TEATRO

Uma voz apagada

Abordagem demasiadamente expositiva joga contra espetáculo que mostra a cantora Maria Callas na véspera de sua morte

Por: Rafael Teixeira - Atualizado em

AVALIAÇÃO ✪

Cassia Vilasbôas/Divulgação
(Foto: Redação Veja rio)

Morta precocemente aos 53 anos, a diva do canto lírico Maria Callas (1923-1977) viveu seus últimos anos em reclusão, fragilizada por dramas pessoais e pela decadência profissional. Sobre seus estertores se debruçou o autor Fernando Duarte para escrever Callas, em que a soprano (interpretada por Silvia Pfeifer) é apresentada na véspera de sua morte, durante um encontro com o jornalista e amigo John Adams (personagem fictício vivido por Cássio Reis). Ali, ela relembra suas glórias e tragédias: a relação conturbada com a mãe, a morte do filho com poucas horas de vida, o fim do relacionamento com o magnata grego Aristóteles Onassis, o ocaso de sua voz. Sem ação dramática que lhes dê liga, os episódios vão sendo narrados em tom demasiadamente expositivo ? sensação reforçada pelo uso de projeções reiterativas dos diálogos. Sob a direção de Marília Pêra, o elenco não dribla os problemas: Reis entrega tão somente aquilo que o papel de escada de seu personagem demanda, enquanto Silvia soa um tanto mecânica para uma figura tão dramática quanto Callas (60min). 12 anos. Estreou em 11/1/2014.

Teatro do Leblon - Sala Fernanda Montenegro (417 lugares). Rua Conde Bernadotte, 26, Leblon, ☎ 2529-7700. Quinta a sábado, 19h; domingo, 18h. R$ 70,00 (qui. e sex.) e R$ 80,00 (sáb. e dom.). Bilheteria: a partir das 15h (qui. a dom.). Cc: D, M e V. Cd: todos. IC. Estac. (R$ 4,00 a cada meia hora). Até 30 de março.

Fonte: VEJA RIO