TEATRO

Entre amigos imaginários

Adaptação do romance Todos os Cachorros São Azuis revela os tormentos e a riqueza intelectual de Rodrigo de Souza Leão

Por: Carlos Henrique Braz - Atualizado em

AVALIAÇÃO ✪✪✪

Tomás Rangel / Divulgação
(Foto: Redação Veja rio)

Jornalista, escritor e poeta carioca, Rodrigo de Souza Leão (1965-2009) também frequentou aulas na Escola de Artes Visuais do Parque Lage. Deixou cerca de quarenta telas ? está prevista, ainda para este ano, uma exposição com as obras no Museu de Arte Moderna. A produção literária e no ateliê ajudou-o a conviver com a esquizofrenia até a morte, aos 43 anos, em uma clínica psiquiátrica. Todos os Cachorros São Azuis, o primeiro de seus três livros, publicado pela Editora 7 Letras, empresta o título e um norte ao espetáculo conduzido por Michel Bercovitch. Autores da peça, o diretor, Flavio Pardal e Ramon Mello foram além do romance. Aos relatos de Souza Leão sobre sua rotina no hospício e a nova religião, com idioma próprio, criada por ele, somaram-se outros elementos biográficos, poemas, trechos de cartas e fotografias.

Desse universo emergem os personagens em cena. Bruna Renha, Camila Rhodi, Gabriel Pardal, Natasha Corbelino e Ramon Mello dão vida a cinco facetas do protagonista, além de encarnar papéis como os de médicos e enfermeiros. Rui Cortez criou os figurinos similares e o versátil cenário. Grades, manipuladas pelo elenco, compõem, entre outros ambientes, labirinto, cela, corredor e paredão. Precisa, a iluminação de Tomas Ribas valoriza a movimentação no palco e apoia a narrativa não linear. No desenrolar da sessão surgem ilustres amigos imaginários. Os poetas Rimbaud e Baudelaire, por exemplo, são companheiros nos momentos de internação. Sem interpretações brilhantes, o drama cativa pelo belo texto. Trata-se de um instigante caldeirão de referências do autor, repleto de citações de mestres das letras como Fernando Pessoa.

Todos os Cachorros São Azuis (80min). 16 anos. Estreou em 10/7/2011. Teatro Maria Clara Machado - Planetário da Gávea (124 lugares). Rua Padre Leonel Franca, 240, Gávea, ☎ 2274-7722. Sábado, 21h; domingo, 20h. R$ 30,00. Bilheteria: a partir das 15h (sáb. e dom.). Até 4 de setembro.

Fonte: VEJA RIO