TEATRO

Pobre menina rica

Bárbara Paz exibe talento e dedicação no drama Hell

Por: Carlos Henrique Braz - Atualizado em

AVALIAÇÃO ✪✪✪

João Caldas  / Divulgação
(Foto: Redação Veja rio)

Para boa parte do público carioca, Bárbara Paz ainda é aquela moça chorona que venceu a primeira edição do reality show Casa dos Artistas, exibida no SBT há quase dez anos. Ela também pode ser lembrada pela participação nas novelas Viver a Vida e Morde & Assopra, da TV Globo, mas não seria justo. No drama Hell, adaptação de Hector Babenco e Marco Antônio Braz para o best-seller Hell ? Paris 75016, escrito pela francesa Lolita Pille em 2003, a atriz demonstra intimidade com o palco. Seu desempenho é resultado do talento aprimorado em mais de quinze peças encenadas em São Paulo, com importantes companhias como Parlapatões, Pia Fraus e Grupo Tapa. Concentrada no papel-título, Bárbara compõe uma bela, fútil e arrogante jovem socialite na fase glamourosa, que frequenta badalados restaurantes e a área vip das melhores boates parisienses. Com a personagem, vai até a fase da decadência, em que a elegância inicial se descompõe conforme se acumulam as noites de muito álcool, drogas e sexo irresponsável. O fundo do poço chega após a perda de seu amado Andrea, um playboy interpretado a contento por Paulo Azevedo. Na direção, Babenco imprime ritmo ágil, com muitas trocas de roupa e falas aceleradas. Nota-se a intenção de preservar o estilo literário do interessante texto, mas por vezes o tom fica muito recitativo. Um acerto, a cenografia de Felipe Tassara é quase limitada ao closet da protagonista. Cercada por modelos de grifes caras, bem representados pelos figurinos de Giovanni Bianco, ela usa o espaço como um oráculo, no qual alterna reflexões sobre o vazio de sua vida com dilemas triviais a respeito de que vestido ou acessório usar. A iluminação de Beto Bruel ajuda a caracterizar outras locações da narrativa.

Hell (70min). 14 anos. Estreou em 13/5/2011. Teatro dos Quatro (402 lugares). Rua Marquês de São Vicente, 52, 2º piso (Shopping da Gávea), Gávea, ☎ 2274-9895. → Quinta a sábado, 21h30; domingo, 20h. R$ 60,00 (qui.), R$ 70,00 (sex.) e R$ 80,00 (sáb. e dom.). Bilheteria: a partir 15h (qui. a dom.). IC. Estac. (R$ 6,00 por cinco horas). Até 31 de julho.

Fonte: VEJA RIO