29/6 a 5/7

Os principais espetáculos em cartaz na semana

Em semana de muitas estreias, Antonio Fagundes chega ao Rio com a comédia Tribos, sucesso em São Paulo

Por: Rafael Teixeira - Atualizado em

Tribos
Tribos: comédia com Antonio Fagundes (Foto: João Caldas/Divulgação)
  • Em tom de conversa, cinco mulheres (vividas por Joana Fomm, Samara Felippo, Mariana Molina, Dora Pellegrino e Carolina Stofella) tecem planos, confessam desejos e divagam livremente sobre assuntos como trabalho, família e sexualidade. O texto da comédia é de Ana Bez. Direção de Ernesto Piccolo.
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  • O compositor americano Irving Berlin (1888-1989) é homenageado neste musical. Músicas como There’s No Business Like Show Business e Cheek to Cheek integram o repertório. Darwin Del Fabro, também diretor, está no elenco ao lado de Laura Lobo.
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  • O amor transborda na tocante montagem da companhia Os Dezequilibrados. Autor e diretor do espetáculo, Ivan Sugahara teceu uma delicada dramaturgia, na qual questões de um casal contemporâneo se entrelaçam às dos casais dos clássicos Tristão e Isolda, Romeu e Julieta, Don Juan e Werther. Na trama, o sentimento é evocado como instância deflagradora de situações típicas, universais e atemporais. Reforça tal ideia a encenação de praticamente todos os diálogos em gromelô, espécie de língua inventada nos palcos, incompreensível foneticamente, que ganha sentido na empostação da voz e nas ações dos atores. O diretor vocal Ricardo Góes e a preparadora corporal Duda Maia têm peso decisivo no êxito da proposta. Desdobrando-se em múltiplos personagens, Claudia Mele, Ângela Câmara, Julio Adrião e José Karini mostram desenvoltura, entrosamento e, acima de tudo, amorosa entrega ao projeto.
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  • Portador de Down, Pedro Baião vive um jovem com o distúrbio genético nesta comédia juvenil escrita por Rogério Blat. Na história, ele convoca pela internet uma passeata com o objetivo de chamar a atenção para a síndrome, mas só aparecem quatro amigos (vividos por Karina Ramil, Lorena Comparato, Renato Goes e Theo Nogueira). Da manifestação fracassada eles partem para numa aventura na noite carioca. Direção de Ernesto Piccolo.
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  • No drama de Aldri Anunciação, dois soldados inimigos se encontram no front da III Guerra Mundial, fruto da disputa pelas águas do planeta. O próprio autor está no elenco, ao lado de Rodrigo dos Santos. Direção de Márcio Meirelles, com codireção de Lázaro Ramos e Fernando Philbert.
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  • Fernanda Torres vez por outra volta a se exercitar nos palcos com este delicioso monólogo cômico, um sucesso desde a estreia, em 2003. Transposição para o teatro do livro homônimo de João Ubaldo Ribeiro (1941-2014), o espetáculo traz a atriz no papel de uma baiana de 68 anos que detalha as incontáveis experiências sexuais que teve ao longo da vida. Domingos de Oliveira responde pela adaptação e pela direção limpa — com pouquíssimos objetos em cena, as atenções se voltam naturalmente para as sutilezas do texto e para a atuação exuberante de Fernanda.
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  • Conhecida por obras impregnadas de arrojo cênico, a Aquela Cia. de Teatro alcança plenamente neste drama a harmonia tão frágil entre comunicação com o público e desbravamento sem concessões. Pedro Kosovski assina o potente texto sobre um soldado da Guerra do Paraguai (papel de Matheus Macena) que, dispensado após um colapso nervoso, retorna ao Rio de 1870. Sua cidade natal, porém, está irreconhecível aos seus olhos, devido às obras de saneamento que dariam origem ao Canal do Mangue, no Centro. A alusão às reformas urbanísticas que tomaram o Rio nos últimos anos (e sua eventual gentrificação por consequência) é inequívoca, mas, felizmente, desprovida de qualquer ranço de didatismo ou panfletagem. Outras reflexões, no entanto, vêm à tona no texto, de tal maneira imbricado com a encenação — e nisso reside grande parte da força avassaladora da montagem — que é até difícil imaginar o conteúdo em outra forma. Na direção de Marco André Nunes, diálogos, palavra recitada, elementos de performance e trilha executada ao vivo (pelo diretor musical Felipe Storino, com Maurício Chiari e Kosovski) se cruzam de forma orgânica. A fascinante instalação cênica que abriga a trama (concebida por Nunes e iluminada com esmero por Renato Machado) sugere a crueza suja do mangue em uma caixa de areia e em uma gaiola de caranguejos. Completado por Eduardo Speroni, Alex Nader, Fellipe Marques e Carolina Virguez, o elenco exibe notável entrega e, para além de destaques individuais, uma extraordinária noção de conjunto.
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  • Protagonista da mais célebre novela do francês Prosper Mérimée (1803-1870), a cigana Carmen alcançou um lugar definitivo no panteão dos personagens icônicos da literatura mundial — tendo, inclusive, estimulado o desenvolvimento de obras de arte em outros campos, como a famosa ópera de Bizet (1838-1875) e um punhado de filmes. Apesar disso, em Carmen, de Cervantes ela está desgostosa com sua própria história, que deseja ver reescrita. Para isso, como sugere o título da peça, Carmen (papel de Ana Paula Bouzas) procura ninguém menos do que o grande autor espanhol (vivido por Samir Murad), ele próprio em busca de uma possível reinvenção pessoal. Baseada no conto de Marcos Arzua, adaptada para o palco por ele mesmo, com o diretor Fábio Espírito Santo, a fábula parte de uma interessante premissa (evocativa do clássico Seis Personagens à Procura de um Autor, de Luigi Pirandello), infelizmente não desenvolvida em sua plenitude: o embate entre Carmen e Cervantes soa redundante e acaba obscurecido por cenas relacionadas a cada um deles individualmente. No elenco, completado por Ciro Sales e Andreza Bittencourt, Ana Paula e, especialmente, Murad tiram melhor proveito da linha de atua­ção algo operística.
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  • Releituras de clássicos são uma instituição teatral quase tão sólida quanto as próprias obras submetidas a tais revisões. Diretor com estrada na TV, Vinicius Coimbra se arrisca pela primeira vez nas artes cênicas com um exemplar do gênero. O alvo é ambicioso: As You Like It, comédia de William Shakespeare. Algo equivocadamente intitulada Como a Gente Gosta, a versão tem em Coimbra também um dos tradutores, o adaptador, o figurinista e o cenógrafo. A empreitada é corajosa, mas o resultado, irregular. Na história, a jovem Rosalinda (Priscila Steinmann) é banida do reino devido a um imbróglio envolvendo seu pai e, sob uma identidade masculina, refugia-se na floresta, onde encontrará seu amor, Orlando (Gabriel Falcão). A adaptação aposta em galhofa que banaliza um bocado o original, mas se beneficia comicamente da entrega dos atores a esse viés. Pedro Paulo Rangel e Camilla Amado, entre os mais experientes, e João Lucas Romero e Patrícia Pinho, na ala jovem, se destacam. A ideia de brincadeira e jogo teatral é reforçada no despojamento dos figurinos — calça jeans, camiseta com o nome dos personagens e alguns adereços — e do cenário, este mal-ajambrado mesmo considerando a proposta.
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  • Em 1998, Luiz Salem celebrou seus quinze anos de carreira com a comédia Salem da Imaginação, de Antonio Bivar, escrita especialmente para o ator. Uma reformulação daquele espetáculo, pelas mãos do mesmo dramaturgo, deu origem a esta nova comédia. Mais uma vez sozinho em cena, Salem interpreta um ator que, abandonado pela sua produção, se vê obrigado a improvisar para não perder o público. Direção de Stella Miranda.
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  • Comédia

    2500 por Hora
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    Escrita pelos franceses Jacques Livchine e Hervée de Lafond, a comédia 2 500 por Hora parte de uma ideia tão simples quanto aparentemente hercúleo é o trabalho de desenvolvê-la: condensar, como sugere o título, 2,5 milênios de história do teatro em sessenta minutos (na verdade, uma troça só revelada em dado momento do espetáculo, que dura meia hora a mais). Cenas de Eurípides, Shakespeare, Tchekov e Beckett, entre tantos outros, são alinhavadas e pontuadas pela exposição de momentos-chave dessa trajetória — um tanto didáticas, o que a direção de Moacir Chaves abraça e equilibra com injeções de humor. Na adaptação de Monica Biel (também no elenco com Henrique Juliano, Claudio Gabriel, Joelson Medeiros e Júlia Marini, com destaque para os três últimos) acrescenta-se ao desafio original a inclusão, bem-sucedida, diga-se, da história do teatro brasileiro, representado por nomes como João Caetano e Nelson Rodrigues. A ausência de um ou outro ícone das artes cênicas pode eventualmente ser sentida por conhecedores, sem que isso comprometa o prazer do público.
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  • Comédia dramática

    Ensina-me a Viver
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    Transposta com sucesso para o cinema em 1971, a delicada comédia dramática de Colin Higgins (1941-1988) ganhou adaptação de João Falcão, dirigida pelo próprio. A montagem estreou em 2008 e, desde então, percorreu 26 cidades e foi assistida por 500 000 pessoas. O texto apresenta Harold (Arlindo Lopes) e Maude (Glória Menezes), afinadíssimos e esbanjando química. Ele é um rapaz de quase 20 anos obcecado pela morte, enquanto ela é uma senhora que está chegando aos 80, apaixonada pela vida. O encontro dos dois vai mudar o modo como o jovem vê o mundo. No azeitado elenco ainda estão Angela Dip, Antonio Fragoso e Elisa Pinheiro. 
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  • Comédia romântica

    Elza e Fred
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    Encenada em 2014 no circuito carioca, esta açucarada comédia tinha, na ocasião, Umberto Magnani e Suely Franco interpretando o casal protagonista. De volta aos palcos, a montagem agora traz Ana Rosa no papel da extrovertida Elza. Ela vai mudar a vida do taciturno Alfredo (Magnani), melancólico com a morte da esposa, com quem foi casado por 48 anos. Com direção de Elias Andreato, a peça é uma versão para os palcos do bem-sucedido filme argentino de 2005, dirigido por Marcos Carnevale — o texto é dele com Marcela Guerty e Lily Ann Martin, todos autores da adaptação.
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  • Condenado por um crime sexual, o fanfarrão Randle McMurphy (Tatsu Carvalho) resolve fingir loucura para ser internado em uma instituição psiquiátrica e, assim, escapar dos trabalhos braçais na prisão. Ali, seu espírito libertário vai bater de frente com a rigidez das normas impostas pela enfermeira-chefe Ratched (Helena Varvaki) — embate do qual apenas um vai sair vencedor, como se verá. Baseado no romance One Flew Over the Cuckoo’s Nest, do americano Ken Kesey (1935-2001), o drama, adaptado por Dale Wasserman (1914-2008), foi encenado pela primeira vez em 1963. Doze anos depois, chegou ao cinema no longa de Milos Forman, protagonizado por Jack Nicholson e ganhador do Oscar em cinco categorias. Levantada sem patrocínio, a montagem dirigida por Bruce Gomlevsky tem, por isso mesmo, seus muitos méritos ainda mais abrilhantados. Trata-se de teatrão da melhor qualidade, com texto de ótima carpintaria dramática a serviço de um numeroso elenco de dezesseis atores (fato raro no circuito carioca) perfeitamente orquestrados e sem desníveis. Idealizador da empreitada, Carvalho injeta segurança e carisma em uma interpretação que não se rende à imitação fácil da icônica performance de Nicholson. No papel de sua nêmesis, Helena foge acertadamente do tom de megera de desenho animado, sem deixar de atrair para si a ira da plateia.
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  • Monólogo cômico

    Eugênia
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    Nascida no fim do século XVIII, em uma família de conexões políticas, Eugênia José de Menezes foi, ainda jovem, introduzida à vida na corte portuguesa. Ali, a beleza da moça logo chamaria a atenção do príncipe regente, dom João VI, de quem se tornaria amante. Uma gravidez, porém, selou sua má sorte: para abafar o escândalo real, a jovem foi banida e enviada para um convento. As mirradas informações disponíveis sobre essa figura histórica servem de base para Eugênia. Gisela de Castro, estrela do monólogo cômico, encarna a personagem-título que surge do além para expor sua versão dos fatos. No texto de Miriam Halfim, episódios reais são costurados a licenças narrativas e, mais importante, ácidos comentários sobre os meandros da política e a condição da mulher. O cenário de José Dias, resumido a uma grande caixa de onde são retirados os adereços criados por Samuel Abrantes (também responsável pelo colorido figurino), e a luz de Aurélio de Simoni emprestam clima fantasioso e ironicamente circense à encenação. Sob direção vertiginosa de Sidnei Cruz, Gisela fisga a plateia com amplo domínio de ritmo, ótimo uso da voz e notável trabalho corporal.
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  • Em estágio terminal de câncer, Ben (Rogério Fróes) padece sobre uma cama de hospital, enquanto sua mulher, Rita (Suzana Faini), ali a seu lado, folheia uma revista de decoração, planejando a mudança no visual da sala de estar do casal tão logo o marido morra. Trata-se de um dos muitos sintomas da incomunicabilidade que afeta as relações entre os personagens de Família Lyons, desconcertante tragicomédia de Nicky Silver. Como em boa parte de sua obra, aqui o autor americano volta a jogar luz sobre núcleos familiares disfuncionais. Além da esposa alheia, o patriarca grosseirão deverá lidar com a visita dos filhos complicados: Lisa (Zulma Mercadante), alcoólatra, recém-separada, e Curtis (Emilio Orciollo Netto), escritor de talento duvidoso e, para desgosto de Ben, homossexual. À parte a difícil convivência com os pais, os dois também têm seus problemas particulares, que não convém revelar de antemão. Ciente da qualidade do texto, o diretor Marcos Caruso não inventa moda, postura notável até na austeridade funcional do cenário de Alexandre Murucci, iluminado de acordo por Felipe Lourenço. Ao contrário, prefere apostar no bom ritmo da montagem e na envolvente dinâmica do elenco, completado por Pedro Osório e Rose Lima, que desempenham com competência papéis menores. No entrosado quarteto principal, é impossível não destacar a interpretação superlativa de Suzana, precisa em cada intervenção.
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  • Em um parque infantil, quatro moças narram e vivenciam histórias diversas, ora evidentemente imaginadas, ora verossímeis — embora nunca fique claro se são verdadeiras. Fisicamente, são jovens adultas, mas os figurinos, a ambientação e a postura das personagens sugerem meninas conflitantes com o conteúdo por vezes perverso das narrativas. Nesse intrigante desconforto entre o conhecido e o ignorado, o visto e o compreendido, está a força de Foi Você Quem Pediu para Eu Contar a Minha História, da francesa Sandrine Roche, aqui em adaptação de Thereza Falcão. Assuntos como feminilidade, misoginia, status social, família e morte surgem nas histórias, mais eficientes em si mesmas do que na articulação do texto. No mesmo sentido, a direção de Guilherme Piva extrai boas atuações in­dividuais de Fernanda Vasconcellos, Bianca Castanho, Karla Tenório e Talita Castro, ainda que potenciais sutilezas e modulações se­ diluam na uniformidade do tom.
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  • O livro Batidão — Uma História do Funk, do jornalista Silvio Essinger, inspira o musical de João Bernardo Caldeira e Pedro Monteiro. Esse último divide a cena com Alex Gomes, Dérik Machado, Luiza Mayall, Marcelo Cavalcanti, Marcelo Dias e Michelly Campos para contar a trajetória do funk no país desde os anos 70, quando imperava a soul music, até os dias de hoje. Direção de Joana Lebreiro e direção musical de Marcelo Rezende.
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  • Monólogo cômico

    A Geladeira
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    Assim como O Homossexual ou A Dificuldade de Se Expressar, este desconcertante monólogo cômico é uma das peças do dramaturgo, performer e cartunista franco-argentino Raul Damonte Botana, o Copi (1939-1987), montadas no projeto carioca em seu tributo. Aqui, Marcio Vito encarna um ex-modelo de gênero indefinido — como é de esperar de Copi, artista afeito à diluição de limites entre masculino e feminino. Ao fazer 50 anos, ele (ou ela?) recebe uma geladeira de presente da mãe. Desenrola-se, então, uma série de acontecimentos surreais, nos quais Vito se desdobra em vários personagens, como a tal mãe, uma psicóloga e uma governanta. À parte as reflexões sobre solidão, evocadas na trama delirante, a estrutura provocante da dramaturgia é, em si, um convite a ponderações a respeito da subversão da realidade. A direção de Thomas Quillardet impõe excelente ritmo, beneficiado pelo virtuosismo de Vito.
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  • Edson Cardoso (outrora conhecido como o Jacaré do grupo É o Tchan) estrela o monólogo cômico de Rob Becker, recordista de temporadas na Broadway e já encenado em diversos países. Ele encarna um personagem chamado Edson (a coincidência de nomes é rubrica do autor para as montagens mundo afora), que, farto dos mal­-entendidos nas relações entre homens e mulheres, passa a defender os primeiros — em confrontos entre casais do tempo das cavernas aos dias de hoje. Direção de Nancho Novo.
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  • Pouco montado por aqui, o dramaturgo, performer e artista gráfico franco-argentino Raul Damonte Botana, o Copi (1939-1987), tem nesta rascante comédia uma das peças de sua autoria dentro de um projeto em sua homenagem — a outra é o monólogo A Geladeira. Questões de gênero são levantadas de forma visionária (o texto é de 1967) a partir da bizarra história da jovem Irina e da Senhora Simpson. Não à toa vividas por homens — respectivamente Mauricio Lima e Renato Carrera, este luminoso no entrosado elenco —, as personagens estão exiladas na Sibéria por terem mudado de sexo. Transgênero convertido em homem (mas que, em uma das ousadias típicas do autor, se veste de mulher e é tratado no feminino), a Madame Garbo (Leonardo Corajo) tenciona levá-las para o exterior. Fabiano de Freitas, além de completar o elenco com Higor Campagnaro, assina a elegante e segura direção da desestabilizadora montagem.
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  • Com nome inspirado no filósofo romano, o protagonista deste drama é interpretado por três atores em cena: Leonardo Fernandes dá vida ao jovem que sonha em ser poeta, aos 23 anos. Já rumando para os 50, encarnado por Alexandre Mofati, ele é um advogado distante de seu impulso inicial. E, por fim, Geraldo Peninha vive Horácio septuagenário, maduro e encarando sua história em retrospectiva. No velório do próprio personagem, os três se encontram e travam um diálogo sobre a existência. Edmundo de Novaes assina a dramaturgia, a partir do argumento de Carlos Gradim, também diretor.
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  • Um dos mais deliciosos textos de Oscar Wilde (1854-1900), A Importância de Ser Perfeito (na tradução de Leandro Soares para o título-trocadilho The Importance of Being Earnest) ganha impagável montagem do Coletivo Achado numa Mala. Para debochar do jogo de aparências tão comum na vida em sociedade, o autor criou uma trama em que dois amigos, Agenor (o próprio Soares) e José (Leandro Castilho), se apaixonam por duas moças, Patrícia (George Sauma) e Cecília (João Pedro Zappa). O problema é que eles se escondem por trás de personagens supostamente ilibados, mas são tão falsos quanto o nome que adotaram: Perfeito. Na transposição, a Inglaterra vitoriana é substituída pelo Rio de hoje. A trama ganha atualidade (e oportunidades para boas piadas), sem prejuízo à essência do texto. Daniel Herz, na direção, equilibra habilmente a sofisticação mordaz tão típica de Wilde com o tom de farsa desbragada. Todo o bom elenco se mostra entregue à proposta, mas Sauma e Zappa põem todo mundo no bolso quando entram em cena.
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  • O comediante Fernando Ceylão sai de sua zona de conforto e envereda pelo musical neste espetáculo. Acompanhado pelo ator e pianista Leonardo Wagner, ele vive o ator e cantor Ivon Curi (1928-1995). Escrito por Pedro Murad, o texto não segue os moldes de uma biografia tradicional — em vez disso, subverte a cronologia e aposta em um realismo mágico e em um lirismo nonsense. Canções como La Vie en Rose e Xote das Meninas estão no roteiro. Direção de Lucio Mauro Filho e Danilo Watanabe. Direção musical de Tim Rescala.
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  • Nos últimos meses, o circuito teatral carioca tem sido visitado com razoável frequência por espetáculos de pegada poética, que celebram determinados autores não por meio de suas biografias, mas pela força de suas obras. Comemorando 10 anos de existência, a Companhia de Teatro Íntimo envereda por essa seara em João Cabral, resgate cênico da obra de João Cabral de Melo Neto (1920-1999). Nenhum dos atores interpreta o homenageado: trata-se de uma espécie de recital dramatizado de seus poemas e cartas. O diretor Renato Farias, também autor do roteiro, investe em uma envolvente carga visual, equilibrada no fio da navalha com a potência das palavras. Tais imagens são ora mais oníricas, ora evocativas do autor, caso da cana-de-açúcar espalhada no cenário, da manipulação de máquinas de escrever e do número de flamenco, referência à cidade de Sevilha, onde o poeta viveu. Com essa concorrência imagética, associada à própria natureza do teatro (em que é impossível voltar as páginas), alguns versos fatalmente se perdem, mas a beleza do percurso em conjunto vale a apreciação. Em cena, Rafael Sieg, Cae­ta­no O’Maihlan, Raphael Vianna e Gaby Haviaras demonstram unidade e valorizam, pelo domínio da voz, a obra que reverenciam.
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  • Tragédia

    Laio & Crísipo
    Veja Rio
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    Muitos méritos podem ser contabilizados em Laio & Crísipo, potente drama da Aquela Cia. de Teatro, mas o primeiro deles talvez seja jogar luz sobre uma história relativamente desconhecida, em que pese o fato de ser a origem de um mito fundamental da cultura ocidental, narrado por Sófocles em Édipo Rei. Aqui, o autor Pedro Kosovski parte da mitologia em torno de Laio (papel de Erom Cordeiro), pai de Édipo. Exilado ainda jovem de sua cidade natal, ele é acolhido por um rei. Anos mais tarde, incumbido da educação de Crísipo (Ravel de Andrade), filho do monarca, termina se apaixonando pelo herdeiro. A essa relação se soma Jocasta (Carolina Ferman) — mais tarde mãe de Édipo. Em roupagem moderna e com alta voltagem sexual, a montagem surge cheia de som e fúria, na direção musical de Felipe Storino e na condução dos atores e do ritmo pelo diretor Marco André Nunes. Figurinos de Marcelo Marques, cenário de Aurora dos Campos e luz de Renato Machado compõem um quadro deslumbrante, além de conceitualmente poderoso. O afiado elenco revela, à parte os méritos individuais, um entrosamento determinante para o êxito do espetáculo.
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  • Emma (Raquel Iantas) tem em Charles (Joelson Medeiros) um marido perfeito nas suas docilidade e devoção. Tal situação, porém, só é capaz de despertar na mulher o mais profundo tédio, que ela tenta aplacar em casos extraconjugais. Transposição para os palcos do livro homônimo de Gustave Flaubert (1821-1880), Madame Bovary aborda, por trás de suas múltiplas camadas, a eterna insatisfação humana. Em que pese o inescapável enxugamento do romance, a adaptação de Bruno Lara Resende (também diretor ao lado de Rafaela Amado) preserva a essência em dramaturgia que não trai suas origens: na boca dos personagens, diálogos se alternam com narrações dos fatos. No papel-título, Raquel entrega uma Emma menos arrebatada do que o imaginário em torno da personagem sugere, mas em consonância com o que parece ser uma proposta de evidenciar a narrativa. Nunca menos do que correto, o elenco conta ainda com Alcemar Vieira, Lourival Prudêncio e Vilma Mello.
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  • Na comédia de Newton Moreno, Lilia Cabral encarna a protagonista, uma solteirona que não quer chegar aos 50 anos sem conseguir um marido. Para atingir seu objetivo, ela enfrenta a ira do pai e contraria os habitantes da sua cidadezinha, que acreditam que ela é santa. A chegada de um circo ao povoado muda totalmente o destino de Maria. No elenco também estão Eduardo Reyes, Fernando Neves, Silvia Poggetti e Dani Barros. Direção de João Fonseca.
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  • Flávia Reis interpreta onze mulheres nesta comédia. O texto, escrito por Flávia em parceria com Henrique Tavares, é conduzido a partir de uma palestra sobre neurose. Anderson Cunha também está em cena. Direção de Márcio Trigo.
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  • Bemvindo Siqueira dirige a comédia escrita por Maurício Silveira. Toda a ação se passa na sala da casa de Marcela (Amanda Parisi). Enquanto o marido trabalha, ela e seu amante são surpreendidos por uma dupla de criminosos atrapalhados.
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  • Drama

    Pulsões
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    Em um espaço físico indefinido, descolado da realidade, um maestro (Cadu Fávero) e uma bailarina (Fernanda de Freitas) transitam entre a loucura e a sanidade, enquanto procuram reconstituir sua existência através de fragmentos de memórias. A princípio, a única certeza (deles e do público) é que os dois se amam profundamente, devoção comparável apenas à que ele entrega à música e ela, à dança. De fato, em Pulsões, o amor é a força que impede essas figuras de sucumbir. Nesse processo de descoberta, que trará revelações inesperadas à tona, o drama de Dib Carneiro Neto se equilibra entre uma intensa carga poética e o tom algo monocórdio dos diálogos, emocionalmente arrebatado do início ao fim. A direção de Kika Freire investe em marcações que reforçam o aspecto onírico da montagem, evidenciado ainda no cenário e nos figurinos de Teca Fichinski e na trilha executada ao vivo por João Bittencourt (piano) e Maria Clara Valle (violoncelo), sob direção musical de Marco França. Nesse ambiente carregado de sensibilidade, Fávero e Fernanda estabelecem boa contracena — ela, especialmente, revela tato na extração de arroubo e fúria de sua insuspeita aparência de frágil bailarina.
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  • Nos anos 20, os italianos Nicola Sacco e Bartolomeo Vanzetti, morando nos Estados Unidos, foram presos e condenados à morte em controverso julgamento, pelo assassinato de duas pessoas (meio século mais tarde, acabariam oficialmente absolvidos). Gilberto Miranda e Douglas Amaral vivem os protagonistas no drama do argentino Mauricio Kartun, em montagem da Cia. Ensaio Aberto. Direção de Luiz Fernando Lobo.
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  • O ator Nando Cunha assina o roteiro e a direção deste espetáculo, estrelado por ele mesmo. Acompanhado por Marcio Ventapane (violão), Claudio Varela (cavaco), David Santos (percussão) e Rafael Baby (percussão), ele passeia por clássicos do samba de Candeia, Silas de Oliveira, Martinho da Vila , Noel Rosa, Zeca Pagodinho e Fundo de Quintal, entre outros. As canções são entremeadas por histórias do cotidiano de Cunha e dos bastidores do samba.
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  • Comédia

    Selfie
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    Mesmo para os padrões de um mundo hiperconectado como o de hoje, a relação de Cláudio (Mateus Solano) com a tecnologia é um exagero: sua vida parece estar armazenada em computadores, redes sociais e nuvens. Tal é sua obsessão que o rapaz trabalha arduamente no desenvolvimento de um sistema único para guardar todas as informações sobre si mesmo. Uma pane, no entanto, apaga irremediavelmente os seus dados, da agenda de contatos aos perfis on-line. Sua dependência de uma memória virtual, então, se revela de maneira drástica. Desprovido de lembranças reais, Cláudio se torna um homem sem passado. A partir desse argumento, a comédia de Daniela Ocampo estimula ponderações cada vez mais pertinentes a respeito da influência da tecnologia sobre as relações humanas — com o outro ou consigo mesmo. Para um espetáculo sobre tecnologia, chama atenção a orientação altamente teatralizada, um estímulo à imaginação do público. À exceção de dois bancos e do adorno provido pela luz de Felipe Lourenço, o palco nu recebe Solano e Miguel Thiré (este se desdobrando em onze figuras que cruzam a vida do protagonista) vestindo figurinos neutros e idênticos. Sob direção inventiva de Marcos Caruso, a dupla sugere objetos de cena através de mímicas e sonoplastias, em um intenso trabalho de corpo. Mais do que um campo fértil para o jogo entre os atores, tal despojamento insinua a substituição das lembranças físicas (fotos e cartas, por exemplo) por arquivos virtuais e invisíveis. Figura naturalmente catalisadora em cena, Solano confirma seu reconhecido talento e encontra na versatilidade de Thiré um impagável contraponto.
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  • Ainda envolto em desinformação, ignorância e preconceito, o debate acerca do gênero na figura do transexual poderia, convertido em uma obra de arte, resvalar perigosamente em uma tentativa estéril de panfletagem e doutrinação. Tal caminho, felizmente, não é o trilhado no drama Sexo Neutro. Em abordagem próxima do documental, o texto de João Cícero Bezerra (também diretor da montagem) acompanha uma mulher não identificada com sua condição feminina que decide se tornar fisicamente um homem — figura interpretada por Marcelo Olinto e Cristina Flores. Questões ligadas às cirurgias necessárias, à relação com a família e até ao marido da personagem surgem de forma natural, sem apelo ao sentimentalismo. Integrados à proposta algo performática da montagem enxuta, em um cubo negro iluminado por Tomás Ribas, Olinto e Cristina valorizam e, ao mesmo tempo, suplantam esse aparente distanciamento em suas atuações.
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  • Em cartaz desde o início do mês na Cidade das Artes com um leque de atrações de música, artes plásticas e teatro, o Festival Portugal no Rio traz à cidade o elogiado espetáculo Sombras — A Nossa Tristeza É uma Imensa Alegria, para três apresentações, de sexta (3) a domingo (5), na Grande Sala. Dirigida por Ricardo Pais, um dos mais importantes encenadores portugueses em atividade, a montagem de pegada multimídia estreou em 2010 e, desde então, cumpriu diversas temporadas em seu país, além de ter colhido aplausos em teatros na França e na Rússia. Em cena, é contada a história de Portugal por meio de textos, vídeos, números de dança e fado executado ao vivo
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  • Clássico de Gláucio Gill (1932-1965), a comédia conta a história de Porfírio (André Segatti), jovem solteiro e mulherengo que se vê em apuros ao tentar ajudar o seu melhor amigo, Joãozinho (Marcos Holanda), a resolver uma situação com a namorada dele, Daisy (Raquel Nunes), filha de um severo general. Intérprete do protagonista, Segatti também assina a adaptação do texto e a direção.
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  • A tão conhecida trama do escritor russo Anton Tchekov (1860-1904) ganha um tom intimista na montagem dirigida por Morena Cattoni. O espectador é convidado a se sentar no meio do jardim do Casarão Austregésilo de Athayde, no Cosme Velho, para acompanhar bem de perto as marcas deixadas pela passagem do tempo na família de Olga, Macha e Irina. As três irmãs do título (interpretadas por Julia Deccache, Gisela de Castro e Paula Sandroni) sonham em retornar à Moscou, sua terra natal, e refletem sobre suas próprias vidas e o valor do conhecimento ao longo da apresentação. Na medida em que o dia baixa, a história transpassa as estações, mostrando que a esperança inicialmente solar se transforma em mágoa e quase destrói a família, também composta pelo irmão Andrei (Cirillo Luna). A direção busca aproveitar o alternativo palco em todo seu espaço, muitas vezes apresentando cenas simultâneas. O destaque fica por conta de Gisela, que comove com a dor de Macha e aproxima ainda mais o público daquela história.
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  • Comédia

    Tribos
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    Surdo de nascença, Billy (Bruno Fagundes) superou amplamente suas limitações com o amparo da família, toda ela de ouvintes: dono de um enorme traquejo na leitura labial, o rapaz também fala, garantindo a comunicação. Isso não esconde, porém, a frágil estabilidade por trás do convívio entre os integrantes desse idiossincrático núcleo familiar. O patriarca Christopher (Antonio Fagundes, pai de Bruno na vida real, bisa com ele a parceria do drama Vermelho, de 2012) é um crítico acadêmico de língua mordaz, frequentemente confrontado pela mulher, a escritora tardia Beth (Eliete Cigaarini). Os irmãos são dois fracassados: Daniel (Guilherme Magon) escreve uma tese sobre linguagem que não consegue terminar, enquanto Ruth (Maíra Dvorek) canta ópera em pubs. Todos, como se vê, esbarram em dissonâncias entre a capacidade de se comunicar e a dificuldade real de fazê-lo. Esse quadro será posto à prova quando Billy se apaixonar por Silvia (Arieta Corrêa), garota que começa a ensurdecer depois de adulta. A direção de Ulysses Cruz equilibra o humor (por vezes perverso) e a densidade do texto da inglesa Nina Raine. Na boa condução dos atores, o diretor felizmente resiste à tentação de empurrar um protagonismo indevido a Antonio Fagundes. Ainda assim, o ator brilha, acompanhado por um elenco entrosado — destaque para Bruno e sua composição notavelmente estudada para um personagem tecnicamente exigente e Arieta, dominando as sutilezas de uma figura meio fora de lugar.
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  • Vencedor do projeto Núcleo de Dramaturgia Sesi, o texto de Raphael Call é uma comédia que aborda a questão da memória. Na história, três irmãos (vividos por Amanda Mirasci, Felipe Haiut e Leonardo Hinckel) se encontram para dividir a herança da avó: uma geladeira azul. Direção de Pedro Nercessian.
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Fonte: VEJA RIO