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Lela Gomes, dona de bar lésbico em Botafogo: ‘Tudo o que a sapatão gosta’

'Não dava mais pra ficar frequentando lugares underground, meio gueto. Não tem por que a gente ficar se escondendo', diz dona do Boleia

Por Cleo Guimarães - Atualizado em 11 mar 2020, 13h44 - Publicado em 11 mar 2020, 13h28

Chega uma hora que cansa. Ser gay e frequentar bares escondidinhos, “aquela coisa meio gueto” nunca foi a onda da DJ Lela Gomes nem de suas amigas do engajado movimento LGBT. Cansada de lidar com olhares de reprovação ao sair para se divertir, Lela resolveu investir no que ela mesma chama de “demanda altamente reprimida”: um bar pensado e explicitamente voltado para as lésbicas. A começar pelo nome: Boleia. De caminhão. Caminhoneira, pescou?

“Aqui tem tudo o que a sapatão gosta: cerveja de garrafa, sinuca, karaokê…”, exemplifica. Inaugurado em soft opening no último domingo (bem no Dia da Mulher), a casa, na Capitão Salomão, em Botafogo, só tem funcionárias mulheres (uma delas, trans), e decoração que inclui um corredor com neons nas cores do arco-íris, parte de um caminhão recoberto com glitter roxo, e a frase “Rebuceteie-se”, também luminosa, numa das paredes. Filha do diretor da TV Globo Rogério Gomes, o Papinha, Lela sabe que em tempos de gibis com beijo gay recolhidos na Bienal, do recrudescimento de políticas públicas voltadas à população LGBT e do conservadorismo em alta, um point lésbico – oh! – na Zona Sul do Rio – oh! – pode não agradar a todos. Homens héteros e cisgêneros também são bem-vindos por lá. “Desde que se comportem”, alerta. “Se alguma cliente se sentir assediada ou desconfortável, não tem nem papo: o cara vai ser convidado a sair de lá na mesma hora“. O bar, que serve comidinhas de botequim e drinques – além das adoradas cervejas de garrafa -, vem ficando bem cheio. “Mas ninguém se incomoda com a fila, tá todo mundo feliz com essa proposta, feliz de estar aqui”, conta a dona do Boleia, que conquistou 5 mil seguidores no Instagram num único dia.

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