TEATRO

Luz na escuridão

O ator em seu primeiro monólogo: angústia pela cegueira anunciada

Por: Carlos Henrique Braz - Atualizado em

Paula Kossatz/divulgação
(Foto: Redação Veja rio)

No segundo trabalho com a diretora Christiane Jatahy, e estreando em monólogos, Eduardo Moscovis demonstra que sua opção pelo teatro passa longe do oportunismo, do batido recurso de aproveitar a fama na TV para encher plateias. A escolha de O Livro, peça de tom filosófico de Newton Moreno, não é exatamente o melhor atalho para o sucesso comercial. Na trama, o personagem sem nome recebe pelo correio um pacote com o livro enviado por seu pai, além da notícia inesperada: ele vai perder a visão nos próximos minutos. Diante da sentença de arrepiar, alterna momentos distintos. Lê obsessivamente as páginas e sucumbe à angústia provocada pela cegueira anunciada até aceitar sua sina.

Infelizmente, o texto de Moreno é frágil, não tem a mesma eficiência de outras obras de sua autoria, a exemplo de As Centenárias e Maria do Caritó. A dramaturgia não conduz a lugar nenhum, apesar de a premissa sugerir caminhos interessantes. Ainda assim, é louvável a originalidade do trabalho do ator e da encenadora. No cenário, também concebido por Christiane, há apenas uma cadeira, uma enorme bobina de papel no fundo do palco e uma mesa com comandos de luz e som. Cabe a Moscovis acender e apagar as luzes, além de colocar a música. Em outros momentos, ele se descola do papel e pede ajuda a espectadores para realizar a cena. O expediente funciona. Artista e personagem, cada um a seu modo, conquistam a cumplicidade e a solidariedade do público.

O Livro (45min). 12 anos. Estreou em 13/8/2010. Espaço Cultural Sérgio Porto (120 lugares). Rua Humaitá, 163, Humaitá, ☎ 2535-3846. Sexta e sábado, 21h; domingo, 20h. R$ 20,00. Bilheteria: a partir das 17h (sex. a dom.). Até dia 31.

Fonte: VEJA RIO