Continua após publicidade

7 filmes para celebrar o rebelde Paulo César Pereio, morto aos 83 anos

Artista atuou em mais de sessenta filmes, indo do cinema novo à pornochanchada, tendo trabalhado com cineastas como Glauber Rocha e Arnaldo Jabor

Por Redação VEJA RIO Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO
13 Maio 2024, 16h17

Morreu neste domingo (12),  83 anos, o ator Paulo César Pereio, nome emblemático do cinema nacional. Ele estava internado no Hospital Casa São Bernardo, na Barra, para tratar problemas hepáticos. Desde 2020, ele vivia no Retiro dos Artistas, em Jacarepaguá.

De acordo com a casa de saúde, o ator foi levado ao hospital durante a madrugada, já em estado grave. O velório será nesta terça (14), no cinema Estação Net Rio, em Botafogo, das 10h às 15h. O corpo será enterrado às 16h30 no Cemitério São João Batista, no mesmo bairro.

+ O charme do crochê que sai da favela para brilhar na moda autoral

Considerado um ícone da rebeldia, atuou em mais de sessenta filmes, indo do cinema novo à pornochanchada, e tendo trabalhado com cineastas importantes, como Glauber Rocha, Hector Babenco, Arnaldo Jabor, Hugo Carvana e Ruy Guerra.

Compartilhe essa matéria via:

Integrou o elenco da peça Roda Viva, de Chico Buarque que teve lendária montagem dirigida por Zé Celso Martinez Corrêa, em 1968. Também teve atuações marcantes na televisão, tendo participado de novelas como Partido Alto, Roque Santeiro, Mandala, O Salvador da Pátria, A Viagem e Duas Caras.

Foi casado três vezes: com a atriz Neila Tavares, mãe da produtora Lara Velho; com a atriz e apresentadora Cissa Guimarães, com quem teve dois filhos — o artista plástico Thomaz Velho e o ator João Velho; e com Suzana César de Andrade, que não é do meio artístico, com quem teve Gabriel Velho.

Continua após a publicidade

+ Apaixonados pelo Rio, bailarinos de Madonna vão a Búzios e à Pedra do Sal

eu-te-amo
Peréio e Sonia Braga: atores contracenaram no longa Eu Te Amo, de Arnaldo Jabor (./Divulgação)

Em suas redes sociais, Cissa Guimarães postou uma homenagem ao ex-marido neste domingo (12). “Eu era uma menina e você me mostrou o mundo e o amor pelo nosso ofício. Fizemos filhos e história, meu amor, e agora temos nossos netos lindos para continuar nosso amor, que será sempre eterno!”, escreveu Cissa.

Já o ator João Velho, filho dos dois, agradeceu as mensagens de apoio e destacou a importância do pai. “Morre com ele um pouco da história do cinema, da nossa cultura. Ao mesmo tempo que é um dia de tristeza, também é de celebração, pois o meu pai sempre viveu a vida com muita intensidade”, afirmou.

+ “Moda é cultura”, diz Tati Accioli, curadora do Festival Carandaí 25

Paulo César de Campos Velho nasceu em Alegrete, no Rio Grande do Sul, em 19 de outubro de 1940. Seu pai era militar e a mãe trabalhava na Assembleia Legislativa. Quando ele tinha 12 anos, sua família se mudou para Porto Alegre. Ao lado de artistas como Paulo José e Lilian Lemmertz (mãe da atriz Julia Lemmertz), fez parte do Teatro de Equipe, grupo de atores que marcou o teatro gaúcho nos anos 1950.

Continua após a publicidade

O nome “Peréio” vem de um apelido de infância. “Desde que comecei a dar os primeiros passos, e até hoje, tenho esse andar um pouco jogado pra frente, parecia um preto velho e me apelidaram de ‘Nego Véio’ por causa disso, e aí minha irmã Rosa, que não falava direito, me chamava de Vevéio, e meu pai brincava comigo: Vevéio, Pereio, Peio, acabou virando Peréio”, contou o ator.

+ Em um dia, Felipe Neto arrecada R$ 1,6 mi para vítimas da chuva no RS

Veja sete filmes marcantes de sua carreira:

Bang Bang (1971), de Andrea Tonacci

Estreia do diretor em longas, esse filme emblemático co cinema marginal brasileiro (ou udigrudi, ou de invenção) não chegou a ser exibido no circuito comercial brasileiro, apenas em salas independentes, mas é um dos mais marcantes da carreira do artista. Natram, o ator de um filme em realização, interpretado por Peréio, vive sem distinção a sua realidade e a ficção de seu personagem. Enquanto busca sentido, ele é vive situações bizarras, como um romance com uma bailarina espanhola e perseguições por figuras como bandidos, entre outras.

Toda Nudez Será Castigada (1972), de Arnaldo Jabor

Baseado na peça homônima de Nelson Rodrigues, o filme conta a história de Herculano (Paulo Porto), viúvo conservador que jura a seu filho Serginho (Paulo Sacks) que nunca terá uma outra mulher. Porém, ele acaba se apaixonando por uma prostituta, Geni (Darlene Glória), que conhece através de seu irmão Patrício (Paulo César Peréio), que busca que Herculano volte a sustentar seus vícios. Quando resolve se casar com Geni, gera uma série de conflitos em sua família, entre eles a prisão de Serginho por uma briga de bar, em uma sucessão de episódios dramáticos.

Vai Trabalhar, Vagabundo! (1973), de Hugo Carvana

Dino (Hugo Carvana) acabou de deixar a prisão e quer aproveitar a liberdade, revendo os velhos amigos e namoradas. Sem dinheiro, vive de pequenos trambiques. Ao saber que o local onde jogava sinuca está em baixa, resolve promover mais uma vez o maior confronto da história da malandragem carioca, entre Babalu (Nelson Xavier) e Russo (Paulo César Pereio). Porém, Russo está internado em um hospício, enquanto Babalu largou a antiga vida ao se casar com Vitória (Rose Lacreta). Mas nada que Dino não possa resolver.

Continua após a publicidade

As Aventuras Amorosas de um Padeiro (1975), de Waldyr Onofre

Na trama, Rita (Maria do Rosário) é uma mulher recém-casada que se desilude com o marido, Mário (Ivan Setta), e acaba se envolvendo com o padeiro Marques (Paulo César Peréio) e, mais tarde, com o artista plástico Saul (Haroldo de Oliveira). O longa rendeu o Kikito de melhor ator coadjuvante a Peréio no Festival de Gramado.

Eu Te Amo (1981), de Arnaldo Jabor 

Nesse drama, Paulo (Peréio) é um industrial recém-separado e falido durante o “milagre econômico” dos anos 70 e se envolve com Maria (Sônia Braga). Ao mesmo tempo que os dois desejar desesperadamente se amar, têm medo de se entregar ao encontro.

Sagrada Família (1986), de Sylvio Lanna

Nesse filme um tanto radical, Peréio é Zambio, o patriarca de uma família burguesa formada por quatro membros que embarca em uma estranha viagem, conduzida por um guru. Ao longo da jornada, eles vão se desfazendo dos bens materiais e de sua história.

Peréio, Eu Te Odeio (2023), de Alan Sieber e Tasso Dourado

Entre depoimentos de amigos, filhos e outras pessoas que conviveram com o artista, como a ex-mulher Cissa Guimarães e os atores Maitê Proença e Hugo Carvana, além do próprio Peréio, o longa retrata  de forma bem-humorada e pouco convencional a personalidade controversa do artista. Último filme do ator, o documentário tem Lara Velho, filha mais velha de Peréio, como produtora.

+ Para receber VEJA RIO em casa, clique aqui

Continua após a publicidade
Publicidade

Essa é uma matéria fechada para assinantes.
Se você já é assinante clique aqui para ter acesso a esse e outros conteúdos de jornalismo de qualidade.

Domine o fato. Confie na fonte.
10 grandes marcas em uma única assinatura digital
Impressa + Digital no App
Impressa + Digital
Impressa + Digital no App

Informação de qualidade e confiável, a apenas um clique.

Assinando Veja você recebe mensalmente Veja Rio* e tem acesso ilimitado ao site e às edições digitais nos aplicativos de Veja, Veja SP, Veja Rio, Veja Saúde, Claudia, Superinteressante, Quatro Rodas, Você SA e Você RH.
*Para assinantes da cidade de Rio de Janeiro

a partir de R$ 39,90/mês

PARABÉNS! Você já pode ler essa matéria grátis.
Fechar

Não vá embora sem ler essa matéria!
Assista um anúncio e leia grátis
CLIQUE AQUI.