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“Demorei para me libertar”, diz Angélica, prestes a estrear no streaming

“Passei a vida me comportando do jeito que as pessoas queriam”, diz a apresentadora, à frente de programa de entrevistas calcado na astrologia

Por Marcela Capobianco Atualizado em 18 set 2021, 19h06 - Publicado em 17 set 2021, 06h00

Após 24 anos na Rede Globo, Angélica, 47, encerrou o contrato de exclusividade com a emissora e decidiu se arriscar em terreno desconhecido. Acabou desaguando no streaming, onde vai pilotar o talk-­show Jornada Astral, após quase dois anos longe das câmeras.

Com estreia prevista para o fim do ano no HBO Max, a apresentadora (sagitariana) conversará com celebridades sobre como signos e planetas exercem influência na vida delas.

As amigas Xuxa e Eliana confirmaram presença. Esse é só um começo — Angélica já tem outros projetos engatilhados no mesmo canal para 2022, mas mantém suspense.

“Passei a vida me comportando do jeito que as pessoas queriam. Agora, não, estou livre, posso fazer minhas escolhas”, diz ela, que estreou na carreira aos 12 anos na TV.

De sua casa no Joá, Zona Oeste do Rio, onde vive com o marido, o também apresentador Luciano Huck, e os três filhos, ela falou a VEJA RIO, por videoconferência, sobre mudanças de rumo, desafios pandêmicos e a busca por autoconhecimento.

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De onde veio a ideia de falar sobre astrologia na televisão? Sempre fui um pouco mística. Fiz meu primeiro mapa astral aos 16 anos e, há dois, conheci um astrólogo que me impressionou. Estava envolvida com o assunto, o projeto já existia e fui convidada a apresentar. Tudo casou.

O mapa astral baliza suas decisões? Não acho que essa dependência seja sadia. Para mim, a astrologia serve como um alerta. Se o astrólogo recomenda, por exemplo, prestar mais atenção à família num certo período, eu vou prestar.

Isso ocorreu durante a pandemia, com três filhos em casa com aulas remotas? Meu astrólogo avisou, em novembro de 2019, que eu viveria um momento complicado, mas não imaginei a barra que seria. Foi um desafio tremendo, porque a Eva (a caçula) estava na alfabetização. Do dia para a noite, virei professora, dona da cantina, controladora de recreio — um stress danado.

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A relação com Luciano também complicou? Sei que para muitos casais a quarentena foi de terror e pânico, mas, para nós, proporcionou um momento de reconexão. Descobrimos que ficamos bem juntos, direto no mesmo espaço. Claro que vivendo em uma casa grande, quando o bicho pegava, eu ia para um canto e o Luciano para o outro.

Ficou aliviada quando ele desistiu da campanha presidencial? Seria muito egoísta da minha parte dizer que fiquei aliviada. Estamos vivendo tempos muito ruins.

Chegou a desencorajá-lo da ideia? Não. Estaria ao lado dele caso quisesse concorrer. A preocupação social do Luciano é legítima, ele gosta de gente e tem vontade de mudar as coisas.

Como foi romper com a Globo após 24 anos? Foi um alívio. Tive uma sensação de liberdade que nunca havia experimentado. Por contrato, a HBO mantém prioridade sobre minha agenda, mas fiquei livre de amarras e pude dar asas à criatividade, algo que nunca tinha tido na vida. Trabalho desde os 4 anos e acabei passando muito tempo presa a ideias que as pessoas cultivavam de mim. Em 2015, quando eu e minha família sofremos um acidente de avião, senti que ganhei uma nova chance para viver. Três anos depois, iniciei um período sabático em que comecei a cuidar de mim de dentro para fora.

“Seria muito egoísta da minha parte dizer que fiquei aliviada quando o Luciano desistiu de concorrer à Presidência”

De que maneira? Abandonei a preocupação com a beleza, aprendi a me importar menos com a opinião dos outros e entendi muito sobre mim mesma. Sempre tive uma figurinista para me vestir. Só aos 44 anos me permiti comprar as roupas de que realmente gosto. Passei a vida desempenhando um papel que agradasse ao público e aí, nesse período sabático, fiz questão de ser verdadeira com meus sentimentos. A meditação ajudou muito nesse processo de autoconhecimento.

Como veio a decisão de migrar para o streaming? Eu já vinha tendo essa ideia, queria arriscar, minha alma sagitariana estava pedindo por isso, apesar de eu ainda ser muito analógica. Mas meus filhos têm uma visão completamente digital e me incentivaram. Para eles, já não faz mais sentido ter de esperar dia e horário para assistir a um determinado programa.

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A tecnologia ainda a assusta? A potência da internet, sim. Vivemos em um país enorme no qual muita gente ainda não tem acesso a informação, um terreno perfeito para a disseminação de notícias falsas, sem contar os discursos de ódio. Na mão de alguns, a internet é uma arma, e nem todos têm estrutura emocional para lidar com os ataques virtuais. Como mãe de adolescentes, eu redobro a atenção sobre o que eles consomem.

Considera-se feminista? Claro. Quando a minha filha nasceu, parei para refletir sobre quanto já conquistamos, mas há ainda um longo caminho. Ninguém pode dizer para uma mulher o que ela pode ou deve fazer, um pensamento patriarcal que aos poucos vamos desconstruindo. É importantíssimo buscar não apenas a equidade de salários, mas também a liberdade dentro de casa. Faz bem pouco tempo que as mulheres passaram a sentir-se livres para se tocar, se conhecer, ter prazer.

Sua frase “vibrador é vida” teve alta repercussão. O apetrecho é um aliado do casamento? Com certeza. Quando o casal tem intimidade, o sexo é muito melhor, ainda mais num casamento, que precisa ser transformado diariamente. Ouvi comentários machistas dizendo que a mulher usa vibrador porque o marido não dá conta. Pelo contrário, acredito que assim ele mostra que está muito mais seguro de si.

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