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Comédia de Jô Bilac une de forma engenhosa discussão sobre direitos autorais e conflitos familiares

Por: Carlos Henrique Braz - Atualizado em

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(Foto: Redação Veja rio)

Jô Bilac não é mais uma revelação. De presença assídua nos palcos, as peças do dramaturgo de 27 anos são reconhecidas por características como os diálogos cáusticos e bem-humorados, além das referências a obsessões rodriguianas. Notados desde Cachorro! (2007), esses elementos reaparecem no seu 13º texto, Popcorn, Qualquer Semelhança Não É Mera Coincidência. Na comédia, a discussão em torno da autoria de um livro e seu desdobramento em adaptações revela, aos poucos, intimidades e desencontros de uma família.

A trama é ambientada no apartamento de Márcia (Mabel Cezar), dona de casa que escreve uma história de ficção com pegada de autoajuda, mas inspirada em seus parentes reais. Sucesso de vendas, a publicação conquista um prêmio literário na Noruega e atrai a atenção da estrela de TV Saubara O?Donnor (Xuxa Lopes), interessada em produzir e protagonizar uma versão cinematográfica. Para celebrar a premiação e o projeto de filmagem, a autora oferece um jantar à atriz. Márcia também convida seu pai, o jornalista Otávio (Cássio Pandolfi), o irmão Marcos (Vinícius Arneiro), professor de física que anseia publicar seu livro sobre energia escura, e a segunda esposa dele, a extrovertida e maledicente Roni (Maria Maya). Ao redor da mesa, eles trocam farpas, opiniões extremamente sinceras e caminham firmes rumo à desarmonia generalizada. Bilac divide a direção com Sandro Pamponet e obtém bons desempenhos do elenco. Em cena, sobressai o trio de atrizes, responsável por boa parte da diversão.

Popcorn, Qualquer Semelhança Não É Mera Coincidência (90min). 16 anos. Estreou em 7/7/2012. Teatro Ipanema (240 lugares). Rua Prudente de Morais, 824, Ipanema, ☎ 2523-9794. → Sexta e sábado, 21h; domingo, 20h. R$ 30,00. Bilheteria: a partir das 18h30 (sex. a dom.). Até 5 de agosto.

Fonte: VEJA RIO