Teatro

Terror pela internet

Inspirado em um crime bárbaro, o monólogo Ato de Comunhão arrebata a plateia

Por: Carlos Henrique Braz - Atualizado em

AVALIAÇÃO ✪✪✪✪

Soa estranha a ideia de sair de casa para assistir, no teatro, à história do alemão Armin Meiwes, condenado à prisão perpétua por assassinar um homem que encontrou pela internet. Conhecido mundialmente em 2001 como o Canibal de Rotemburgo, o técnico de informática matou o engenheiro de computação Bernd Jürgen Brandes e depois degustou partes do seu corpo temperadas com sal, alho e noz-moscada. Revivido de maneira brilhante, o sórdido episódio inspira um ótimo programa. O monólogo Ato de Comunhão, escrito pelo argentino Lautaro Vilo e traduzido por Amir Harif, prima pela elegância narrativa.

Artista completo, Gilberto Gawronski é o intérprete, codiretor, figurinista e cenógrafo da montagem. Ele levou a uma galeria de exposições o cenário que representa o apartamento de Meiwes. No ambiente sobressaem uma cadeira de salão de barbeiro e projeções em vídeo de Jorge Neto, com registros de sites de relacionamento e internautas se exibindo através de webcams.O ator diz suas falas como se estivesse dando um depoimento em plenário, livrando a plateia da sensação de estar confinada no local onde o crime é cometido. Outro acerto foi a decisão de dividir a direção com Warley Goulart, integrante do grupo Os Tapetes Contadores de Histórias. Com um discurso sóbrio e olhar expressivo, Gawronski descreve em primeira pessoa três momentos da vida de seu personagem: a festa de aniversário de 8 anos, o enterro de sua mãe e o encontro com Brandes, com suas consequências trágicas. Mesmo cercada de cuidados, a interpretação é tão convincente que um homem maduro desmaiou durante a sessão acompanhada por VEJA RIO. Para quem tem sangue-frio, é um espetáculo imperdível.

Ato de Comunhão (55min). 18 anos. Estreou em 5/5/2011. Espaço Cultural Sérgio Porto ? Galeria 1 (24 lugares). Rua Humaitá, 163, Humaitá. ☎ 2535-3846. Quinta a sábado, 19h; domingo, 16h. R$ 10,00. Bilheteria: a partir das 17h (qui. a sáb.); a partir das 15h (dom.). Até dia 29.

Fonte: VEJA RIO