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Moacyr Luz sobre Aldir Blanc: ‘Eu o amava muito, vai fazer falta demais’

Compositor lembra da forte amizade que os uniu por mais de 20 anos; Blanc, morto nesta segunda (04), o impressionava pela genialidade e gosto pela leitura

Por Cleo Guimarães - Atualizado em 4 Maio 2020, 11h04 - Publicado em 4 Maio 2020, 11h02

Internado desde o dia 10 de abril – a princípio com infecção urinária e pneumonia, quadro que evoluiu para infecção generalizada em decorrência do novo coronavírus -, Aldir Blanc morreu nesta segunda-feira (4 de maio), aos 73 anos. Amigo do compositor e escritor há mais de 20 anos, Moacyr Luz falou a VEJA RIO sobre a admiração pelo parceiro: “A gente tinha laços sanguíneos. Não sei se ele era meu pai, meu filho, meu tio, meu primo, meu amigo, contraparente. Mas éramos ligados.”

“Fui morar no prédio do Aldir em 1983, na maior coincidência, minha mãe foi morar lá e eu fui morar com ela. Uma vez nos esbarramos na rua, fui dar uma carona para ele e descobrimos que éramos vizinhos. De lá para cá foram 23 anos de muita amizade, muita música… Mas principalmente, amizade. Prédio de quatro andares, onde ele morava até hoje, e eu mandava fita pelo elevador, pelo faxineiro do prédio e assim fui construindo com ele uma carreira que temos mais de 100 músicas.

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Umas tantas inéditas perdidas na memória. Passagens juntos, viagens de férias juntos. Impressionante a capacidade do Aldir tinha de absorver o que ele lia. Tinha um assunto, a queda do Império Romano… A gente alugou uma casa no Recreio e ele queria ler sobre a queda. Eram 10, 12 livros do tamanho de tijolo cada um. E ele lia com maior interesse. Outra vez fomos para Lambari e ele levou cinco malas. Uma tinha um abajur, a outra tinha roupa, e o resto era tudo livro. Ele lendo enquanto a gente curtia.

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Passamos férias em Búzios com as crianças, quando fizemos inclusive a música ‘Catavento e Girassol’. A gente fez ‘Saudade da Guanabara’ num momento difícil falando sobre a situação do Rio de Janeiro. Temos ‘Coração do agreste’,  ‘Medalha de São Jorge’… A gente tinha laços sanguíneos. Não sei se ele era meu pai, meu filho, meu tio, meu primo, meu amigo, contraparente. Mas éramos ligados. Ríamos diariamente no telefone. Aldir imitava pessoas, pouca gente sabe disso. Além da voz, fazia gesto com o corpo, era engraçado. Um gênio. Na casa dele devia ter duas camisas e o resto livro, ele não se importava com nada. Só com ler, estudar e se dedicar. Vai fazer uma falta incrível, não só para mim e meus amigos, mas para todos nós. Eu o amava muito”

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