TEATRO

Inconfidências mineiras

Perversões e infidelidades recheiam a trágica trama de Crônica da Casa Assassinada

Por: Carlos Henrique Braz - Atualizado em

AVALIAÇÃO ✪✪✪

João Caldas / Divulgação
(Foto: Redação Veja rio)

Há um ano Gabriel Villela trouxe para o Rio sua montagem de Calígula, de Albert Camus, surpreendendo a plateia com uma versão mais bem-comportada do personagem. Desta vez, no drama Crônica da Casa Assassinada, o diretor confronta o espectador com tórridas cenas de sexo. Seus excessos não ofuscam a força do texto, adaptado por Dib Carneiro Neto a partir do romance homônimo escrito em 1959 pelo mineiro Lúcio Cardoso (1912-1968).

A trama guarda semelhanças com tragédias de Nelson Rodrigues (1912-1980). Gira em torno da fogosa Nina, em interpretação segura de Xuxa Lopes. Ela é uma carioca sofisticada, casada com Valdo (Flávio Tolezani), membro de decadente família da aristocracia rural no interior de Minas Gerais. A plateia acompanha a história a partir do retorno de Nina, doente de câncer, para a Chácara Meneses, na fictícia cidade de Vila Velha. Mais nova, ela foi expulsa do casarão, acusada pelo cunhado Demétrio (Rogério Romera) de ter engravidado do jardineiro Alberto (Helio Souto Jr.).

A esta altura, seu filho André (Pedro Henrique Moutinho) já é um homem feito e se apaixona pela mãe. Verdades do passado surgem aos poucos até a peça culminar com a inesperada revelação final. Em meio a exageros de volúpia, digamos assim, cabe ressaltar os desempenhos de Letícia Teixeira (a recalcada cunhada Ana), Sérgio Rufino (o homossexual Timóteo, que usa as roupas da falecida mãe) e Maria do Carmo Soares (a governanta que tudo sabe). Também são caprichados os figurinos de Villela e o cenário de Márcio Vinícius, constituído de uma mesa de jantar e de uma reprodução do portal da Igreja de São Francisco de Assis, de Ouro Preto.

Crônica da Casa Assassinada (70min). 12 anos. Estreou em 4/6/2011. Teatro Maison de France (352 lugares). Avenida Presidente Antônio Carlos, 58, Centro, ☎ 2544-2533. Sexta e sábado, 21h; domingo, 19h. R$ 40,00 (sex.), R$ 50,00 (dom.) e R$ 60,00 (sáb.). Bilheteria: a partir das 15h (sex. a dom.). IC. Estac. c/manobr. (R$ 10,00). Até 17 de julho.

Fonte: VEJA RIO