TEATRO

Uma Vida Boa

Crime de ódio, um dos mais famosos dos Estados Unidos, rendeu assunto para um filme e uma peça

Por: Rafael Teixeira - Atualizado em

AVALIAÇÃO ✪✪✪

Renato Mangolin/divulgação
(Foto: Redação Veja rio)

No fim de 1993, dois ex-presidiários promoveram uma matança dentro de uma casa no sudeste do estado americano de Nebraska. Mais do que os assassinatos em si, a revelação da identidade de

uma das vítimas deixou perplexos os moradores da região: Brandon Teena, jovem de 21 anos que, pelo jeito e pela aparência, todos julgavam ser um rapaz, descobriu-se mais tarde, havia nascido mulher. O crime de ódio, um dos mais famosos dos Estados Unidos, rendeu assunto para um filme e uma peça. No cinema, o longa Meninos Não Choram, de 1999, deu o Oscar à atriz Hilary Swank, por seu desempenho no papel principal. Atração no Oi Futuro Flamengo, Uma Vida Boa é a primeira montagem teatral brasileira diretamente inspirada no episódio. No texto de Rafael Primot, Brandon é apenas B (Amanda Vides Veras). Com seus cabelos curtos, roupas masculinas, jeito de

homem e desejo por garotas, ele não provoca nenhuma desconfiança quanto a seu gênero de nascença. Recém-chegado a uma pequena cidade, apaixona-se perdidamente - e é correspondido - por L (Julianne Trevisol), jovem aspirante a cantora, e faz amizade com J (Daniel Chagas), sujeito abrutalhado, responsável pelo trágico desfecho da trama. A inventiva direção de Diogo Liberano parece querer espelhar a dualidade do protagonista: em contraste com o texto impregnado de realidade, a condução das cenas se revela mais evocativa, com amplo aproveitamento da belíssima iluminação de Daniela Sanchez. Julianne e Daniel entregam corretamente o que seus personagens demandam, mas deve-se destacar o trabalho de Amanda, tão minucioso quanto comovente (60min). 18 anos. Estreou em 14/3/2014.

Oi Futuro Flamengo (63 lugares). Rua Dois de Dezembro, 63, Flamengo, ☎ 3131-3060, ? Largo do Machado. Quinta a domingo, 20h. R$ 20,00. Bilheteria: a partir das 14h (qui. a dom.). Até 25 de maio.

Fonte: VEJA RIO