UM NOVO ENCONTRO

Premiado drama, As Moças ganha remontagem

Rebatizada como As Moças: o Último Beijo, peça é a única da mineira Isabel Câmara

Por: Rafael Teixeira

AVALIAÇÃO ✪✪✪    

As Moças
Angela Figueiredo e Fernanda Cunha: embate poético (Foto: Ricardo Martins/Divulgação)

Bastou uma única peça para que a mineira Isabel Câmara (1940-2006) gravasse seu nome entre os mais importantes dramaturgos de sua geração. Com o drama As Moças, montado pela primeira vez em 1969, ela colheu elogios e conquistou o Prêmio Molière de melhor autor, mas logo abandonou o teatro, deixando apenas esta obra para os palcos como legado. Rebatizado de As Moças: o Último Beijo, o espetáculo ganha montagem intimista do diretor André Garolli. Angela Figueiredo, em bela interpretação, e Fernanda Cunha vivem, respectivamente, Tereza, uma jornalista perto dos 40 anos, e Ana, jovem e sensual atriz. Ambas dividem um conjugado em algum momento entre fins da década de 60 e início da seguinte. O lado um tanto datado do texto, com a repressão política e a revolução sexual como pano de fundo, encontra contraponto em um embate de tintas poéticas entre as personagens. A direção evidencia esse aspecto nos diálogos quase recitados. Cenário e figurinos de Cassio Brasil e a trilha de Branco Mello (dos Titãs) revestem a montagem com sensibilidade (60min). 16 anos. Estreou em 5/3/2015.

Teatro Poeirinha (46 lugares). Rua São João Batista, 104, Botafogo, ☎ 2537-8053. → Quinta a sábado, 21h; domingo, 19h. R$ 50,00. Bilheteria: a partir das 15h (qui. a dom.). IC. Até o dia 29.

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Fonte: VEJA RIO