termos voz. Resistir significa continuar nas ruas“, afirma Michele Krimer, uma das fundadoras do Toco-Xona. O Tambores do Olokun, bloco percussivo que exalta o candomblé e a cultura africana também mereceu destaque no New York Times, assim como o Céu na Terra e o Cordão do Boitatá.

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