TEATRO

Trágica.3

Montagem é uma releitura de três personagens femininas pinçadas de tragédias gregas: Antígona, Electra e Medeia, cada uma com um segmento próprio dentro do espetáculo

Por: Rafael Teixeira

AVALIAÇÃO ✪✪✪✪

gustavo leme/divulgaçÃo
(Foto: Redação Veja rio)

Montagem com o recorde de cinco menções na primeira lista de indicados à edição paulistana do Prêmio Shell de 2014, este projeto do diretor Guilherme Leme justifica plenamente os elogios que vem colhendo. Trata-se de uma releitura de três personagens femininas pinçadas de tragédias gregas: Antígona, Electra e Medeia, cada uma com um segmento próprio dentro do espetáculo. No primeiro, em adaptação de Caio de Andrade, Letícia Sabatella dá voz com notável entrega à mulher atormentada pela necessidade de enterrar dignamente o irmão. Em seguida, uma austera Miwa Yanagizawa encarna, na versão de Francisco Carlos, a vingadora do pai assassinado pela própria mãe. No único texto não encomendado pelo diretor, do alemão Heiner Müller, Denise Del Vecchio, arrebatadora, interpreta a nefasta personagem que mata os filhos para punir o marido traidor. Por vezes interagindo com as atrizes, os músicos Fernando Alves Pinto e Marcelo H executam a bela trilha sonora, indicada ao Shell, composta pela dupla e por Letícia.

fotos mariana vianna/divulgaçÃo
(Foto: Redação Veja rio)

Com todo o merecimento, também foram lembrados pelo júri a direção minuciosa de Leme, a potente atuação de Denise, os elegantes figurinos de Glória Coelho e a deslumbrante luz de Tomás Ribas (vale dizer, em perfeita sintonia com o cenário de Aurora dos Campos). São méritos individuais significativos, mas que parecem se condensar em um: a admirável harmonia entre polos opostos alcançada pela montagem. Os textos sintéticos preservam a amplitude das histórias originais, o tom solene das interpretações convive com alta voltagem dramática, o rigor das marcações não resvala em frieza e a estética revela grande sofisticação por trás do aparente despojamento. Com certo grau de experimentalismo, a peça não é das mais fáceis, mas recompensa com sobras quem se dispõe a embarcar na proposta (75min). 14 anos. Estreou em 25/7/2014.

Centro Cultural Banco do Brasil - Teatro I (175 lugares). Rua Primeiro de Março, 66, Centro, ☎ 3808-2020. → Sexta, 19h; sábado e domingo, 17h e 19h. R$ 10,00. Bilheteria: a partir das 10h (sex. a dom.). Até 14 de setembro.

fotos mariana vianna/divulgaçÃo
(Foto: Redação Veja rio)

Fonte: VEJA RIO