TEATRO

Jogos de poder

Boa dinâmica entre os dois únicos atores em cena vale o ingresso para Vênus em Visom, dirigido por Hector Babenco

Por: Rafael Teixeira - Atualizado em

AVALIAÇÃO ✪✪✪

Guga Melgar/divulgação
(Foto: Redação Veja rio)

Escrito pelo austríaco Leopold von Sacher-Masoch, o romance A Vênus das Peles inspirou o termo masoquismo, derivado do sobrenome do autor, por causa das cenas de submissão que permeiam a trama. Relações de dominação também estão no cerne de Vênus em Visom, do americano David Ives, atração no Teatro do Leblon. Montada originalmente em 2010, no circuito alternativo de Nova York, a comédia meio angustiante, com toques de humor negro, estreou na Broadway um ano depois. Por aqui, Bárbara Paz repete a parceria com o diretor Hector Babenco, seu marido, iniciada em Hell (2011). Ela encarna Wanda, jovem e destrambelhada atriz atrasada para um teste diante do diretor Thomas Novachek (Pierre Baitelli), que vai montar uma adaptação da obra de Sacher-Masoch. Arma-se, então, um jogo de poder em dois planos: o da relação entre atriz e diretor e o do envolvimento entre os personagens vividos por ambos no ensaio. O clima de tensão sexual dá margem a uma ou outra cena de nudez, mas nada vulgar ou gratuito. Babenco investe na dinâmica entre os atores, e dela extrai boa parte do mérito da peça. Bárbara confirma intimidade com o palco, enquanto Baitelli tem desempenho magnético (90min). 14 anos. Estreou em 17/10/2013.

Teatro do Leblon ? Sala Marília Pêra (408 lugares). Rua Conde Bernadotte, 26, Leblon, ☎☎2529-7700. Quinta a sábado, 21h; domingo, 20h. R$ 60,00 (qui.), R$ 80,00 (sex. e dom.) e R$ 90,00 (sáb.). Bilheteria: a partir das 15h (qui. a dom.). Cc: D, M e V. Cd: todos. IC. Estac. (R$ 4,00 a cada meia hora). Até 22 de dezembro.

Fonte: VEJA RIO