6/7 a 12/7

Os principais espetáculos em cartaz na semana

Músicas dominam três estreias da semana: uma versão de Shakespeare pelo Nós do Morro, espetáculo com Marisa Orth e a revista PoliticaMente Incorretos

Por: Rafael Teixeira - Atualizado em

Domando a Megera
Domando a Megera: baseado no clássico de Shakespeare (Foto: Rany Carneiro/Divulgação)
  • Em tom de conversa, cinco mulheres (vividas por Joana Fomm, Samara Felippo, Mariana Molina, Dora Pellegrino e Carolina Stofella) tecem planos, confessam desejos e divagam livremente sobre assuntos como trabalho, família e sexualidade. O texto da comédia é de Ana Bez. Direção de Ernesto Piccolo.
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  • Contos de Flávia Prosdocimi que abordam a violência e a degradação das relações cotidianas são transpostos para o palco nesta tragicomédia. Em cena, Elisabeth Monteiro, Gustavo Barros e Tiago d’Avila se alternam entre narradores e personagens. Direção de Daniel Belmonte.
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  • O compositor americano Irving Berlin (1888-1989) é homenageado neste musical. Músicas como There’s No Business Like Show Business e Cheek to Cheek integram o repertório. Darwin Del Fabro, também diretor, está no elenco ao lado de Laura Lobo.
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  • O amor transborda na tocante montagem da companhia Os Dezequilibrados. Autor e diretor do espetáculo, Ivan Sugahara teceu uma delicada dramaturgia, na qual questões de um casal contemporâneo se entrelaçam às dos casais dos clássicos Tristão e Isolda, Romeu e Julieta, Don Juan e Werther. Na trama, o sentimento é evocado como instância deflagradora de situações típicas, universais e atemporais. Reforça tal ideia a encenação de praticamente todos os diálogos em gromelô, espécie de língua inventada nos palcos, incompreensível foneticamente, que ganha sentido na empostação da voz e nas ações dos atores. O diretor vocal Ricardo Góes e a preparadora corporal Duda Maia têm peso decisivo no êxito da proposta. Desdobrando-se em múltiplos personagens, Claudia Mele, Ângela Câmara, Julio Adrião e José Karini mostram desenvoltura, entrosamento e, acima de tudo, amorosa entrega ao projeto.
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  • Portador de Down, Pedro Baião vive um jovem com o distúrbio genético nesta comédia juvenil escrita por Rogério Blat. Na história, ele convoca pela internet uma passeata com o objetivo de chamar a atenção para a síndrome, mas só aparecem quatro amigos (vividos por Karina Ramil, Lorena Comparato, Renato Goes e Theo Nogueira). Da manifestação fracassada eles partem para numa aventura na noite carioca. Direção de Ernesto Piccolo.
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  • O musical escrito por Antônio Pedro Borges se passa no início do século XX e leva ao palco o universo da histórica Praça Onze. Entre os episódios lembrados por 19 atores, três músicos e seis cantores estão cenas do nascimento de gêneros musicais brasileiros como o samba, o choro e o maxixe, além da vida de personagens lendários, a exemplo de Tia Ciata. Direção de Vilma Mello e Édio Nunes. Direção musical de Gabriel Moura.
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  • No drama de Aldri Anunciação, dois soldados inimigos se encontram no front da III Guerra Mundial, fruto da disputa pelas águas do planeta. O próprio autor está no elenco, ao lado de Rodrigo dos Santos. Direção de Márcio Meirelles, com codireção de Lázaro Ramos e Fernando Philbert.
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  • Fernanda Torres vez por outra volta a se exercitar nos palcos com este delicioso monólogo cômico, um sucesso desde a estreia, em 2003. Transposição para o teatro do livro homônimo de João Ubaldo Ribeiro (1941-2014), o espetáculo traz a atriz no papel de uma baiana de 68 anos que detalha as incontáveis experiências sexuais que teve ao longo da vida. Domingos de Oliveira responde pela adaptação e pela direção limpa — com pouquíssimos objetos em cena, as atenções se voltam naturalmente para as sutilezas do texto e para a atuação exuberante de Fernanda.
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  • Conhecida por obras impregnadas de arrojo cênico, a Aquela Cia. de Teatro alcança plenamente neste drama a harmonia tão frágil entre comunicação com o público e desbravamento sem concessões. Pedro Kosovski assina o potente texto sobre um soldado da Guerra do Paraguai (papel de Matheus Macena) que, dispensado após um colapso nervoso, retorna ao Rio de 1870. Sua cidade natal, porém, está irreconhecível aos seus olhos, devido às obras de saneamento que dariam origem ao Canal do Mangue, no Centro. A alusão às reformas urbanísticas que tomaram o Rio nos últimos anos (e sua eventual gentrificação por consequência) é inequívoca, mas, felizmente, desprovida de qualquer ranço de didatismo ou panfletagem. Outras reflexões, no entanto, vêm à tona no texto, de tal maneira imbricado com a encenação — e nisso reside grande parte da força avassaladora da montagem — que é até difícil imaginar o conteúdo em outra forma. Na direção de Marco André Nunes, diálogos, palavra recitada, elementos de performance e trilha executada ao vivo (pelo diretor musical Felipe Storino, com Maurício Chiari e Kosovski) se cruzam de forma orgânica. A fascinante instalação cênica que abriga a trama (concebida por Nunes e iluminada com esmero por Renato Machado) sugere a crueza suja do mangue em uma caixa de areia e em uma gaiola de caranguejos. Completado por Eduardo Speroni, Alex Nader, Fellipe Marques e Carolina Virguez, o elenco exibe notável entrega e, para além de destaques individuais, uma extraordinária noção de conjunto.
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  • Protagonista da mais célebre novela do francês Prosper Mérimée (1803-1870), a cigana Carmen alcançou um lugar definitivo no panteão dos personagens icônicos da literatura mundial — tendo, inclusive, estimulado o desenvolvimento de obras de arte em outros campos, como a famosa ópera de Bizet (1838-1875) e um punhado de filmes. Apesar disso, em Carmen, de Cervantes ela está desgostosa com sua própria história, que deseja ver reescrita. Para isso, como sugere o título da peça, Carmen (papel de Ana Paula Bouzas) procura ninguém menos do que o grande autor espanhol (vivido por Samir Murad), ele próprio em busca de uma possível reinvenção pessoal. Baseada no conto de Marcos Arzua, adaptada para o palco por ele mesmo, com o diretor Fábio Espírito Santo, a fábula parte de uma interessante premissa (evocativa do clássico Seis Personagens à Procura de um Autor, de Luigi Pirandello), infelizmente não desenvolvida em sua plenitude: o embate entre Carmen e Cervantes soa redundante e acaba obscurecido por cenas relacionadas a cada um deles individualmente. No elenco, completado por Ciro Sales e Andreza Bittencourt, Ana Paula e, especialmente, Murad tiram melhor proveito da linha de atua­ção algo operística.
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  • O monólogo musical é baseado em três livros do jornalista e escritor Xico Sá: Chabadabadá, Modos de Machos e Modinhas de Fêmeas e o inédito Os Machos Dançaram. Neles, o autor descreve o personagem do Macho-Jurubeba, o homem que está perdendo território para o sujeito contemporâneo, que teme amar e aposta na fragilidade dos laços afetivos e em relacionamentos descartáveis. Como se fosse um antigo programa da madrugada de uma rádio AM, o espetáculo reúne uma seleção das crônicas de Sá narradas por um radialista de codinome Francisco Reginaldo (Marcos França), que dá conselhos amorosos e conta suas aventuras. Direção de Thelmo Fernandes. Direção musical de André Siqueira.
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  • Em 1998, Luiz Salem celebrou seus quinze anos de carreira com a comédia Salem da Imaginação, de Antonio Bivar, escrita especialmente para o ator. Uma reformulação daquele espetáculo, pelas mãos do mesmo dramaturgo, deu origem a esta nova comédia. Mais uma vez sozinho em cena, Salem interpreta um ator que, abandonado pela sua produção, se vê obrigado a improvisar para não perder o público. Direção de Stella Miranda.
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  • Na comédia de Martins Pena (1815-1848), José Antônio, grande admirador de ópera, pretende casar sua filha Josefina com o fazendeiro Marcelo. Este, porém, prefere gêneros musicais populares, para desgosto do futuro sogro. Gaudêncio Mendes, um aproveitador que se diz doutor em direito, tenta usar essa divergência em seu favor e finge ser um cantor lírico para conquistar a preferência de José Antônio. Gustavo Ottoni dirige a montagem e está no elenco, ao lado de Licurgo, Nedira Campos, Nilvan Santos, Priscilla Cadete e Suzana Abranches.
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  • Inspirada no livro homônimo de Martha Medeiros, a comédia romântica de Regiana Antonini aborda a vida da psicanalista Beatriz (uma carismática Cissa Guimarães), que, após vinte anos, decide dar fim ao desgastado casamento com Orlando (Oscar Magrini, substituindo Giuseppe Oristanio nesta temporada). Adaptado de um livro de crônicas independentes, o texto carece um tanto de solidez — a maioria das cenas se assemelha a esquetes isolados. Apesar disso, as situações vividas pela família da protagonista provocam identificação entre os espectadores, além de boas risadas. . É Josie Antello, no entanto, dividindo-se entre os papéis da filha adolescente Marina, da liberal tia Berenice e da amalucada avó Elda, quem responde pelos momentos mais hilariantes. Direção de Ernesto Piccolo.
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  • Comédia

    2500 por Hora
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    Escrita pelos franceses Jacques Livchine e Hervée de Lafond, a comédia 2 500 por Hora parte de uma ideia tão simples quanto aparentemente hercúleo é o trabalho de desenvolvê-la: condensar, como sugere o título, 2,5 milênios de história do teatro em sessenta minutos (na verdade, uma troça só revelada em dado momento do espetáculo, que dura meia hora a mais). Cenas de Eurípides, Shakespeare, Tchekov e Beckett, entre tantos outros, são alinhavadas e pontuadas pela exposição de momentos-chave dessa trajetória — um tanto didáticas, o que a direção de Moacir Chaves abraça e equilibra com injeções de humor. Na adaptação de Monica Biel (também no elenco com Henrique Juliano, Claudio Gabriel, Joelson Medeiros e Júlia Marini, com destaque para os três últimos) acrescenta-se ao desafio original a inclusão, bem-sucedida, diga-se, da história do teatro brasileiro, representado por nomes como João Caetano e Nelson Rodrigues. A ausência de um ou outro ícone das artes cênicas pode eventualmente ser sentida por conhecedores, sem que isso comprometa o prazer do público.
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  • A Megera Domada, de William Shakespeare, ganha versão musical nesta montagem do grupo Nós do Morro, dirigida por Fernando Mello da Costa. Luiz Paulo Corrêa e Castro traduziu o texto original para criar a dramaturgia. Na história, o aventureiro Petruchio (Marcello Melo) decide se casar com Catarina (Melissa Arievo), uma megera que aterroriza a cidade onde vive com o pai e a irmã mais nova. Gabriel Moura assina as composições e a direção musical.
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  • Novo Midas da comédia nacional, Paulo Gustavo tem transformado tudo o que toca em ouro desde que sua carreira estourou, em 2006, a bordo do sucesso teatral Minha Mãe É uma Peça. Adaptado para o cinema, o espetáculo, ainda hoje em turnê, rendeu o longa mais visto no país em 2013. Na mesma toada, sua stand-up comedy Hiperativo continua viajando, anos depois da estreia. Seu nome também está na linha de frente do humor televisivo, sempre em atrações de grande audiência. Vem de um desses programas seu atual êxito nos palcos: 220 Volts é um derivado do humorístico homônimo, exibido até recentemente pelo Multishow. O próprio Paulo Gustavo assina direção e texto em parceria com Fil Braz, também roteirista do programa - do qual foram extraídas as seis personagens para os esquetes do divertido espetáculo. Há uma cantora famosa, símbolo do comportamento fútil de algumas celebridades; uma mulher feia, para quem os menos belos são mais capacitados para dar palestras sobre estética; a Senhora dos Absurdos, com seu arsenal de preconceitos; a Vagaba, cujo nome reflete seu comportamento; uma apresentadora de programa de culinária sem caráter; e Ivonete, sambista da favela cujo sonho é ser rainha de bateria. Não se trata, porém, de monólogos: Paulo Gustavo divide a cena com seis bailarinos e três atores. Um deleite para os olhos, o luxo da produção é visível em cada detalhe, mas não obscurece o que interessa: o showman Paulo Gustavo, inteiramente à vontade e arrancando boas risadas do público.
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  • Comédia romântica

    Elza e Fred
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    Encenada em 2014 no circuito carioca, esta açucarada comédia tinha, na ocasião, Umberto Magnani e Suely Franco interpretando o casal protagonista. De volta aos palcos, a montagem agora traz Ana Rosa no papel da extrovertida Elza. Ela vai mudar a vida do taciturno Alfredo (Magnani), melancólico com a morte da esposa, com quem foi casado por 48 anos. Com direção de Elias Andreato, a peça é uma versão para os palcos do bem-sucedido filme argentino de 2005, dirigido por Marcos Carnevale — o texto é dele com Marcela Guerty e Lily Ann Martin, todos autores da adaptação.
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  • Comédia dramática

    Ensina-me a Viver
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    Transposta com sucesso para o cinema em 1971, a delicada comédia dramática de Colin Higgins (1941-1988) ganhou adaptação de João Falcão, dirigida pelo próprio. A montagem estreou em 2008 e, desde então, percorreu 26 cidades e foi assistida por 500 000 pessoas. O texto apresenta Harold (Arlindo Lopes) e Maude (Glória Menezes), afinadíssimos e esbanjando química. Ele é um rapaz de quase 20 anos obcecado pela morte, enquanto ela é uma senhora que está chegando aos 80, apaixonada pela vida. O encontro dos dois vai mudar o modo como o jovem vê o mundo. No azeitado elenco ainda estão Angela Dip, Antonio Fragoso e Elisa Pinheiro. 
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  • Condenado por um crime sexual, o fanfarrão Randle McMurphy (Tatsu Carvalho) resolve fingir loucura para ser internado em uma instituição psiquiátrica e, assim, escapar dos trabalhos braçais na prisão. Ali, seu espírito libertário vai bater de frente com a rigidez das normas impostas pela enfermeira-chefe Ratched (Helena Varvaki) — embate do qual apenas um vai sair vencedor, como se verá. Baseado no romance One Flew Over the Cuckoo’s Nest, do americano Ken Kesey (1935-2001), o drama, adaptado por Dale Wasserman (1914-2008), foi encenado pela primeira vez em 1963. Doze anos depois, chegou ao cinema no longa de Milos Forman, protagonizado por Jack Nicholson e ganhador do Oscar em cinco categorias. Levantada sem patrocínio, a montagem dirigida por Bruce Gomlevsky tem, por isso mesmo, seus muitos méritos ainda mais abrilhantados. Trata-se de teatrão da melhor qualidade, com texto de ótima carpintaria dramática a serviço de um numeroso elenco de dezesseis atores (fato raro no circuito carioca) perfeitamente orquestrados e sem desníveis. Idealizador da empreitada, Carvalho injeta segurança e carisma em uma interpretação que não se rende à imitação fácil da icônica performance de Nicholson. No papel de sua nêmesis, Helena foge acertadamente do tom de megera de desenho animado, sem deixar de atrair para si a ira da plateia.
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  • Monólogo cômico

    Eugênia
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    Nascida no fim do século XVIII, em uma família de conexões políticas, Eugênia José de Menezes foi, ainda jovem, introduzida à vida na corte portuguesa. Ali, a beleza da moça logo chamaria a atenção do príncipe regente, dom João VI, de quem se tornaria amante. Uma gravidez, porém, selou sua má sorte: para abafar o escândalo real, a jovem foi banida e enviada para um convento. As mirradas informações disponíveis sobre essa figura histórica servem de base para Eugênia. Gisela de Castro, estrela do monólogo cômico, encarna a personagem-título que surge do além para expor sua versão dos fatos. No texto de Miriam Halfim, episódios reais são costurados a licenças narrativas e, mais importante, ácidos comentários sobre os meandros da política e a condição da mulher. O cenário de José Dias, resumido a uma grande caixa de onde são retirados os adereços criados por Samuel Abrantes (também responsável pelo colorido figurino), e a luz de Aurélio de Simoni emprestam clima fantasioso e ironicamente circense à encenação. Sob direção vertiginosa de Sidnei Cruz, Gisela fisga a plateia com amplo domínio de ritmo, ótimo uso da voz e notável trabalho corporal.
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  • Em um parque infantil, quatro moças narram e vivenciam histórias diversas, ora evidentemente imaginadas, ora verossímeis — embora nunca fique claro se são verdadeiras. Fisicamente, são jovens adultas, mas os figurinos, a ambientação e a postura das personagens sugerem meninas conflitantes com o conteúdo por vezes perverso das narrativas. Nesse intrigante desconforto entre o conhecido e o ignorado, o visto e o compreendido, está a força de Foi Você Quem Pediu para Eu Contar a Minha História, da francesa Sandrine Roche, aqui em adaptação de Thereza Falcão. Assuntos como feminilidade, misoginia, status social, família e morte surgem nas histórias, mais eficientes em si mesmas do que na articulação do texto. No mesmo sentido, a direção de Guilherme Piva extrai boas atuações in­dividuais de Fernanda Vasconcellos, Bianca Castanho, Karla Tenório e Talita Castro, ainda que potenciais sutilezas e modulações se­ diluam na uniformidade do tom.
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  • O livro Batidão — Uma História do Funk, do jornalista Silvio Essinger, inspira o musical de João Bernardo Caldeira e Pedro Monteiro. Esse último divide a cena com Alex Gomes, Dérik Machado, Luiza Mayall, Marcelo Cavalcanti, Marcelo Dias e Michelly Campos para contar a trajetória do funk no país desde os anos 70, quando imperava a soul music, até os dias de hoje. Direção de Joana Lebreiro e direção musical de Marcelo Rezende.
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  • Inspirado no argumento do conto Catedral, de Raymond Carver (1938-1988), o drama de Daniele Avila Small se desenrola a partir da chegada de um homem cego, Robert (Rafael Sieg), que perdeu recentemente a sua esposa, à residência do casal formado por Marina (Dâmaris Grün) e João (Lucas Gouvêa). Direção de Felipe Vidal.
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  • Com nome inspirado no filósofo romano, o protagonista deste drama é interpretado por três atores em cena: Leonardo Fernandes dá vida ao jovem que sonha em ser poeta, aos 23 anos. Já rumando para os 50, encarnado por Alexandre Mofati, ele é um advogado distante de seu impulso inicial. E, por fim, Geraldo Peninha vive Horácio septuagenário, maduro e encarando sua história em retrospectiva. No velório do próprio personagem, os três se encontram e travam um diálogo sobre a existência. Edmundo de Novaes assina a dramaturgia, a partir do argumento de Carlos Gradim, também diretor.
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  • Um dos mais deliciosos textos de Oscar Wilde (1854-1900), A Importância de Ser Perfeito (na tradução de Leandro Soares para o título-trocadilho The Importance of Being Earnest) ganha impagável montagem do Coletivo Achado numa Mala. Para debochar do jogo de aparências tão comum na vida em sociedade, o autor criou uma trama em que dois amigos, Agenor (o próprio Soares) e José (Leandro Castilho), se apaixonam por duas moças, Patrícia (George Sauma) e Cecília (João Pedro Zappa). O problema é que eles se escondem por trás de personagens supostamente ilibados, mas são tão falsos quanto o nome que adotaram: Perfeito. Na transposição, a Inglaterra vitoriana é substituída pelo Rio de hoje. A trama ganha atualidade (e oportunidades para boas piadas), sem prejuízo à essência do texto. Daniel Herz, na direção, equilibra habilmente a sofisticação mordaz tão típica de Wilde com o tom de farsa desbragada. Todo o bom elenco se mostra entregue à proposta, mas Sauma e Zappa põem todo mundo no bolso quando entram em cena.
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  • O comediante Fernando Ceylão sai de sua zona de conforto e envereda pelo musical neste espetáculo. Acompanhado pelo ator e pianista Leonardo Wagner, ele vive o ator e cantor Ivon Curi (1928-1995). Escrito por Pedro Murad, o texto não segue os moldes de uma biografia tradicional — em vez disso, subverte a cronologia e aposta em um realismo mágico e em um lirismo nonsense. Canções como La Vie en Rose e Xote das Meninas estão no roteiro. Direção de Lucio Mauro Filho e Danilo Watanabe. Direção musical de Tim Rescala.
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  • Nos últimos meses, o circuito teatral carioca tem sido visitado com razoável frequência por espetáculos de pegada poética, que celebram determinados autores não por meio de suas biografias, mas pela força de suas obras. Comemorando 10 anos de existência, a Companhia de Teatro Íntimo envereda por essa seara em João Cabral, resgate cênico da obra de João Cabral de Melo Neto (1920-1999). Nenhum dos atores interpreta o homenageado: trata-se de uma espécie de recital dramatizado de seus poemas e cartas. O diretor Renato Farias, também autor do roteiro, investe em uma envolvente carga visual, equilibrada no fio da navalha com a potência das palavras. Tais imagens são ora mais oníricas, ora evocativas do autor, caso da cana-de-açúcar espalhada no cenário, da manipulação de máquinas de escrever e do número de flamenco, referência à cidade de Sevilha, onde o poeta viveu. Com essa concorrência imagética, associada à própria natureza do teatro (em que é impossível voltar as páginas), alguns versos fatalmente se perdem, mas a beleza do percurso em conjunto vale a apreciação. Em cena, Rafael Sieg, Cae­ta­no O’Maihlan, Raphael Vianna e Gaby Haviaras demonstram unidade e valorizam, pelo domínio da voz, a obra que reverenciam.
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  • Endividado com traficantes e ameaçado de morte, o jovem Chris Smith (Gabriel Pinheiro) corre para o trailer vagabundo onde vive sua família, toda de fracassados como ele: o pai bronco, Ansel (Fernão Lacerda), a madrasta periguete, Sharla (Aline Abovsky), e a irmã mais nova meio idiotizada, Dottie (Ana Hartmann). Para resolver seu problema, o rapaz sugere contratar um matador de aluguel, Joe Cooper (Carcarah), conhecido como Killer Joe, para dar cabo da própria mãe e, assim, receber o dinheiro do seguro. Os desdobramentos desse macabro plano, que enredará toda a parentela, não serão exatamente os previstos, como se verá neste drama do autor americano Tracy Letts. Conhecido pelo universo algo marginal de sua dramaturgia e de suas encenações, o diretor Mário Bortolotto mostra-se bem à vontade na condução desta trama repleta de violência e de figuras meio outsiders. Ressalte-se: há cenas de uma brutalidade atroz, abraçada com gosto pela direção e executada de maneira absolutamente realista, como raras vezes se vê no teatro. O cenário de Mariko e Seiji Ogawa e os figurinos de Letícia Madeira colaboram decisivamente para o clima de podridão geral, encampado nas interpretações do coeso elenco — com destaque para Carcarah, irradiando todo o cinismo do assassino, e Ana, precisa entre a fragilidade e a sedução.
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  • Tragédia

    Laio & Crísipo
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    Muitos méritos podem ser contabilizados em Laio & Crísipo, potente drama da Aquela Cia. de Teatro, mas o primeiro deles talvez seja jogar luz sobre uma história relativamente desconhecida, em que pese o fato de ser a origem de um mito fundamental da cultura ocidental, narrado por Sófocles em Édipo Rei. Aqui, o autor Pedro Kosovski parte da mitologia em torno de Laio (papel de Erom Cordeiro), pai de Édipo. Exilado ainda jovem de sua cidade natal, ele é acolhido por um rei. Anos mais tarde, incumbido da educação de Crísipo (Ravel de Andrade), filho do monarca, termina se apaixonando pelo herdeiro. A essa relação se soma Jocasta (Carolina Ferman) — mais tarde mãe de Édipo. Em roupagem moderna e com alta voltagem sexual, a montagem surge cheia de som e fúria, na direção musical de Felipe Storino e na condução dos atores e do ritmo pelo diretor Marco André Nunes. Figurinos de Marcelo Marques, cenário de Aurora dos Campos e luz de Renato Machado compõem um quadro deslumbrante, além de conceitualmente poderoso. O afiado elenco revela, à parte os méritos individuais, um entrosamento determinante para o êxito do espetáculo.
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  • Encenado pela primeira vez na Broadway, estrelado pelo comediante Colin Quinn (conhecido pelo programa Saturday Night Live), o monólogo Long Short Story propunha-se a narrar, de forma divertida, toda a história da humanidade no curto período de uma sessão de teatro. A adaptação brasileira, com Bruno Motta, deixa explícita essa premissa no nome: Um Milhão de Anos em Uma Hora. Ainda que parta da mesma ideia, a montagem percorre um texto bastante modificado em relação ao original, adaptado com graça e cheio de referências espertas ao Brasil — em um trabalho conjunto de Motta com Marcelo Adnet e Cláudio Torres Gonzaga, o diretor. Em clima de stand-up comedy (embora não seja exatamente uma), o espetáculo perpassa da revolução russa às guerras tribais africanas, da expansão do Império Romano às navegações europeias, entre muitos outros episódios, em um retrato não muito afável do ser humano. Se não chega a aprofundar reflexões, cumpre o papel de diversão com alguma dose de crítica, escorado em boas piadas, no ritmo ágil e no carisma de sua estrela.
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  • Flávia Reis interpreta onze mulheres nesta comédia. O texto, escrito por Flávia em parceria com Henrique Tavares, é conduzido a partir de uma palestra sobre neurose. Anderson Cunha também está em cena. Direção de Márcio Trigo.
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  • Os últimos 300 anos de história da mulher são apresentados nesta comédia dramática de Oscar Calixto, também diretor. Julli Roldão, Luciana Pacheco, Dani Brescianini, Shirley Cruz e Giselle Motta estão no elenco.
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  • Bemvindo Siqueira dirige a comédia escrita por Maurício Silveira. Toda a ação se passa na sala da casa de Marcela (Amanda Parisi). Enquanto o marido trabalha, ela e seu amante são surpreendidos por uma dupla de criminosos atrapalhados.
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  • Drama

    Pulsões
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    Em um espaço físico indefinido, descolado da realidade, um maestro (Cadu Fávero) e uma bailarina (Fernanda de Freitas) transitam entre a loucura e a sanidade, enquanto procuram reconstituir sua existência através de fragmentos de memórias. A princípio, a única certeza (deles e do público) é que os dois se amam profundamente, devoção comparável apenas à que ele entrega à música e ela, à dança. De fato, em Pulsões, o amor é a força que impede essas figuras de sucumbir. Nesse processo de descoberta, que trará revelações inesperadas à tona, o drama de Dib Carneiro Neto se equilibra entre uma intensa carga poética e o tom algo monocórdio dos diálogos, emocionalmente arrebatado do início ao fim. A direção de Kika Freire investe em marcações que reforçam o aspecto onírico da montagem, evidenciado ainda no cenário e nos figurinos de Teca Fichinski e na trilha executada ao vivo por João Bittencourt (piano) e Maria Clara Valle (violoncelo), sob direção musical de Marco França. Nesse ambiente carregado de sensibilidade, Fávero e Fernanda estabelecem boa contracena — ela, especialmente, revela tato na extração de arroubo e fúria de sua insuspeita aparência de frágil bailarina.
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  • Acompanhada por uma banda de cinco músicos, Marisa Orth costura textos e músicas para narrar, com humor, as desventuras dos relacionamentos. O diversificado repertório do musical vai de Caetano Veloso a Calcinha Preta, passando por Roberto Carlos. O texto é da própria Marisa, com Teté Martinho e Juliana Rosenthal.
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  • O ator Nando Cunha assina o roteiro e a direção deste espetáculo, estrelado por ele mesmo. Acompanhado por Marcio Ventapane (violão), Claudio Varela (cavaco), David Santos (percussão) e Rafael Baby (percussão), ele passeia por clássicos do samba de Candeia, Silas de Oliveira, Martinho da Vila , Noel Rosa, Zeca Pagodinho e Fundo de Quintal, entre outros. As canções são entremeadas por histórias do cotidiano de Cunha e dos bastidores do samba.
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  • Comédia

    Selfie
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    Mesmo para os padrões de um mundo hiperconectado como o de hoje, a relação de Cláudio (Mateus Solano) com a tecnologia é um exagero: sua vida parece estar armazenada em computadores, redes sociais e nuvens. Tal é sua obsessão que o rapaz trabalha arduamente no desenvolvimento de um sistema único para guardar todas as informações sobre si mesmo. Uma pane, no entanto, apaga irremediavelmente os seus dados, da agenda de contatos aos perfis on-line. Sua dependência de uma memória virtual, então, se revela de maneira drástica. Desprovido de lembranças reais, Cláudio se torna um homem sem passado. A partir desse argumento, a comédia de Daniela Ocampo estimula ponderações cada vez mais pertinentes a respeito da influência da tecnologia sobre as relações humanas — com o outro ou consigo mesmo. Para um espetáculo sobre tecnologia, chama atenção a orientação altamente teatralizada, um estímulo à imaginação do público. À exceção de dois bancos e do adorno provido pela luz de Felipe Lourenço, o palco nu recebe Solano e Miguel Thiré (este se desdobrando em onze figuras que cruzam a vida do protagonista) vestindo figurinos neutros e idênticos. Sob direção inventiva de Marcos Caruso, a dupla sugere objetos de cena através de mímicas e sonoplastias, em um intenso trabalho de corpo. Mais do que um campo fértil para o jogo entre os atores, tal despojamento insinua a substituição das lembranças físicas (fotos e cartas, por exemplo) por arquivos virtuais e invisíveis. Figura naturalmente catalisadora em cena, Solano confirma seu reconhecido talento e encontra na versatilidade de Thiré um impagável contraponto.
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  • Ainda envolto em desinformação, ignorância e preconceito, o debate acerca do gênero na figura do transexual poderia, convertido em uma obra de arte, resvalar perigosamente em uma tentativa estéril de panfletagem e doutrinação. Tal caminho, felizmente, não é o trilhado no drama Sexo Neutro. Em abordagem próxima do documental, o texto de João Cícero Bezerra (também diretor da montagem) acompanha uma mulher não identificada com sua condição feminina que decide se tornar fisicamente um homem — figura interpretada por Marcelo Olinto e Cristina Flores. Questões ligadas às cirurgias necessárias, à relação com a família e até ao marido da personagem surgem de forma natural, sem apelo ao sentimentalismo. Integrados à proposta algo performática da montagem enxuta, em um cubo negro iluminado por Tomás Ribas, Olinto e Cristina valorizam e, ao mesmo tempo, suplantam esse aparente distanciamento em suas atuações.
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  • Clássico de Gláucio Gill (1932-1965), a comédia conta a história de Porfírio (André Segatti), jovem solteiro e mulherengo que se vê em apuros ao tentar ajudar o seu melhor amigo, Joãozinho (Marcos Holanda), a resolver uma situação com a namorada dele, Daisy (Raquel Nunes), filha de um severo general. Intérprete do protagonista, Segatti também assina a adaptação do texto e a direção.
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  • A tão conhecida trama do escritor russo Anton Tchekov (1860-1904) ganha um tom intimista na montagem dirigida por Morena Cattoni. O espectador é convidado a se sentar no meio do jardim do Casarão Austregésilo de Athayde, no Cosme Velho, para acompanhar bem de perto as marcas deixadas pela passagem do tempo na família de Olga, Macha e Irina. As três irmãs do título (interpretadas por Julia Deccache, Gisela de Castro e Paula Sandroni) sonham em retornar à Moscou, sua terra natal, e refletem sobre suas próprias vidas e o valor do conhecimento ao longo da apresentação. Na medida em que o dia baixa, a história transpassa as estações, mostrando que a esperança inicialmente solar se transforma em mágoa e quase destrói a família, também composta pelo irmão Andrei (Cirillo Luna). A direção busca aproveitar o alternativo palco em todo seu espaço, muitas vezes apresentando cenas simultâneas. O destaque fica por conta de Gisela, que comove com a dor de Macha e aproxima ainda mais o público daquela história.
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  • Comédia

    Tribos
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    Surdo de nascença, Billy (Bruno Fagundes) superou amplamente suas limitações com o amparo da família, toda ela de ouvintes: dono de um enorme traquejo na leitura labial, o rapaz também fala, garantindo a comunicação. Isso não esconde, porém, a frágil estabilidade por trás do convívio entre os integrantes desse idiossincrático núcleo familiar. O patriarca Christopher (Antonio Fagundes, pai de Bruno na vida real, bisa com ele a parceria do drama Vermelho, de 2012) é um crítico acadêmico de língua mordaz, frequentemente confrontado pela mulher, a escritora tardia Beth (Eliete Cigaarini). Os irmãos são dois fracassados: Daniel (Guilherme Magon) escreve uma tese sobre linguagem que não consegue terminar, enquanto Ruth (Maíra Dvorek) canta ópera em pubs. Todos, como se vê, esbarram em dissonâncias entre a capacidade de se comunicar e a dificuldade real de fazê-lo. Esse quadro será posto à prova quando Billy se apaixonar por Silvia (Arieta Corrêa), garota que começa a ensurdecer depois de adulta. A direção de Ulysses Cruz equilibra o humor (por vezes perverso) e a densidade do texto da inglesa Nina Raine. Na boa condução dos atores, o diretor felizmente resiste à tentação de empurrar um protagonismo indevido a Antonio Fagundes. Ainda assim, o ator brilha, acompanhado por um elenco entrosado — destaque para Bruno e sua composição notavelmente estudada para um personagem tecnicamente exigente e Arieta, dominando as sutilezas de uma figura meio fora de lugar.
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  • Drama de Friedrich Dürrenmatt. Na história, a mulher mais rica do mundo, Claire Zahanasian (Maria Adélia), volta à sua cidade natal. Aos 17 anos, ela engravidou do namorado. Abandonada, ela moveu na justiça uma ação de investigação de paternidade, mas acabou expulsa da cidade. No elenco estão ainda Yashar Zambuzzi, Eduardo Rieche, Paulo Japyassú, Antonio Alves, Laura Nielsen, Renato Peres, André Frazzi, Anita Terrana, Pedro Lamim, Pedro Messina. Direção e adaptação de Sílvia Monte. 
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  • A proposta da montagem é juntar uma exposição e uma montagem teatral, apresentando ao público a loucura como essência da liberdade. A instalação dentro da qual acontece o espetáculo é formada por figurinos, objetos, luzes e sons, manipulados pelos próprios atores (Lucas Weglinski, Marcela Mara e Lucas Asseituno). Ali, eles investigam as possibilidades de encenar o conto Anotações de um Louco, de Nikolai Gogol, dentro de uma exposição. No decorrer da cena, eles são absorvidos pela história que tentam contar, misturando suas "realidades" com a do personagem do conto original. Direção de Alexandra Arakawa.
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Fonte: VEJA RIO