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Turma de 72: artistas festejam os cinquenta anos de discos icônicos da MPB

Ano fundamental para a música brasileira terá alguns de seus principais discos relançados em LP e CD, com festas e shows comemorativos

Por Bernardo Araujo
20 Maio 2022, 06h00

Começou a circular o Expresso 2022 da MPB, que parte direto de 1972 para celebrar o meio século de um ano especial para a música brasileira. O pessoal que estava batendo na casa dos 30 naquela época — entre eles os hoje oitentões (ou quase) Caetano Veloso, Gilberto Gil, Milton Nascimento e Paulinho da Viola — colocou então nas vitrolas alguns dos mais icônicos discos da história da música brasileira, a começar por Acabou Chorare, dos Novos Baianos, eleito pela revista Rolling Stone o maior disco em toda a profícua estrada da MPB. Somam-se ao rol dos célebres lançamentos de cinquenta anos atrás Transa, de Caetano, gravado no Chappell’s Recording Studios, em Londres; Elis, o famoso “disco da cadeira”, que ficou assim conhecido pela foto que estampa a capa; A Dança da Solidão, de Paulinho da Viola; e o próprio Expresso 2222, de Gil, que mais tarde, lá no fim dos anos 1990, passou a batizar seu trio elétrico na Bahia.

Com o Ocidente chacoalhado por golpes e guerras, nos anos de 1970 a cultura enveredava por um caminho de desconstrução — e uma pluralidade de estilos se revelava na música. Foi justamente em meio a essa ebulição que a MPB deu tantos bons frutos, agora relançados com edições especiais e muita comemoração. Organizado conceitualmente pelo poeta e compositor niteroiense Ronaldo Bastos, letrista de seis das 21 canções de Clube da Esquina, um dos mais cultuados do pacote cinquentenário acaba de ser eleito o melhor álbum brasileiro já lançado no país, em eleição promovida pelo Podcast Discoteca Básica com 160 especialistas. Não à toa, motivou uma exposição, um festival de cinema e uma sequência de shows no início do ano, em Belo Horizonte. Responsável por exibir ao mundo o encontro da música mineira com os Beatles e outras influências, o disco, produzido em plena ditadura militar, ganhou novos arranjos para desfilar em cenários por onde andavam Milton Nascimento, Lô Borges e mais expoentes da turma que imprimiu seu talento em músicas como Cais, O Trem Azul e Nada Será Como Antes.

“Essas compilações estão de volta rejuvenescidas, revalidadas aos cinquenta anos”, diz Marcelo Castello Branco, presidente da União Brasileira de Compositores e ex-presidente das gravadoras Universal e EMI. “Elas seguem contemporâneos, transcendentais. São hinos atemporais, pilares e referências dos melhores e mais instigantes momentos da nossa MPB”, acrescenta.

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Apesar do duro golpe com a morte repentina de Moraes Moreira, vítima de um infarto em abril de 2020, os Novos Baianos também já ensaiam um retorno, que rendeu lives durante a pandemia e a apresentação em um camarote da Marquês de Sapucaí no Carnaval. No show, Baby & Pepeu tiveram a companhia de Paulinho Boca de Cantor e Jorginho Gomes, baterista e irmão de Pepeu. Aos 84 anos e com problemas de saúde, Luiz Galvão, o decano do grupo, não participou da performance dos clássicos Brasil Pandeiro, A Menina Dança, Preta Pretinha, Mistério do Planeta, Besta É Tu e outros tantos lançados naquele 1972. “Trata-se de um marco fundamental da nossa música, que serviu de inspiração para as próximas gerações”, define Evandro Mesquita, frequentador dos ensaios no galinheiro do sítio em Vargem Grande e das partidas de futebol com os amigos baianos, como se vê na capa do disco Novos Baianos F.C., de 1973. “Eles traziam um frescor na levada de samba enquanto adicionavam o melhor do rock que vinha do exterior, como o de Jimi Hendrix. Aquele trio de Pepeu, Jorginho e Dadi quebrava tudo, ao lado da poesia surreal e encantadora do Galvão”, comenta.

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Pepeu e Baby: novamente nos palcos entoando os clássicos de 72 -
Pepeu e Baby: novamente nos palcos entoando os clássicos de 72 (Dario Zalis/Divulgação)

Tirando Acabou Chorare, que é da gravadora Som Livre (dirigida naquele tempo por João Araújo, pai de Cazuza), quase todos os demais discos são do acervo da Universal — embora originalmente vários tenham saído por companhias diferentes. E todos eles terão seus respectivos relançamentos, shows comemorativos e festinhas, garante o presidente da Universal, Paulo Lima. “Iremos trazê-los de volta aos poucos, para que cada um tenha o devido destaque, e com uma série de surpresas”, afirma o executivo, que prevê explorar formatos antológicos. “Fazemos questão de ter os discos físicos também, em LP e CD, porque o fã gosta de colecionar, mesmo que nem abra a embalagem e ouça mesmo as músicas no streaming. O objeto acaba sendo uma ponte para o digital, além de apresentar a obra para as novas gerações”, explica. A Dança da Solidão, que solidificou a carreira do jovem Paulo César Batista de Faria, vulgo Paulinho da Viola, com músicas como Guardei Minha Viola, No Pagode do Vavá e a faixa-título, é mais um que deve ganhar relançamento até o fim de 2022, assim como Hoje É o Primeiro Dia do Resto da Sua Vida, de Rita Lee, também celebrando jubileu de ouro.

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O ano de 1972, aliás, é simbólico também para o rock internacional, que então deu ao mundo discos como Exile on Main St., dos Rolling Stones, Close to the Edge, do Yes, Thick As a Brick, de Jethro Tull, e The Rise and Fall of Ziggy Stardust and the Spiders from Mars, de David Bowie. A propósito, duas bandas contemporâneas do gênero vão homenagear o fértil ano musical em futuros discos, os Black Crowes e o Green Day: ambos reservam para este ano exemplares chamados 1972. Além de todos os LPs, CDs e inserções no streaming, Caetano e Gil ganharão lançamentos especiais de suas obras em edições luxuosas, com caixas especiais e material extra, ambos relacionados ao período que viveram em Londres. “São discos simbólicos na carreira dos dois”, lembra Paulo Lima. Expresso 2222 é o álbum de Gil na volta do exílio. Transa é o LP bilíngue do Caetano, com músicas em inglês como Nine Out of Ten e You Don’t Know Me, essa última incluída no repertório que o baiano apresenta na turnê Meu Coco, seu mais novo trabalho, que regressa ao Rio em junho com três apresentações na cidade, no Vivo Rio, todas já com os ingressos esgotados. Prova de que estão mais atuais do que nunca.

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